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TopTop: Os 100 Melhores Filmes do Século XXI eleitos pela BBC

Os filmes de hoje em dia não prestam“, “Não fazem mais filmes como antigamente“, “Hollywood está fazendo mais adaptações do que lançando filmes originais“, você já disse ou ouviu alguém dizer essas frases? Eu mesma já, mas não descarto que ainda existam bons filmes na atualidade.

Os 100 Melhores Filmes do Século XXI - Who's Thanny

Ontem a BBC divulgou um listão com os 100 Melhores Filmes do Século XXI, para ver se os críticos espalhados pelo mundo inteiro poderiam dar uma luz para quem não consegue gostar dos últimos lançamentos do cinema, com filmes a partir do ano 2000, e mostrar nossos clássicos recentes, que o cinema não está morrendo, apenas evoluindo.

Vou separar alguns poucos filmes que já assisti e que indico veemente que todos assistam, mas se você quiser ver a lista completa, basta clicar aqui para acessar o site da BBC.

A.I. – Inteligência Artificial (2001)

Os 100 Melhores Filmes do Século XXI - A.I. – Inteligência Artificial (2001)
Sou fã de carteirinha dos filmes de Steven Spielberg e Inteligência Artificial está entre meus filmes preferidos do diretor, com direito a robôs, fugas, brigas, alienígenas e criança fofa, feito a partir de um projeto de Stanley Kubrick. Quando assisti pela primeira vez, aos 11 anos de idade, eu fiquei bastante impressionada, além de ter caído no choro. O filme é bastante bonito, esteticamente falando, e carrega uma forte mensagem sobre amor e amizade. É aquela coisa meio depressiva e otimista.

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain (2001)

Os 100 Melhores Filmes do Século XXI - O Fabuloso Destino de Amélie Poulain
Amélie é aquele filme francês que fala que a vida não está fácil para os sonhadores, que muitos conhecem, mas ainda não assistiram. Cada cena parece poesia diante a inocência da protagonista e da fotografia. Você se identifica aqui e ali, e no fim tem vontade de abraçar o filme.

O Labirinto do Fauno (2006)

Os 100 Melhores Filmes do Século XXI - O Labirinto do Fauno (2006)
Este foi o primeiro filme de Guillermo del Toro que eu assisti e, apesar dele ser conhecido por suas contribuições em filmes de terror, neste encontramos um drama com suspense e aquele toque de fantasia sinistra. Em um acampamento militar, com sua mãe grávida, Ophelia começa a ver criaturas de outro mundo e acredita ser uma princesa, mas para retornar para seu verdadeiro lar terá que realizar três tarefas para o fauno.

A Vida dos Outros (2006)

Os 100 Melhores Filmes do Século XXI - A Vida dos Outros
Para quem gosta de história, este filme conta um pouco da tensão do regime totalitário na Alemanha Oriental em que através de escutas Gerd Wiesler (Ulrich Mühe) acaba se envolvendo com o casal que está espiando, tendo a difícil tarefa de entregá-los ou acobertá-los.

Onde os Fracos Não Têm Vez (2007)

Os 100 Melhores Filmes do Século XXI - Onde os Fracos Não Têm Vez
Assisti esse filme dos irmãos Coen em sala de aula pensando “não faz meu gênero” e simplesmente amei! Tudo porque Anton Chigurh (Javier Bardem), com esse cabelinho nada intimidador é um assassino psicótico enviado para matar a pessoa que roubou uma valise de dinheiro de um grupo de traficante. Uma das cenas mais clássicas é a da moeda, que mostra como o personagem é frio e brinca com a morte.

Zodíaco (2007)

Os 100 Melhores Filmes do Século XXI - Zodíaco
Um dos melhores filmes de mistério policial que existe, sem mais.

Deixa Ela Entrar (2008)

Os 100 Melhores Filmes do Século XXI - Deixa Ela Entrar
Um filme de vampiro que é puxado para o drama e a amizade de duas crianças. Assisti várias e várias vezes, surtei com a adaptação americana, mas a versão sueca é quem reside em meu coração.

Moonrise Kingdom (2012)

Os 100 Melhores Filmes do Século XXI - Moonrise Kingdom
Meu primeiro contato com Wes Anderson não poderia ter sido mais certeiro: uma garota que adora livros e aventuras decide fugir de casa com um escoteiro. Leia a resenha aqui.

