A arte de Pedir, Amanda Palmer

Há bastante tempo, eu tinha me deparado com isso aqui:

Isso mesmo, uma paródia de Friday da Rebecca Black, mais alguém aí lembra? E, só um parênteses: será que as respostas da galera pra, por exemplo, uma música, são SÓ sobre a própria música? Ou será que as respostas pra ela – e pra mais artistas também, homens inclusive – não são contaminadas por preconceitos?

Minha reação com a paródia foi mais ou menos a seguinte: se ela conseguiu pegar uma música tão odiada e fazer uma versão tão bacana e interessante, o que mais essa mulher faz? Resposta: muita coisa. Amanda Palmer é uma artista incrivelmente genial, e cada pedaço de música, poesia, vídeo ou qualquer outra coisa que ela faça é minuciosamente planejado, significativo e no geral muitíssimo bem feito. Nesse livro, ela conta um pouco sobre a carreira dela – ênfase no projeto mais que bem sucedido de financiamento coletivo/”crowdfunding”, pelo Kickstarter – e sobre a vida pessoal e, bem, de tudo.

O livro todo é sobre estar disposto a pedir e aceitar ajuda, e sobre como proceder para que, quando você for fazer algum pedido, a outra pessoa ou grupo de pessoas pra quem você vai pedir algo esteja aberto a te ouvir. Diferente de mim, que desconfio das intenções até da minha própria sombra, a confiança que ela tem nos outros, confiança de que pode contar com ajuda quando precisa, é de explodir a cabeça.

Logo no começo ela conta sobre um dos primeiros trabalhos dela enquanto artista: estátua viva. A personagem dela era uma noiva:

Ela compartilha muito do que ela aprendeu nessa atividade, e só lendo mesmo pra compreender o quanto ela valoriza tudo o que ela vivenciou nas apresentações. Dá pra ter uma noção desse conteúdo pela palestra dela numa conferência chamada TED – sigla pra “Technology, Entertainment, Design”. Tem muita apresentação com conteúdo ótimo em português ou com legenda, confiram mesmo. Esse é o vídeo dela:

Praticamente tudo o que ela diz na palestra está colocado da mesmíssima forma no livro, basicamente palavra por palavra, e detalhado mais um pouco. Uma das coisas que a Amanda ressalta bastante é a importância do esforço pra manter um bom relacionamento com a base de fãs. Algo que se destacou bastante pra mim foram as partes sobre as pessoas verem, enxergarem, umas às outras.

O modo como ela rebate certas críticas ao uso de financiamento coletivo é fantástico. Uma das coisas que ela destaca é: as pessoas que financiam não “doam” nada, na verdade pagam antecipadamente por um produto que você vai desenvolver. Amanda é uma artista, e ainda consegue enxergar que arte é um ramo de negócios sem que “misturar” financiamento e criação vire um problema. Tanto que as implicações da relação entre essas duas coisas fazem parte dos principais motivos pelos quais ela se mantém sem contrato com uma gravadora.

Sobre a vida pessoal, gostei bastante de ler o que ela conta do relacionamento dela com o Neil Gaiman – desde quando se conheceram, até um pouco sobre como é o casamento deles, que não é lá muito convencional não conforme ela conta.

Já que aqui no site a gente comenta sempre que pode sobre questões ligadas a feminismo, tem um relato dela que eu vou citar aqui, que tem a ver com assuntos especialmente importantes para mulheres: Amanda conta no livro sobre ter abortado uma gravidez dela. A situação tinha sido a seguinte, de acordo com o que tá no livro: ela tinha ficado grávida, e, sem saber disso ainda, tomou uma medicação que gestantes não devem tomar porque causa problemas para a formação do bebê – o livro tem mais detalhes sobre o que aconteceu. Quando descobriu a gravidez, ao saber que a criança teria limitações graves, abortou – não sem sofrimento, óbvio. Tem muito argumento que poderia ser usado “contra” a decisão dela, e também existem argumentos “a favor”; a questão é bem complexa. E, ainda no departamento “bebês”, ela teve uma criança recentemente.

