Diário de Viagem

Uma tarde em Arraial do Cabo

Não é segredo nenhum que eu me apaixonei pelo Rio de Janeiro quando botei os pés lá pela primeira vez em 2011 para o Rock in Rio. Desde então, voltei muitas vezes, inclusive para estudar, mas a região que é realmente encantadora é a região dos lagos, onde mora nossa Sam. Desde as Olimpíadas, eu vinha procurando uma desculpa para voltar para lá, e essa desculpa caiu como uma luva quando a final da Copa do Mundo caiu um dia antes do aniversário de nossa amiga Pry. Foi assim que Hypia e eu fomos passar uma tarde em Arraial do Cabo.

A última vez que eu havia ido para a região dos lagos foi no carnaval de 2016, mas fiquei em Búzios (um rolê topzera que mereceria o próprio post e muitos retornos) e não tive a chance de ir para Arraial, cujas fotos das praias fazem você sentir vontade de chorar. Particularmente, prometi a mim mesma que teria que ir para lá da próxima vez, e por muito pouco esse passeio quase não aconteceu.

Hypia e eu estavamos hospedadas na casa da nossa amiga (a já mencionada Priscila) em São Pedro da Aldeia, que fica beirando a Lagoa de Araruama e logo antes de Cabo Frio. É o ponto exatamente antes da bifurcação que te leva para essas belas cidadezinhas paradisíacas do Rio de Janeiro: Armação dos Búzios de um lado e Arraial do Cabo do outro.

Em São Pedro, é possível pegar um circular para Arraial pelo precinho de R$5,55 e esse circular passa por muitas praias até chegar no ponto praticamente na entrada da Praia do Forno, que foi o nosso destino especificamente.

OBS: 1) Estadia em São Pedro da Aldeia é a mais barata, mas meio fora de mão para quem realmente quer passar o tempo na região dos lagos. Para chegar em Araruama, Cabo Frio e em Arraial, basta um circular, para chegar em Búzios, dois (São Pedro – Cabo Frio – Búzios). Se quiser fazer esse esquema, tem que estar no clima aventureiro.

2) Como fomos em julho, era baixa temporada, portanto tudo estava mais barato. Por favor, lembre-se que tudo vai ficar mais caro se você for em alta temporada.

A Praia do Forno fica do outro lado de um morro. Pedimos pro motorista nos falar quando chegarmos, e descemos a um quarteirão da entrada da trilha. Como eram férias, o lugar estava cheio de gente, e como já era depois do almoço, muita gente já estava voltando. Por ser do outro lado do morro, isso queria dizer que precisávamos subir a trilha, que na verdade era uma escadaria, porque era bem íngreme. Toda situação é meio estressante, porque tinha gente atrás de você desesperada pra chegar do outro lado também, e os degraus eram de pedra e irregulares. Estando fora de forma, tive dificuldades em subir, mas cheguei lá em cima com as meninas. E a vista era assim:

Também foi lá em cima, prontas pra postar tudo no stories do ig, que percebemos que tínhamos um total de zero sinais. Isso mesmo, pessoal, se você quiser fazer aqueles roles paradisíacos separados do mundo, este é o seu lugar! Arraial do Cabo, o verdadeiro “não temos wifi, conversem uns com os outros”.

Pra descer tinha mais escadas, e essas com areia da praia, então é preciso um cuidado extra para não sair rolando, mas ainda sim é mais fácil do que subir (leia-se menos íngreme) e rapidinho estávamos na praia. Esse drama todo de subir e descer não levou mais do que quinze minutos, um nada comparado à outra praia famosíssima de Arraial, cuja trilha no morro leva uma hora. Ambas 100% valem a pena, no entanto.

Era umas 14h30 quando chegamos lá, e conseguimos guarda-sol com 4 cadeiras por R$20,00. Lembrete amigável de que era baixa temporada! Dois anos antes, em Geribá (Búzios), pagamos esse mesmo valor por duas cadeiras apenas, e vale reforçar que geralmente o preço é baixo porque a consumação nessas praias tem um preço salgadinho. A água estava gelada e não queríamos nadar, mas pelo menos (até o momento) molhamos nossos pés, disputando espaço no raso com as crianças e as gaivotas.

