Cinema

Spotlight – Segredos Revelados (2015)

Ou como o trabalho do jornalista é essencial para a desconstrução de um sistema.

No começo dos anos 2000, um time de repórteres do jornal The Boston Globe investiga alegações de abuso por membros da Igreja Católica. Contudo, desconfiam de uma epidemia de casos de crianças abusadas nas últimas décadas, e lidam com os obstáculos de apurar e investigar um caso com pouquíssimas provas. Spotlight – Segredos Revelados foi dirigido por Tom McCarthy e está indicado a 6 estatuetas do Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Direção.

Spotlight traz uma visão completamente focada na apuração jornalística de um grande jornal. O roteiro, ao invés se deixar levar pelo peso da história e seus personagens, realça o trabalho dos jornalistas, sua investigação, frustrações e nas vítimas que serviram como testemunhas para o caso. Isso trouxe um ritmo diferente para o filme, diferente do que um longa de investigação policial poderia possuir ou um drama sobre as vítimas e baseado em personagens. O enredo nos apresenta mínimos detalhes sobre os personagens principais, trazendo a história que escrevem como a verdadeira protagonista. O sentimento “edge of your seat” é bem presente. Mesmo com algumas quedas no ritmo que podem aliviar o público sobre um tema pesado, ele prende sua atenção pelo próprio desejo de ver os jornalistas realizarem a matéria e acompanhar cada história de superação das vítimas entrevistadas. 

A performance do cast é extremamente merecedora do hype que recebe. A audiência tem informações mínimas do passado de cada personagem principal. Robby (Michael Keaton) é o misterioso editor do time Spotlight, quase não se mostra aspectos de sua vida,  mas sua ética de trabalho o define como personagem e a performance competente nos convence de um jornalista com um fibra moral muito forte. A mesma coisa acontece com as personagens de Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Stanley Tucci e Brian d’Arcy James. A ética profissional dos personagens e sua relação com a história investigada é suficiente para nos dar traços de sua personalidade, e uma boa atuação é essencial para isso.

Não só os jornalistas, mas o elenco de personagens coadjuvantes também faz um trabalho ótimo. Vítimas, padres, clérigos, advogados, executivos: todos foram símbolos da negligência pública, social e legal de um caso urgente e perturbador, e a performance de seus papéis sustentaram a bagagem da narrativa.

Spotlight é uma trajetória dramática importantíssima para aqueles que se interessam em uma cobertura jornalística, na ética religiosa e nos detalhes sombrios de uma instituição que mantinha poder sobre inúmeras pessoas e até hoje não foi suficientemente punida por apoiar a omissão de crimes.

Título original: Spotlight
Direção: Tom McCarthy
Elenco: Michael Keaton, Mark Ruffalo, Rachel McAdams, Stanley Tucci, John Slattery, Brian D’Arcy James e Liev Schreiber
Roteiro: Josh Singer, Tom McCarthy
Trilha sonora: Howard Shore
Duração: 128 min.
País: EUA/Canadá
Gênero: Drama, História
Trailer: (x)
Classificação: ★★★★½

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2 Comments

  • Reply
    Lívia Neves
    27/02/2016 at 12:19 pm

    Tinha ouvido falar do filme mas não sabia qual era a temática. Não faz muito o meu estilo, a maioria dos filmes que assisto são romances ou animações, mas me interesso pela história da Igreja, então se tiver na Netflix ou algum dia eles colocarem lá, devo assistir. Além disso adoro a Rachel McAdams
    Lívia Neves recently posted..Skoob – Meta de LeituraMy Profile

  • Reply
    Marlene Conceição
    27/02/2016 at 4:34 pm

    Ei.
    É a primeira resenha, que leio sobre esse filme, ja havia ouvido falar dele, mas realmente não tinha me chamado a atenção, gostei do tema, esse com certeza vou assistir.

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