Coluna

Momentos que marcaram o Brasil

É verdade, temos consciência de que era para esse TopTop ter saído no Especial Nacional da semana passada, mas, por diversos problemas, não conseguimos postá-lo. Não tem problema porque 1) Fala sério, teve um monte de post de qualidade no Especial, vocês nem sentiram falta e 2) Hoje é o aniversário de morte de Ayrton Senna :( Então achamos a data apropriada para falar de algumas coisas que marcaram nosso país.

Poderíamos falar de muito mais coisa, mas lá vai.

O país perde Renato Russo, Elis Regina, Mamonas Assassinas, Cazuza e Ayrton Senna

De 1982 a 1996, o Brasil lamentou a morte de muitos artistas que influenciaram a geração dessa época, desde a morte de Elis Regina até o adeus de Renato Russo, momentos como esses se tornam importantes para a vida daqueles que o presenciaram. Todos eles faleceram jovens, vítimas de acontecimentos trágicos: overdose, síndrome da imunodeficiência adquirida e acidentes; não é apenas uma morte calamitosa ou a perda de um grande ídolo, é a criação de um legado que ecoa até os dias de hoje, influenciando mais jovens que ouvem as histórias daqueles que estavam presentes no dia do acidente com o avião da banda Mamonas Assassinas ou a notícia da morte de Cazuza. Da mesma forma que em 20 anos, contaremos histórias como essas, de quando lemos sobre a morte de Chorão, ou lamentamos a de Cássia Eller (que nem é tão recente quanto parece, mas marcante ainda assim). São ocasiões que geram discussões, negação, tristeza e muitas vezes polêmica, já que a influência dessas pessoas é o que dura por mais tempo, e muitas dessas influências foram vistas como negativas por alguns. Isso não deixa de tornar a situação importante, não impediu ninguém de parar de ouvir músicas ou se calar sobre o assunto. É incrível imaginar como a morte de um famoso influente e jovem afeta tantos grupos de pessoas no país; muda, cria opiniões e se torna o que sempre será a partir de tantas conquistas desses nomes: memorável e imperecível.

O Bi olímpico do vôlei masculino e feminino

“O vôlei é o segundo esporte nacional.” Temos ouvido muito isso ultimamente, principalmente depois dos espetáculos que as meninas – antes chamadas de “amarelonas” – do vôlei fizeram nas duas últimas olimpíadas. Em 2008, Pequim, o foco estava nos meninos, atuais campeões, número 1 no ranking da FIVB, mas o feminino roubou a cena, sendo impecável do início ao fim. Já em 2012, Londres, elas começaram mal. Estavam prestes a ganhar o apelido grosseiro novamente logo na fase de classificação. Mas, a partir do momento que os playoffs começaram, não teve para mais ninguém. Por mais que eu ame a Fernandinha, devo dizer. Dani Lins e Thaisa foram fundamentais no bi-campeonato olímpico do time de Zé Roberto Guimarães.
Já o time masculino vem sofrendo um pouco de preconceito, diga-se. É frustrante que eles tenham morrido na praia nos dois últimos jogos olímpicos? É claro que é. Mas eles ainda são os melhores de todos os tempos. Quem vê o Brasil nervoso das finais contra Estados Unidos e Russia se esquece que essa é a nova geração, filhos dos campeões de Atenas 2004 que – se você se esforçar um pouco para lembrar – é filha dos campeões de Barcelona 1992. Dói ver a diferença de anos entre as duas vitórias, e é agridoce saber que a seleção de Rio 2016 será completamente nova, mas o vôlei é sim o segundo esporte nacional e merece mais respeito e força. Masculino e feminino, vamos com tudo para o tri!