Como fomos depois do almoço e levamos nossa própria água, não consumimos nenhum alimento lá, por isso não somos capazes de opinar quanto ao preço dos alimentos. Na verdade, nossa intenção desde o início tinha sido farofar mesmo, para economizar (a crise, ela chega pra todos), e tivemos muito sucesso.

Quando o sol abaixou de vez, cerca de uma hora e meia depois, e depois de conversarmos bastante sobre a vida e o WT (essas coisas rotineiras), a praia começou a esvaziar, porque honestamente, ninguém quer ir para praia sem sol, mas como nós estávamos bem de boas~, ficamos mais um pouco. A questão era que queríamos voltar de barco, e só haveria barco táxi enquanto houvesse gente na praia, então pouco depois das 16h tomamos nosso rumo.

Sair da Praia do Forno é bem simples e barato na temporada que for se você estiver disposto a pegar a trilha. Ela custa um total de zero golpes e é uma opção honesta pra quem está em forma ou se sentindo aventureiro, ou mesmo se sentindo com os bolsos apertados. No nosso caso, a gente estava sentindo os bolsos apertados, mas o barco táxi custava R$10,00 por pessoa, cerca de 1/4 do valor da alta temporada, então nós olhamos umas para as outras e falamos “what the hell.

rindo de nervouser rsrs

Esse movimento não foi friamente calculado da nossa parte. Sim, não gastamos muito para pegar esse barco, mas lembra aquela história de não querer se molhar? Então, rsrsrs. Não tem um porto ou deck ou algo do tipo na Praia do Forno, e por causa da força da água, existem bancos de areia mais fundos que outros. E pra chegar no barco, bem… nos precisamos entrar na água. O barco não estava muito longe da areia, mas por causa desses buracos, o mais fundo batia na minha cintura, e a gente teve um medo legítimo de que a Hypia fosse se afogar! ^^’ Sem contar nossos celulares, que sobreviveram bravamente aquele primeiro passo no fundo do mar. Entramos no barco rindo histericamente, mas curtimos a viagem de volta ao som de Akon sabendo que poderíamos ter ido embora sem essa, mas que pelo menos tínhamos história pra contar.

? Oh, I'm so lonely… ?? #nofilter #arraialdocabo

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O barco deixou a gente no Pier 3, que fica a um quarteirão da entrada da Praia do Forno, onde tudo começou. Seguindo a indicação do marujo do nosso barco, fomos pela Praia dos Anjos caminhar um bocadinho. A intenção era chegar na Praia Grande, onde nos foi prometido um por do sol tão lindo que deixaria o Arpoador no chinelo. É possível pegar um táxi ou uber da Praia dos Anjos até lá, segundo eles, por cerca de R$15,00 (o que daria uns 7 golpes em dinheiro de uber), mas a caminhada de pouco mais de 20 minutos não é complicada. Com o sol apressado para se por, seguimos as instruções que nos foram dadas pelo caminho e chegamos bem a tempo de ver o sol se pondo belo, redondo e alaranjado da ponta da Praia Grande, cansadas, mas satisfeitas e contentes.

Se o por do sol é tão lindo quanto o do Arpoador eu não tenho como opinar pois sou TÃO SORTUDA que todas as vezes que fui lá estava nublado, mas que é bem bonito por si só isso é.

Conforme escurecia, sentamos para comer um churros (R$5,00) e nos preparar psicologicamente para o ônibus que iríamos ter que pegar em breve, e na caminhada que teríamos que fazer para chegar no ponto. Quando penso aqui comigo, não consigo decidir se gostei mais de Búzios ou de Arraial, e nas minhas contas os dois lugares pesam igual na balança. O que sei é que vou lembrar com carinho dessa tarde, dos 25 de menina Priscila e dos risos histéricos quando nos demos conta de que iríamos nos molhar muito.

Foi uma tarde e tanto. Ô se foi.

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2 Comments

  • Reply
    thanny
    30/07/2018 at 6:05 pm

    Caramba, que vista linda! Vale a pena sofrer para ter essa recompensa.
    Essa história de não se molhar não existe, a pessoa sempre acaba se molhando hahaha mas realmente foi uma aventura :’)

    • Reply
      Byzinha
      31/07/2018 at 12:56 pm

      Pois é, fomos ingênuas! kkkkk
      Arraial é um passeio que eu definitivamente quero fazer mais vezes. Búzios também! Essa região dos lagos é sucesso *-*

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