E eu quase ia esquecendo de comentar outra coisa que chama bastante a atenção no trabalho dela: o jeito como a Amanda lida com aquela galera que chamamos de “stalkers”, o pessoal que vive atrás de informações particulares as mais diversas possíveis (quase que) só por perseguição mesmo, de um jeito invasivo que chega a ser uma forma de violência doentia. A atitude dela? Não se esconder. Alguém quer saber onde ela tá? Simples, ela mesma conta praticamente sempre nas redes sociais que ela usa. Fotos do tipo que viram manchete quando vazam? Não tem problema, se for o caso ela mesma publica. Ela não faz segredo sobre muita coisa da vida pessoal, o que diminui bastante os problemas.

Ela escreve bastante sobre pessoas que foram importantes pra ela, especialmente um amigo chamado Anthony, que a apoiou e orientou durante toda a trajetória dela. O modo como ela fala sobre ele e conta coisas que ele ensinou a ela é bastante impressionante. A lista de agradecimentos ao final do livro é a maior que eu já vi em qualquer publicação.

“A arte de pedir” foi um dos livros que mais me desafiou dos que li este ano – achei surpreendente muita coisa da personalidade da Amanda, e foi um contato com uma visão de mundo que eu achava praticamente impossível.

informações

Título: A Arte de Pedir – Ou como aprendi a parar de me preocupar e deixar que os outros me ajudem
Autor: Amanda Palmer
Tradução: Denise Bottmann
Número de Páginas: 304
Edição: 1ª, 2015
ISBN: 978-85-8057-689-4
Editora: Intrínseca
Preço: R$34,90
Classificação: ★★★★★

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TopTop: Filmes animados da DC

Filmes de super heróis se tornaram grande parte da cultura pop, ninguém pode negar. Dá uma alegria imensa ver aqueles indivíduos poderosos tendo tratamento especial e nos agraciando com suas ilustres presenças no cinema e, é claro, em nossos corações. Mas com tanto herói invadindo as telonas, é até fácil esquecer que, antes de Ben Affleck e Henry Cavill, o universo animado da DC existia.

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Contando histórias avulsas e/ou contínuas, as animações da DC Comics tem muita coisa boa, adaptando as aventuras originais lindamente e seguindo rumos que não dariam muito certo nos longas. Então cá está esse humilde TopTop para indicar alguns desses filmes que merecem sua atenção.

Só como um aviso, cá constam produções de 2012 pra cima, e ainda assim pode estar faltando alguns, visto que ainda estou no meio da maratona e tem bastante coisa pra assistir. E antes de começar, já vou deixar uma menção honrosa para Trono de Atlântida porque a) é uma história bacana para conhecer o Aquaman sem querer zoar a simples existência do coitado e b) porque é legalzinho, só não o suficiente pra entrar na lista. Mas pode assistir, Aquaman não é inútil gente!!!!!!

ENTRETANTO, vamos enfrentar os que merecem estar neste post, então pega a pipoca, prepara o fangirl/boyismo e VEM COMIGO!

Batman: O Cavaleiro das Trevas, Partes 1&2 (Batman: The Dark Knight Returns, Parts 1&2, 2012)

tdkrEu sei, eu sei, já comecei trapaceando colocando o que, TECNICAMENTE, são dois filmes. Mas é o mesmo arco, é considerado um dos melhores do Homem Morcego e uma das melhores adaptações dos quadrinhos. Com vozes de Peter Weller (ROBOCOP É BÁTIMA, GENTE) e Michael Emerson e dirigido por Jay Oliva (que, spoiler, vai dar as caras bastante por aqui), cada parte tem 76 minutos de pura glória. A trama começa 10 anos depois que Batman aposentou sua capa, e Gotham sofre com a extrema criminalidade; uma série de eventos obriga Bruce Wayne voltar às ruas para chutar bundas e trazer ordem. Todavia, nem o Cavaleiro das Trevas pode ignorar os efeitos da idade, e a narrativa se foca em um lado sombrio do psicológico do herói. É pesado, até, e incrível de assistir tudo o que se desenrola pelo simples fato de Bruce não conseguir mais ver sua cidade morrer daquela forma. Porque daí a parte 2 acontece e, sem spoilers, temos uma maior visão sobre as consequências do retorno do Batman e pessoas que não gostam nem um pouco de suas ações. O Cavaleiro das Trevas pt. 2 é basicamente o que Batman vs Superman deveria ter sido. E dá raiva de C E R T O S aliens que usam cueca por cima da roupa. E dá raiva da vida e vontade de matar muito personagem ali. Com pequenas aparições de pessoas importantes para o morcegão e incrível foco no que se passa por trás da máscara, Dark Knight Returns pode ser considerado uma das melhores animações/adaptações/filme/Superman levando porrada/coisas por aí. ASSISTAM. A lista não está em ordem de preferência, mas esse é o melhor de todos então shhhhhhhh.

