Textos

Um mar calmo nunca fez uma boa navegante

Meu texto era para ser publicado no mês de maio, mas cá estamos no fim de junho justamente pelos meus probleminhas emocionais. Para quem não sabe, eu sofro de Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) e, nos últimos tempos, ele voltou com força total, me obrigando até mesmo a trancar o semestre na faculdade e voltar a morar com meus pais por alguns meses.

Esse não era o tipo de vida que eu queria, mas, já que estamos aqui, não há nada melhor a fazer do que abraçar, deixar-se levar por aquilo que me deram.

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Em 2012, quando tive minha primeira crise, os pensamentos que eu tinha eram tão ruins, tão desesperadores que minha única defesa foi me guardar dentro de uma caixinha para que, quem sabe, eu pudesse me provar que era uma pessoa boa e digna de ser amada. Isso acabou intensificando a tendência que eu tinha a agradar exageradamente os outros, a não suportar rejeição e a reprimir meus sentimentos mais profundos quando o que eu deveria fazer era, na verdade, o completo contrário.

Há algum tempo, uma cartomante me disse que o meu problema era simplesmente estar sempre procurando algo em que me encaixar enquanto tudo que minha alma queria era ascender ao alto. Isso me confunde até agora, enquanto estou escrevendo este texto para vocês, pois, com toda a confusão em minha cabeça, todo o meu desespero por estar bem, por estabilidade emocional e por acabar com essa fase da minha vida, se libertar das definições que criei para mim mesma parece ser a tarefa mais difícil que posso pensar.

Difícil, mas não impossível.

A questão é: há de se ter equilíbrio. Cheguei em um momento em que unir a minha dor à minha felicidade é a única maneira de conquistar minha liberdade e meus pensamentos começaram a colaborar. A escuridão, afinal, não afeta a luz e ambas devem ser abraçadas. Não se tem uma sem o outro, o que entrou muito dificilmente em minha cabeça. O caminho do meio, como os budistas chamam, não é muito fácil de ser traçado e eu, como uma pessoa que sempre foi intensa demais, achá-lo é como procurar uma agulha no palheiro.

Ainda tropeço às vezes. Ontem chorei até não poder. Anteontem, senti uma dor de cabeça terrível, pois tenho medo de tudo voltar e acabo controlando tanto os meus pensamentos que minha mandíbula se aperta contra o crânio e, bem, acabo tendo surtos de pânico quando algo sai do rumo.

É aí que está: eu não devo me controlar. Não devo me encaixar em algo. Meus pensamentos devem rolar livres, até eu poder ver o que é ilusão e o que é real. Minha alma não me serve se limitada a definições que eu mesma me cobro. Se vou chorar todos os próximos dias do mês? Talvez, mas me sinto melhor assim. Me sinto mais viva, mais perto de mim mesma e mais disposta a ajudar, a amar e a sentir minha liberdade. Às vezes é assim que se acha quem você é: chorando, cutucando um pouquinho a dor e aprendendo a se amar, pois é só isso que precisamos.

Difícil, mas não impossível.

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