Literatura

Um Motim no Tempo (Infinity Ring #1), James Dashner

Crianças se juntam para viajar no tempo e salvar o mundo. Isso não poderia dar errado… Certo?

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Dak Smyth e Sera Froste vivem num mundo decadente. Desastres naturais se tornaram frequentes e eles sabem que os humanos não tem muito tempo de vida na terra. A malvada SQ controla quase tudo e é claro que algo está muito errado. E talvez continuasse assim caso Dak e Sera não tivessem invadido o laboratório dos Smyth e encontrado o Anel do Infinito, dispositivo que lhes dá a oportunidade de viajar no tempo e consertar todas as Fraturas que a SQ criou na História. E é isso que eles vão fazer: voltar no passado para, quem sabe, salvar o futuro.

Primeiramente preciso admitir que não tenho muito contato com infanto-juvenil. Os poucos livros que li destinados a essa faixa de idade foram Harry Potter e Percy Jackson – e gosto bastante de ambos. Então esperava pelo menos me divertir com Um Motim no Tempo. E, bem, foi isso que consegui, diversão sem compromisso. Entretanto, mesmo sendo para um público mais jovem do que eu, não consegui não ver alguns problemas com o livro.

Enquanto a ouvia falar, Dak observava a paisagem do bosque atrás de sua casa. Tantos tons de verde e marrom, tantos animais… Havia partes do mundo em que lugares como aquele tinham desaparecido completamente. Ele conhecia a história bem o suficiente para saber que, aonde a SQ chegava, os problemas chegavam atrás.

James Dashner tem a importante missão de introduzir o leitor ao mundo e aos personagens da série, e o fez de forma competente na maior parte. Somos apresentados aos melhores amigos Dak e Sera e conhecemos a trama que envolve voltar ao passado para consertar Fraturas no tempo. O aspecto histórico é muito interessante, e as descrições te fazem viajar junto com os garotos, tornando vívidas as imagens ali descritas. Entretanto, o ponto forte de Dashner não aparece em outras coisas.

Os protagonistas são jovens gênios com personalidades fortes e, apesar de seu vasto conhecimento, ainda são crianças. Isso se mostra complicado ao longo da narrativa, visto que a identificação com os personagens fica um pouco difícil. Em determinados momentos coisas sérias aconteciam e mal consegui me importar (e olha que sou super empática). Quando o assunto era algo pessoal para Dak, Sera ou Riq, a escrita pareceu insossa. Talvez um cuidado maior do autor com os dramas tornaria o livro melhor. Isso também vale para os vilões, que são caricatos em demasia, sendo do mal porque sim. Aprofundamento nisso também seria benvindo.

Sera fechou os olhos e desfrutou da oportunidade de respirar o ar puro do alto-mar. Já tinha ouvido várias vezes as pessoas falarem sobre o silêncio que procede a tempestade, e enfim era capaz de entender o que isso significava. A qualquer instante, o microcosmo em que ela e seus amigos se encontravam explodiria em violência.

Sem comentar o fato de que dependemos de crianças para salvar o mundo e estamos lascados por isso, preciso dizer que as explicações para a existência dos Guardiões da História e da SQ são tão inacreditáveis que ficam além dos poderes da minha imaginação de tão impossíveis, mesmo para ficção-científica, o que não é bom.

Talvez eu tenha achado muitas coisas ruins em um livro de 200 páginas, pois é, mas Um Motim no Tempo é um livro divertido, ótimo para passar o tempo e/ou tentar convencer alguma criança a ler e/ou se interessar por história. Apesar dos pesares e das extremas conveniências que ajudam os heróis, é bem legalzinho. Adorei conhecer essa versão dos eventos que precederam a descoberta da América e o próximo volume, Dividir e Conquistar (resenha em breve) envolve vikings e é bem mais legal do que o primeiro. Então YAY.

O medo sempre fala mais alto que a verdade.

informações

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Cortesia para resenha.
Título: Um Motim No Tempo
Autor: James Dashner
Tradutor: Alexandre Boide
Número de Páginas: 248
Edição: 1ª – 2013
ISBN: 9788565765114
Editora: Seguinte
Preço: R$26,00 (Compre aqui)
Classificação: ★★★☆☆

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5 Comments

  • Reply
    Caverna Literária
    10/07/2014 at 7:27 pm

    Confesso que não me interessava muito por essa série, mas a partir do momento que descobri que o autor é o mesmo da série Maze Runner, que por acaso eu amo, meu ponto de vista mudou um pouco. Gostei bastante da sua resenha, e assim que puder, vou arriscar também!

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

    • Reply
      Sam
      11/07/2014 at 10:42 am

      Arrisque sim, é super divertido! E os autores mudam a cada livro (exceto pelo último, que o Dashner também escreve), o que torna as coisas interessantes.
      Beijos!

  • Reply
    Abel Luiz
    10/07/2014 at 8:55 pm

    Sua resenha foi interessante, mas é que gosto bastante dessa série! Acabei de ler o quarto volume, e mal posso esperar o quinto. Confesso que há coisas que acho absurdas, e imagino como será o volume final, mas mesmo assim curto demais. (Talvez seja por causa de ser vários autores. Esse negócio de criança salvar o mundo é mesmo bizarro.) Sem se falar nos jogos disponíveis!

    • Reply
      Sam
      11/07/2014 at 10:40 am

      Os jogos são bem legais mesmo, também dei uma olhada! Não leve a resenha a mal, é uma série bem divertida, e eu gostei bastante dos próximos livros haha Só achei que o autor poderia ter feito melhor, sabe? E gente, momentos de tensão com o futuro da humanidade na mão desses moleques /omg

  • Reply
    Who's thanny? » Arquivo » Dividir e Conquistar (Infinity Ring #2), Carrie Ryan
    05/08/2014 at 3:38 pm

    […] Um Motim no Tempo não me agradou tanto quanto eu gostaria, e, apesar de divertido, teve muitas falhas que não consegui ignorar. Mas dei outra chance para a série, é claro, e acabei me deparando com um livro interessante que teve maior cuidado com os personagens e os dramas. E, bem, tem Vikings. Não dá pra fazer errado com Vikings. […]

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