Liga da Justiça: Ponto de Ignição (Justice League: The Flashpoint Paradox, 2013)

tfpAinda no lado das histórias que vão te fazer sentir mal e vazio por dentro temos The Flashpoint Paradox, que, dessa vez, é mais focado no (CHOQUE) Flash. Também dirigido por Jay Oliva, e com vozes de Kevin Conroy, Justin Chambers, Michael B. Jordan, Ron Perlman e Nathan Fillion (!!!!!), o filme de 81 minutos de desgraça tem uma história simples: Flash precisa derrotar seus arqui-inimigos e os planos de destruir Central City; a Liga da Justiça chega pra dar uma mãozinha, Nathan Fillion de Lanterna Verde é uma benção e yay, o dia está salvo. Até que Barry Allen acorda no dia seguinte e descobre que o mundo está todo errado: ele não tem poderes, sua mãe está viva, a Liga não existe e dois poderosos heróis estão em guerra. Pois é, não é uma realidade muito boa. As diferenças nas histórias que já conhecemos e nos personagens que aprendemos a amar chegam a dar medo, visto que quase todo mundo é um pedaço de lixo e só tem desgraça nesse negócio. Só. Desgraça. Te faz querer que o sofrimento acabe logo, e também te faz querer explorar as possibilidades apresentadas naquela narrativa. É um dos filmes mais interessantes e instigantes que já vi, e tem altas violências por parte de gente que você nunca imaginou cometendo tais atos. Assisti só por assistir, mas os conflitos e reviravoltas me agradaram tanto que cá estou indicando esse negócio. Selo Sam de Qualidade.

Liga da Justiça: Guerra (Justice League: War, 2014)

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Servindo como a história de origem para o atual universo da Liga, War basicamente mostra os heróis saindo de seus cantinhos e se juntando para salvar o mundo de um dos vilões mais famosos da DC. E é um filme competente ao colocar Superman, Batman, Lanterna Verde, Mulher Maravilha, Flash, Ciborgue e Shazam no mesmo ambiente, lutando contra o mesmo mal de uma forma que dá espaço suficiente para cada um deles e seus ~problemas~ (claro que poderia ter um pouco mais de informações sobre alguns, mas até que conseguiram de virar bem com a pletora de personagens que compõem a história). A ação é ótima, ver os heróis juntando forças chega a aquecer o coração e vê-los interagindo é um dos pontos altos do filme. Não tem como não amar a sororidade de Diana, a babaquice de Hal, a Batmanzice de Bruce e o carisma de Barry. As personalidades daqueles indivíduos ficam claras e os atores fizeram muito bem com suas vozes. LJ: Guerra tem seus aspectos ruins, mas ainda assim faz aquela criança dentro de você feliz, e seu rosto adulto sorri porque é tudo muito legal, cheio de twists e altas emoções.

Batman vs. Robin (Batman vs. Robin, 2015)

bvrrFiquei tentada em colocar O Filho do Batman no lugar deste, já que Bruce Wayne sendo papai é uma das minhas coisas preferidas no mundo. Entretanto, recomendarei a história que coloca pai e filho contra o outro numa trama extremamente interessante e cheia de reviravoltas. Com a constante desconfiança de Batman com as ações de Robin, o filme de Jay Oliva (avisei que ele ia aparecer bastante) coloca a Corte das Corujas no meio da ação, causando conflito atrás de conflito, te dando vontade de descer o cacete em Damian e muita peninha do Bátima, porque a paternidade só ferra com o coitado. Dá também vontade de dar uns beijos em Dick Grayson e seu Asa Noturna, presença sempre linda e cheirosa, marcante e chutadora de bundas. Ainda recomendaria Filho do Batman por ser o começo da história dessa família disfuncional, mas Batman vs. Robin tem tudo o que um filme digno do morcego precisa: uma trama boa, tretas intermináveis, ação de tirar o fôlego e muitos dilemas.

