Cinema

A Teoria de Tudo (2014)

Porque todo mundo sabe que a Academia AMA histórias “tristes”.

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A Teoria de Tudo conta a história do renomado cientista Stephen Hawking, e foca nas reviravoltas em sua vida depois de descobrir ser portador de uma rara doença degenerativa. Seu amor pela ciência, os desafios que teve de percorrer e principalmente seu relacionamento com sua esposa Jane Hawking são tratados com seriedade e até humor, formando uma película bem feita e redondinha. Indicado a 5 Oscars, inclusive nas categorias principais, o longa tem estragado diversões bolões, entristecendo os que andam apostando em Michael Keaton™, visto que Eddie Redmayne tem feito a rapa em premiações por aí. Mas será que existe algo além de atores competentes nesse negócio?

Uma cinebiografia (ou quase isso) é algo complicado: sem o cuidado devido a trama pode se tornar um melodrama eterno ou não passar as emoções que a história pede. E isso Teoria fez certo; o assunto é sério, mas não impede que alguns momentos dignos de risadas aconteçam, mostrando que nem tudo é desgraça. O aspecto de romance também adiciona bastante, a química entre o casal protagonista proporcionando cenas adoráveis. O roteiro consegue se balancear na maior parte, mantendo o interesse do espectador, mas acaba perdendo o fôlego em seu ato final, apesar de não o suficiente para arruinar a narrativa por completo.

A atuação de Eddie Redmayne tem sido elogiada por seu aspecto físico – que, sem dúvida, é um dos pontos altos do longa, a completa transformação de Hawking que torna o jovem ator irreconhecível. Entretanto, gostaria aqui de destacar o lado emocional da mesma. É claro que com uma história dessas os sentimentos estão borbulhando em todo o lugar, e as feições de Eddie fazem o favor de explanar as lutas internas do personagem, seja com sutileza ou não. Tal feito também é cumprido pela encantadora Felicity Jones, capaz de dizer tanto com um simples olhar e ameaçando arrancar ainda mais lágrimas do espectador (aliás a moça também tem suas mudanças físicas, mesmo que passem despercebidas). O filme pertence a esses dois, e eu diria que ambas indicações foram merecidas, embora Felicity seja a mais “fraquinha” das concorrentes a Melhor Atriz (não por culpa da própria, entretanto). Do elenco coadjuvante os destaques são David Thewlis e o irresistível carisma de Harry Lloyd, que aproveitam o pouco tempo que tem na tela em sua melhor forma.

While there’s life, there is hope.

A direção de James Marsh é competente, e por vezes interessante na escolha de seus planos. A bela fotografia passa pelos diversos estágios da narrativa mesclando a paleta de cores, adicionando até um tom lúdico a certas cenas. A trilha sonora de Jóhann Jóhannsson possui lindos acordes, mas não faz tanto para o filme quanto poderia, sem acrescentar muita emoção ao longa.

No fim das contas, A Teoria de Tudo é um bom filme que não atingiu seu potencial por completo. Seu maior trunfo é seu elenco, e por ele merece ser elogiado. Talvez se o roteiro não se esquivasse tanto do que podia ter explorado, teríamos em mãos uma biografia digna do homem que a inspirou.

FICHA TÉCNICA

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Título original: The Theory of Everything
Direção: James Marsh
Elenco: Eddie Redmayne, Felicity Jones, David Thewlis, Harry Lloyd, Charlie Cox
Roteiro: Anthony McCarten
Trilha sonora: Jóhann Jóhannsson
Duração: 123 min.
País: Reino Unido
Gênero: Biografia, drama, romance
Classificação: ★★★½☆

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1 Comment

  • Reply
    Juliana
    February 23, 2015 at 9:06 pm

    Estou louca para ver . Mas sei lá tenho muito medo de me arrepender. Tenho muita expectativa em relação ao filme.

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