Cinema

Simplesmente Acontece (2014)

Talvez estajamos todos cansados de comédias românticas em que toda e qualquer confusão poderia ser solucionada com uma simples conversa. Mas, na verdade, não estamos, assim, tão cansados.

Rosie Dunne e Alex são amigos inseparáveis desde os cinco anos de idade. Ambos se compreendem e se completam, mas, aparentemente, são os únicos que não percebem que foram feitos um para o outro. Pois, claro, se percebessem (e se conversassem) o filme duraria cinco minutos. No entanto, uma série de artimanhas e contratempos acontecem impedindo-os de ficarem, definitivamente, juntos.

A trama, adaptada por Juliette Towhidi do livro homônimo de Cecelia Ahern, é deveras confusa e deixa aqueles que nunca leram a obra um tanto confusos. Enquanto o livro traça seu enredo principal ao longo de cinqüenta anos, somos levados em pouco mais de uma hora e meia de filme a condensar toda esta história e carga emocional em um mero intervalo de treze anos. A necessidade de manter os atores principais – talvez pelo baixo orçamento ou simplesmente pelo apelo do público jovem – é um tanto estúpida, fazendo o entrosamento entre as personagens se tornarem friamente calculistas, como se precisassem terminar uma história rapidamente para dar veracidade a algo que outros atores poderiam, com maestria, resolver.

É necessário pontuar que a atuação de Lily Collins, no papel principal de Rosie, vem progredindo a cada novo filme, porem seu sotaque forçado, algumas vezes tornava tudo um tanto irritante demais. Entretanto, a sua tentativa de transmitir a história de Dunne é válida até certo ponto. Lily é velha demais para uma adolescente de dezessete anos e jovem demais para uma mãe de trinta e poucos.

Você acredita, contudo, na mudança singela entre fases, de Sam Claflin, como Alex. Do jovem adolescente um tanto rebelde, com seu cabelo bagunçado, até o belo médico formado que não consegue manter relacionamentos duradouros. O ator possui uma promissora carreira, uma vez que não se deixe levar somente por uma franquia de sucessos e não se renda à somente filmes de romance.

O longa é salvo pela quase perfeita química entre o casal e pela imensa necessidade de colocá-los em uma sala fechada vigiada por câmeras para que conversem sobre o que sentem.

Enquanto desvendam o que realmente sentem um pelo outro ao longo de muitos e muitos anos, Rosie e Alex passam por relacionamentos que não dão certo, por casamentos destinados ao fracasso e pela gravidez de Rosie – que a impede de viajar para perto de Alex e, assim, começarem um destino só deles.

A tênue mudança temporal é percebida em detalhes pontuais ao longo do filme, esteja ela na trilha sonora maravilhosa de hits britânicos da década passada, ou em aparelhos eletrônicos que, poucos de nós (ou muitos!) irão se lembrar.

Quando comparamos Simplesmente Acontece com a anterior adaptação cinematográfica de uma obra de Cecelia Ahern, P.S. Eu te Amo, vemos na segunda uma escolha melhor de roteiro e adaptação melhor do que a primeira. Parece, a meu ver, que houve uma tentativa de tornar Simplesmente Acontece em uma comédia romântica para adolescentes, visto a escolha de atores mais jovens e a escolha de não tornar as personagens mais velhos, logo ao fim da história. Enquanto em P.S. Eu Te Amo, seria, um filme mais “adulto”.

Apesar das falhas, uma vez ignoradas, podemos nos deixar levar pela história e nos entreter. Seria um desses filmes dignos de sessão da tarde, ou para assistir quando queremos acreditar que, apesar de tudo, ainda há um final feliz para todos.

Aconselho você, que queria assistir a este filme, que pegue o livro para ler também. Além de conseguir dar mais profundidade às personagens, as cartas trocadas por Rosie e Alex são visões de dois amigos não só sobre o entendimento de si mesmos, mas sobre o mundo.

ficha técnica

Título original: Love, Rosie
Direção: Christian Ditter
Elenco: Lily Collins, Sam Claflin, Chirstian Cooke.
Roteiro: Juliette Towhidi (adaptação), Cecelia Ahern (livro)
Trilha sonora:
Duração: 102 min.
País: Reino Unido, Alemanha.
Gênero: Comédia, Romance.
Trailer: (x)
Classificação: ★★★½☆

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4 Comments

  • Reply
    Clay
    08/03/2015 at 1:18 pm

    Já estou decidida. Quero ver o filme hahaha estou adorando ver as críticas nos blogs
    Clay recently posted..A Garota que tinha medoMy Profile

    • Reply
      thanny
      09/03/2015 at 11:01 am

      Esse filme é muito amorzinho, nho. Obrigada, Clay! *-*

  • Reply
    Micaelle
    09/03/2015 at 8:41 pm

    Achei o filme com uma história “manjada” demais, uma coisa que na minha opinião já foi muito explorada (mas continua sendo) de forma errada, o que satura todos os roteiros desse tipo. Por vezes as atuações foram leves, simples e ao mesmo tempo magnificas, e as vezes também foram pesadas, forçadas e mal elaboradas. Com certeza não tenho uma ideia final sobre o filme só curti bastante a trilha sonora inserida no contexto. Entretanto, não curti a intenção alvo quanto à faixa etária que eles colocaram, desde personagens mais novos até apelos mais “jovens” ao filme, porém, pelo contexto e história, era de se esperar…

    Super curti seu blog e suas resenhas, muito boas de verdade!
    Beijão,
    http://www.garotaroyal.blogspot.com

    • Reply
      Thayná
      16/03/2015 at 10:33 am

      Não é mesmo??? Você acaba não sabendo se caiu de amores ou se odiou profundamente todos os furos ou erros de interpretação. Eu gosto muito de comédias românticas, mas a carga emocional (pelo menos presente no livro) beira ao drama, sabe? E essa pontinha se perde totalmente aqui. Eles forçam as cenas “engraçadinhas” demais e o filme entrou numa vibe boba…
      (Eu realmente estava esperando algo como Diário de uma Paixão, sabe? Com atores mais velhos, sem aquele medo do público jovem não gostar… mas me decepcionei :/)

      Obrigada pelo comentário, Micaelle! Apareça mais vezes ^_^

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