Ela (2013)

Os 100 Melhores Filmes do Século XXI - Ela
Se você já assistiu a série Black Mirror, não pode ficar sem assistir Ela. É um filme que faz você refletir sobre as interações que tem no dia a dia, será que se vivesse no futuro você se apaixonaria pela voz de um sistema operacional? Leia a resenha aqui.

 

A lista dos 100 Melhores Filmes do Século XXI possui filmes bem populares pelo público, inclusive com animações. Muitos deles foram indicados ao Oscar e tem até cinema nacional no meio. Vale muito a pena dedicar um tempinho para assistir o que ainda não viu.

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Golem e o Gênio – Uma fábula eterna, Helene Wecker

Golem e o Gênio é uma narrativa histórico fantástica e é ambientada na Nova York do final do século XIX. Um livro, apesar de fácil leitura, possui uma densidade descritiva tanto na apresentação dos personagens que compõem a fábula como no próprio background sociohistórico que sustenta a trama. Um livro de muitas camadas e várias qualidades. Vamos entender um pouco o porquê de ser uma leitura tão prazerosa.

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O trunfo de Helene Wecker, que pode ser considerado realmente O TRUNFO, foi conseguir ambientar uma história que envolve elementos religiosos e folclóricos de duas culturas bastante distintas, judaísmo e islamismo, elencando pontos em comum e traçando uma espécie de convergência entre esses dois universos bem distantes. A autora conseguiu de maneira muito eficaz aliar esses elementos dentro de um universo que rejeitava de todas as formas esse tipo de simbolismo social. Nós temos uma trama construída em cima de referência à Kabbalah judaíca e no imaginário religioso pré-islã dos muçulmanos, isto é, religiões que existem desde anteriormente ao cristianismo ocidental. Ou seja, duas culturas riquíssimas em misticismo. É na congruência entre esses universos diferentes que as aventuras de Ahmad (gênio) e Chava (golem) se desenvolvem.

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Estamos falando de uma Nova York que vive o ápice de seu período de industrialização e todas as mudanças acarretadas por esse novo estilo de vida.  O desenvolvimento da grande metrópole, a indiferença entre as pessoas que ali vivem, o desenvolvimento dos guetos, a imigração e os movimentos sociais. Essas consequências do desenvolvimento técnico estão lá muito bem descritas, apesar de, como reconhece a autora, algumas falhas, fazendo com que a estória em alguns momentos ganhe um ar pesado e trágico. O que corrobora muito com os tipos de situações que são descritas.

Não existe lugar para a magia em um mundo dominado por uma racionalidade excessivamente técnica. As figuras da Golem e do Djim muito mais do que deslocadas espacialmente, pois são figuras imigrantes de outras culturas, não mais conseguem se enxergar como partes do mundo novo que se apresenta aos mesmos.  Essa tensão entre mundo mágico e concreto envolve boa parte da trama e soa como uma espécie de questionamento da autora sobre a possibilidade de se pensar a fantasia ou universos mágicos em um mundo que rejeitou totalmente esse tipo de racionalização, acusando-a de banalidade. Como se ter esperança em um mundo totalmente desencantado?

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Outro ponto bastante interessante na figura dos protagonistas é que eles servem como figuras de alteridade. Por não pertencerem àquele mundo que agora tornou-se o deles, os personagens questionam valores, alguns objetivos de certas obrigações sociais e a própria ideia de felicidade. Esses trechos durante a leitura são dotados de características bastante intimistas, envolvendo o leitor nas discussões os fazendo questionar certas coisas. Mas acredito que a ideia central é a discussão sobre felicidade, amor e livre arbítrio, nesse sentido o livro faz jus ao subtítulo de uma fábula, pois possui um sentido muito explícito além do puro e simples entretenimento. É fácil criar laços de empatia com os personagens, pois eles soam mais humanos que as próprias pessoas que estão lá interagindo na estória.