 

A Liga da Justiça e os Jovens Titãs (Justice League vs. Teen Titans, 2016)

jlvsttAssisti isso por pura nostalgia e saudade dos Jovens Titãs, e o negócio me agradou TANTO que resolvi começar essa maratona. O que começa como uma simples batalha contra conhecidos vilões da Liga acaba com uma misteriosa sombra dominando o Superman e AÍ as coisas ficam feias. Robin, que se recusa a crescer e ajudar seu pai, é obrigado a se juntar aos Jovens Titãs. Lá ele conhece Estelar, Ravena, Mutano e Besouro Azul, mas continua sendo um babaca com tudo e todos. Muita coisa precisa acontecer para fazer com que o grupo trabalhe junto, e nada melhor do que um vilão que tem laços com um dos heróis para causar tretas catastróficas envolvendo a Liga e o futuro da humanidade, não é mesmo? Amo histórias de origem e, apesar de já conhecermos os Titans juntos nessa encarnação, observar sua dinâmica com Robin é muito bacana, assim como o crescimento dos personagens e as viradas que a trama dá. E, bem, estava com saudades dos Titãs, e vê-los só me trouxe memórias boas, além de me deixar feliz pela inclusão deles no novo universo animado da DC. Pode não ser o melhor filme dessa lista, mas gostei muito do destaque dado a C E R T O S heróis e a forma que eles mudam ao longo da trama. É entretenimento, sim senhor, portanto assista o catalisador dessa lista!

E aí, você gosta de heróis animados? Já assistiu ou pretende assistir algum desses? Tem algum pra recomendar? Diz aí nos comentários! Animações são amor, minha gente, vamos dar uma chance para essas maravilhas!

Diana gosta de sorvete. Gente como a gente.

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O hype é real, assista Stranger Things

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Confesso que fui surpreendido quando recebi uma notificação da Netflix sobre a disponibilidade da temporada de sua nova série, Stranger Things. Eu andava meio em “off” do mundo por motivos de “vida de adulto é um saco” e ao receber esse aviso, resolvi assistir por minha conta em risco.

Simplesmente fui arrebatado pela trama. Tem RPG, referências a quadrinhos, tem conspirações, tem seres de outras dimensões, tem todo um climinha que mescla melancolia e esperança, tudo isso junto com Winona Ryder e “uma turminha metida em altas aventuras e confusões”. Tudo isso ambientado nos anos 80! É realmente inevitável que haja uma ligação quase que inconsciente entre essa série e aqueles vários filmes que embalaram quem foi criança nos anos 90. “Monster Squad” (1987), “Goonies” (1985), “Stand by Me” (1986), “Close Encouters of the Third Kind” (1977), “ET” (1982) e “The Gate” (1987) tá tudo ali misturado e muito bem executado.

A trilha sonora é um deleite à parte: Smiths, Clash, Devo, Television e algumas breguices synth pop bem características da época, assim como uma abertura muito bem referenciada lembrando as grandes trilhas produzidas por John Carpenter. Uma fotografia que intercala muito bem entre sombras e luz pra intensificar essa atmosfera de thriller sobrenatural e aventura que envolve a trama e txaram: STRANGER THINGS SE TORNA UMA DAS COISAS MAIS LEGAIS PRODUZIDAS PARA TV NOS ÚLTIMOS ANOS!

Você junta a tudo isso um elenco infantil muito entrosado o que faz com que assista consiga rapidamente criar vínculos de empatia com as personagens. Mike Wheeler (Finn Wolfhard), Dustin Henderson (Gaten Matarazzo), Lucas Sinclair (Caleb Mclaughlin), a fantástica da Eleven (Millie Bobby Brown) e o principal motivo da aventura  Will Byers (Noah Schnapp) devolvam meu coração, por favor! Mas não esquecendo também do núcleo adulto muito bem representado pela veterana Winona Ryder, David Rabour e Mathew Modine ( inclusive Modine foi um dos atores principais de “Born to Kill”(1987), aquele filme do Kubrick que tinha Vicent D’Onofrio o Rei do crime da série Daredevil).

Stranger Things

A série estreou dia 15 de julho e possui 8 episódios. A direção ficou sob a responsabilidade, muito bem cumprida, dos Duffers Brothers. Curta, bem amarrada e com gostinho de “quero mais”. O hype é real, assistam Stranger Things!

Observação: Atentem para as paredes, busquem os easter eggs!