Exportação de talentos – Rodrigo Santoro, Alice Braga e Wagner Moura

Nos últimos anos vimos grandes atores brasileiros se afastarem das novelas e séries por aqui; ainda são nomes de peso em nossos filmes, mas o talento de Rodrigo Santoro, Alice Braga e Wagner Moura foi bem aproveitado internacionalmente. Ao contrário do que alguns acreditam, essa “exportação de talentos” não é algo ruim para nossa cultura, a qualidade de programas e artistas brasileiros nem sempre é reconhecida em outros países, e com a presença de bons artistas em grandes filmes (nesse caso quase todos americanos) será possível favorecer o trabalho da indústria de televisão e cinema brasileiro, já que quase ninguém fora da país é familiarizado com esses projetos. Depois de Tropa de Elite, Wagner Moura aproveitou os elogios e prêmios e conseguiu um papel secundário no filme Elysium com Matt Damon e Jodie Foster. Rodrigo Santoro, mais veterano nessa categoria, começou em 2003 com pequenos papéis em As Panteras Detonando e Simplesmente Amor, mas alcançando personagens importantes e marcantes para sua carreira como no filme 300, O Golpista do Ano e a série americana Lost. Alice Braga, outra veterana, ficou mais conhecida depois de sua atuação em Cidade de Deus e fez um papel no filme Eu sou a Lenda, que abriu as portas para trabalhos cada vez mais importantes como O Ritual, Ensaio Sobre a Cegueira, Na Estrada e Elysium.

A memória curta do brasileiro

Quem vê o Brasil hoje até acha que esquecemos nossa história e, olha, até eu penso isso de vez em quando. Acreditem, meus irmãos, pois houve um tempo em que os brasileiros foram às ruas protestar e clamar pela retirada do poder de um presidente envolvido em vários escândalos de corrupção. Fernando Collor de Mello, político republicano e neo-liberalista, foi nosso presidente por dois anos, de 1990 a 1992, sendo este último ano o que revelou sua farsa. Denunciado pelo próprio irmão, Pedro Collor, Fernando foi desmascarado e renunciou à presidência do Brasil antes mesmo de ser condenado pela Câmara, mais precisamente no dia 29 de setembro de 1992. Muitos brasileiros, nesse período, foram para as ruas com as caras pintadas e conseguiram, sim, uma vitória sobre a corrupção.
Só acho que devíamos fazer isso mais vezes.

Ditadura


Era 1964 e nenhum de vocês, acredito, estava vivo. Nem eu estava, mas ainda posso ouvir ecos dessa época no nosso Brasil. Alegando uma ameaça comunista, os militares organizaram um golpe de estado e retiraram João Goulart, o famoso Jango, da presidência do Brasil e fizeram deste país o paraíso da opressão, violência e censura. É provável até que os Estados Unidos estavam metidos nisso tudo, já que tais golpes não aconteceram só aqui, mas também em toda a América Latina. Isso, aliás, remete a todo um contexto da Guerra Fria que, é, daria um texto enorme aqui, mas vamos aos finalmentes: foram 20 anos sem liberdade, sem expressão. Foram 20 anos de medo, mortes, parentes desaparecidos e torturados, protestos escondidos na música do povo. Foram 20 anos sem a democracia que hoje, alegadamente, tanto prezamos, mas jogamos fora. Entre atos institucionais, investidas do governo e o desgaste do mesmo, em 1985 conseguimos, através das Diretas Já!, o direito de eleger nossos próprios governantes e praticar a já citada democracia. Só precisamos, agora, valorizá-la o bastante e nos orgulharmos da coragem de nossos pais.

You Might Also Like

8 Comments

  • Reply
    Jéssica Cardoso
    01/05/2013 at 6:25 pm

    Ótimo post! Muitas pessoas esquecem mesmo dos momentos importantes que nosso país já passou e isso é realmente triste :(

  • Reply
    thanny
    01/05/2013 at 7:42 pm

    Só queria dizer que esse já é um dos melhores posts do WT!

  • Reply
    Sam
    01/05/2013 at 8:41 pm

    Quem precisa de aula de história quando se tem o WT? pfffffffffffffffft.

  • Reply
    Natália Araujo
    04/05/2013 at 6:31 pm

    ótimo post, parabéns!

  • Reply
    Tarsila Martins
    17/06/2013 at 5:10 pm

    Muito legal o post! Ah, só pra constar, nós estamos voltando à luta!
    #OGiganteAcordou

  • Reply
    Who's thanny? » Arquivo » Grandes influências brasileiras pelo mundo
    01/05/2014 at 6:10 pm

    […] a linha do nosso TopTop Momentos que marcaram o Brasil, publicado no Especial Nacional exatamente um ano atrás, hoje falamos do que o Brasil tem de bom e […]

  • Reply
    Jaco
    28/09/2016 at 5:23 pm

    O Que è bom nòs não esquecemos nunca concerteza o Legado destes ìdolos continuam vivas na nossa mente, e isso nos enche de encorajamento. Paràgrafo 1

  • Reply
    Claudio
    04/07/2017 at 9:39 am

    ótimo artigo, parabéns

  • Leave a Reply

    CommentLuv badge