E finalizo afirmando que “Golem e o Gênio” foi uma das melhores narrativas fantásticas contemporâneas que li nos últimos tempos. Arrisco até dizer que passou um pouco despercebido devido ao vários lançamentos consecutivos feitos pela Darkside. O livro possui mais de 500 páginas e capa dura envernizada, para aqueles que presam por esse tipo de elemento em livros. Espero que o próximo livro da Helene Wecker (Golem e o Gênio foi o primeiro livro lançado por ela!) seja lançado logo e que o mesmo seja lançado pelos lados daqui, pela Darkside também.

informações


Cortesia da editora para resenha.
Título: Golem e o Gênio – uma fábula eterna
Autor: Helene Wecker
Tradução: Cláudia Guimarães
Número de Páginas: 522
Edição: 2015
ISBN: 978-85-66636-48-2
Editora: Darkside Books
Preço: R$39,90
Classificação: ★★★★½

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Persépolis, Marjane Satrapi

Nunca me aventurei na área de graphic novels sem serem aquelas passadas no mundo dos heróis, como as histórias de Alan Moore ou a série Sandman, porém comecei ter um apreço maior por elas tanto por indicações de amigos ou vendo resenhas alheias na interwebs. Vi que, do contrário do que muitos pensam, há um número enorme de quadrinhos que não abordam a temática citada anteriormente, e decidi me aventurar neste mundo diverso, inexplorado e julgado preconceituosamente por ser coisa de criança.

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A resenha que vos trago hoje é sobre a graphic novel Persépolis, escrita e protagonizada por Marjane Satrapi, cujo o seu nome real é Marjane Ebihamis. O quadrinho conta a sua história da infância até a vida adulta, num controverso e polêmico mundo do islã, no país do Irã.

Já no início da obra é notada a inocência da personagem, característica da maioria dos infantes, vivendo num mundo bastante religioso e politizado. Marjane acreditava que era o novo Messias e que se comunicava abertamente com Deus constantemente. Sua família era considerada bem moderna e pouco conservadora, mesmo nos padrões antes da revolução islâmica no país em que vivia. Logo no começo de sua vida se viu obrigada a usar o véu, a ser censurada no que falava e não poderia mais dividir a sala de aula nem a escola com amigos do sexo masculino.

A autora não só demonstra sua vida pessoal como também o passado e o presente do seu país. Apesar de todas as pressões políticas, sociais, principalmente machistas impostas pela religião, e as incontáveis guerras. é claramente visto que ela amava sua terra e só sairia de lá por motivos de força maior. É visto que sua família era contra os preceitos do seu país, tanto seu avô quanto seu tio foram mortos por lutarem pela revolução do Irã. Assim como muitos e muitos outros.

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Como o quadrinho retrata a vida de Marjane, vemos um ritmo normal característico da vida mesmo, quando criança houve a revolução no país e tudo para ela era muito novo. Quando adolescente ela sentiu um impacto maior, por seus pais serem bem liberais, sua educação foi nada conservadora, do contrário dos costumes da sociedade em que ela vivia. Sendo assim, seus gostos e atos de rebeldia quase lhe custaram a vida diversas vezes e assim, teve que ser transferida para a Europa.

Lá ela passou por diversos problemas, por ela ser uma outsider ninguém a aceitava, julgavam de maneira preconceituosa, e mesmo os que “gostavam” dela só estavam com ela por ser rebelde e ter presenciado a morte. Como alguns jovens, Marjane teve problemas com sexualidade, drogas e auto aceitação. Só quando ela voltou para o seu país, na casa dos 20, é que ela começou a amadurecer, e acabou por tomar um rumo na vida, por assim dizer.

O traço da obra é bem singular, tudo preto e branco, o que é bem característico da sua própria cultura, em que não existe meio termos, nem tons de cinza. Além disso, vemos desenhos bem crus, pouco detalhados, que foi a melhor forma de representar a vida dura que ela levou.

Persepólis é uma obra além de emocionante, é extremamente informativa, já que nós ocidentais não conseguimos enxergar o dia a dia de pessoas que vivem em países islâmicos. Além do mais, vemos o porquê disso com fatos históricos bem colocados e embasados, de certa forma tomamos do nosso próprio veneno. É uma história que gera reflexão, principalmente por parte das mulheres, que até nos dias de hoje sofrem com o machismo e opressão.

informações

Cortesia da editora para resenha.
Título: Persépolis (Completo)
Autor: Marjane Satrapi
Tradução: Paulo Werneck
Número de Páginas: 352
Edição: 2007
ISBN: 9788535911626
Editora: Quadrinhos na Cia
Preço: R$49,90
Classificação: ★★★★☆