coluna category image

TopTop: Abertura de Séries #2

Qual é sua abertura de série preferida? Em 2012 (leia aqui) nós selecionamos algumas das nossas favoritas, mas depois de tantos anos, a lista se renovou com a estreia de tantas séries boas, apesar de que nem sempre uma série boa tem uma abertura decente, né? Confira!

ABERTURAS DE SÉRIES

PENNY DREADFUL

A abertura de Penny tem aquele gostinho do terror que se encontra na série, com uma sequência de imagens diferenciadas e um instrumental muito lindinho que nem te deixa suspeitar que a série vai acabar com a sua vida (QUE). E ainda tem o rostinho da Eva Green pra deixar ainda mais bonito, como se a fotografia já não fosse de encher os olhos:

BLACK SAILS

AESTHETIC. A opening de Black Sails foi o que me fez continuar assistindo a série inicialmente, vou confessar. Eu sou apaixonada por todos os elementos dela principalmente a música porque ugh. A série de piratas trata do tema em toda sua extensão tão bem feitinha que dá vontade de sair viajando pelo mar cantarolando:

OUTLANDER

A OPENING DE OUTLANDER É MUITO LINDA. É mágica e te faz viajar junto, principalmente se você fechar os olhinhos, mas ai perderia uma sequência de imagens de belíssima fotografia que compõe a abertura. Aesthetic também? Sim.

VIKINGS

Honestamente, não tinha como dar errado uma abertura que conta com Fever Ray na soundtrack. If I Had A Heart aqui delineia perfeitamente a série, com sua história nórdica dos guerreiros vikings e a história de Ragnar Lothbrok. Fever Ray, história e um sequenciamento de imagens lindas. Como não gostar, não é mesmo.

MARCO POLO

A arte oriental presente na abertura de Marco Polo deixa a série bem mais bonita, honestamente. Feita de pinturas e de música orientais é quase como que uma viagem nas paisagens e analogias e imagens reais presentes nos episódios da série.

ARQUIVO X

Arquivo X é uma das maiores séries de todos os tempos e isso ninguém pode negar. Navegando no imaginário das pessoas com as teorias de vida extra-terrestre e a participação ativa destes na nossa Terra, Arquivo X é icônico  também graças a sua abertura. Vai me dizer que você nunca ouviu esse alien theme em algum lugar ou já viu referências sobre? O toquezinho presente aqui é talvez até mais famoso que os tropes da série como “I want to believe” (Eu quero acreditar) e “The Truth is out there” (A verdade está lá fora):

NARCOS

Ah vamos lá, uma serie sobre um narcotraficante com Wagner Moura, com aquele toque histórico porque é baseado em fatos reais e uma música latina que dá pra dançar coladinha? Sucesso né minha gente. E ainda tem esse climinha de “mistério” e seriedade com as imagens de Pablo Escobar e apreensões da polícia. E AINDA DÁ PRA DANÇAR.

CSI

Quem nunca investigou alguma situação e cantarolou “who who who who”, não é mesmo? A culpa vem de CSI e da música Who Are You? da banda The Who presente na abertura da série policial que permaneceu no ar por 15 anos.

TRUE DETECTIVE

A arte das aberturas de True Detective é uma coisa que !!!!. O uso de sobreposição de imagens dos personagens com as paisagens e elementos encontrados na série são tão bonitos que vão te fazer querer voltar pra assistir mais de uma vez, além de retratar o clima da série. Existem aberturas diferentes para cada temporada, mesmo que o efeito de sobreposição permaneça em ambas, são completamente diferentes. Aqui está a abertura da segunda temporada (porque eu gosto um pouquinho mais dessa bj tchau):

coluna category image

O que é escrita criativa?

escrita criativa

Fiquei pensando por muito tempo em uma definição para a escrita criativa, mas então, em uma das minhas viagens sem fim pela internet, trombei com uma bastante esclarecedora:

“A escrita criativa é a arte delicada de inventar coisas da forma mais atraente, apta e convincente possível. É contar mentiras a fim de revelar verdades sombrias e iluminadoras sobre o mundo e o nosso lugar nele[1]”.

E, para falar a verdade, é bem isso. Ao escrever ficção nós estamos inventando mentiras que tentamos desesperadamente fazer soar como verdade; mentiras que, de alguma forma, refletem, modificam, distorcem, melhoram ou pioram o mundo em que cada um de nós vive.

Algumas pessoas nascem com mundos imaginários que borbulham em seus cérebros, e de repente uma montanha não é só uma montanha: é um caminho para outro mundo. Essas pessoas possuem amigos imaginários que sussurram em seus ouvidos, pedindo para serem testados, moldados, explorados. Essas são aquelas pessoas que bisbilhotam conversas no ônibus com uma caneta na mão, que podem passar horas olhando uma pintura, vendo ali uma história inteira se desenrolar, invisível aos olhos dos outros. Elas caminham sem prestar atenção por onde andam, com os pensamentos em outros mundos, outros universos que só existem em suas próprias cabeças. Elas se esquecem que estavam conversando com alguém, ou que deveriam estar prestando atenção na aula. São aquelas pessoas que rabiscam os cantos dos cadernos, os guardanapos, enchendo-os de nomes, pessoas e lugares imaginários. São pessoas que, se não fossem escritoras, seriam provavelmente loucas.

Ou talvez ser escritor requeira, no fim, um pouco de loucura. É como viver em duas realidades ao mesmo tempo, ser criatura e criador, tentando balancear aquilo que você pode controlar com o que não pode. E, muitas vezes, traduzir para palavras aquilo que você vive e imagina tão intensamente pode ser muito mais difícil do que à princípio parecia.

Algumas pessoas argumentam que não é possível aprender escrita criativa; que traduzir em palavras um mundo que se esconde na mente de uma pessoa é algum tipo de dom mágico reservado a alguns seres privilegiadas. Mas não é bem assim.

Todo mundo tem uma história para contar, a diferença é que alguns sabem como fazer isso de forma mais intuitiva que os outros. Algumas pessoas têm mais facilidade, assim como certas pessoas conseguem aprender línguas com mais rapidez que outras. Mas com um pouco de estudo e esforço, qualquer um pode fazer o que bem entender.

Essa é a mágica da escrita criativa: estruturar uma história é algo que todo mundo sabe como fazer por instinto. Seres humanos dividem experiências, contam sobre seus dias. A única diferença é que o escritor sabe como fazer isso da forma mais sedutora possível: ele te agarra e não te deixa sair. E essa sedução, essa manipulação, pode sim ser aprendida, melhorada, aprimorada.

E se você é uma dessas pessoas com mentes incansáveis, que cria, imagina, bisbilhota e tem algum tipo de dificuldade em se concentrar completamente no mundo real, bem-vinda ao time. Escritores podem ser criaturas bastante estranhas e ninguém sabe disso melhor do que você.

Se você escreve e quer aprender mais sobre essa delicada arte de fazer mentiras parecerem verdades, ou se ainda não escreve, mas sempre teve vontade de tentar, por que não? Aqui nesta coluna vamos explorar os aspectos da escrita criativa, concepção e criação de mundos, cenários, até a definição do arco dos personagens, passando pelos discursos, vozes, o que fazer ou o que não fazer.

É importante lembrar que a escrita criativa não dita regras, mas mostra caminhos que podem ser seguidos. Alguém disse uma vez que para subverter a regra é preciso conhecer a regra, e é isso que vamos fazer aqui. Você pode inventar o que quiser, como quiser, mas é importante conhecer os conceitos porque só assim você vai saber o que quer ou não seguir.

Para ser escritor é preciso ser meio louco. E, se você é meio louco, vai adorar explorar o hospício da escrita criativa comigo.

giphy

———

[1] http://www.literaturewales.org/creative-writing/i/134602/

literatura category image

Caixa de Pássaros, Josh Malerman

Em Caixa de Pássaros de Josh Malerman, somos inseridos em um mundo distópico em que a sociedade a qual conhecemos já não mais existe. Malorie, nossa protagonista, juntamente com seus dois filhos, Garoto e Menina, tentam de todas as formas sobreviver em um mundo onde poucos tem o mesmo destino.

Foto_Caixa-de-passaros1

O mundo é invadido por “criaturas” que ao serem vistas levam as pessoas a cometerem atos de loucura extrema chegando a praticar homicídios e até suicídios. Malorie vive o momento entre a transição de um mundo a outro peculiarmente perigoso. O livro basicamente é uma narrativa sobre a “diáspora” de Malorie e seus filhos em busca de um lugar que ainda possa passar a sensação de segurança e estabilidade. Sobre uma mãe que está em constante processo de auto avaliação sobre a relação entre ela e seus filhos, como também sobre a relação entre um “mundo novo” e códigos morais que já não mais se encaixam em alguns processos sociais. É sobre esperança, em algum sentido fé e tristeza.

Estruturalmente a trama se desenvolve a partir de 3 linhas narrativas: presente, passado e algo que poderia ser classificado como um “durante”. A estória centra-se pura e simplesmente na questão da sobrevivência. Chega até ser um motivo clichê (o mundo está acabando e as pessoas tornam-se amorais e utilitaristas), mas Malerman consegue construir uma trama coesa, com elementos que soam muitas vezes enquanto grandes metáforas.

Se pararmos para pensar que as pessoas negam a visão enquanto um sentido positivo e passam a viver em um mundo de escuridão, seja com os olhos vendados ou com as janelas cobertas, enquanto as criaturas, que por motivos óbvios não podem ser descritas (quem as vê… morre!), soam muitas vezes como a onipresença de um mal que não pode ser substancializado, visto que não há uma forma específica para essas criaturas. A luz aqui acaba tomando um sentindo negativo, onde não mais é associada diretamente com o bem. E imaginem só viver em um mundo pleno de escuridão, onde as pessoas agem das formas mais extremas para sobreviver, onde instintos e valores morais não mais se distinguem, mas se misturam em um nível de paranoia e morte eminente. Esses elementos são quase que recorrentes em todo o desenvolvimento da obra.

bird box

Outro ponto bastante interessante em Caixa de Pássaros, que para muitos foi um ponto negativo, é que Josh Malerman não se preocupa em dar grandes explicações sobre a gênese dessas criaturas, como também escolhe um desfecho que para além de respostas, deixa uma série de pontas soltas possibilitando assim algumas divagações por parte do leitor à cerca dos possíveis desfechos da trama. O que fica evidente é que para o autor os contrastes emocionais e morais, vividos tanto por Malorie quanto por outros personagens que vão surgindo no desenrolar do enredo são os elementos de grande relevância para o entendimento da proposta de Caixa de Pássaros. Eles são postos em primeiríssimo plano, às vezes de forma bastante enfática e repetitiva. Aliando isso a uma narrativa simples e dinâmica, temos uma boa obra. São 272 páginas que fluem com bastante facilidade. Eu o classificaria enquanto um bom thriller com alguns elementos de horror. Caso haja a curiosidade de se saber o que anda sendo produzido no gênero, Caixa de Pássaros é um ótimo passatempo.

informações

Cortesia da editora para resenha.
Título: Caixa de Pássaros
Autor: Josh Malerman
Tradução: Carolina Selvatici
Número de Páginas: 272
Edição: 2016
ISBN: 978- 85- 8057-652- 8
Editora: Intríseca
Preço: R$ 29,90 (Compre com desconto aqui)
Classificação: ★★★½☆