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Shame (2011)

Shame, segundo longa-metragem do renomado artista plástico Steve McQueen, conta a história de Brandon Sullivan (Michael Fassbender, de Bastardos Inglórios), um homem elegante, inteligente e simpático. Sua fachada perante a sociedade não mostra o que ele realmente é: um viciado em sexo. Com a chegada de sua irmã Sissy (Carey Mulligan, de Educação), ele vê a comodidade de seus vícios cair. O filme causou polêmica, foi aclamado em festivais, mas foi ignorado pela Academia.


A princípio, Shame é um filme sem-vergonha. As cenas de sexo são quase explícitas, tem nudez, masturbação, etc. Mas ao assistir, esses elementos provam que estão ali por um motivo. Mesmo para os mais puritanos (como a pessoa que vos escreve), essas cenas se mostram importantes para a composição do filme. Não é algo sexual apenas pra ser sexual e chamar atenção, mas é pra explorar o vício de Brandon e o quão rápido as coisas podem dar errado até para quem parecia ter uma vida invejável.

O que mais me chamou atenção no longa foi a naturalidade com que é tudo mostrado. As atuações, as cenas sem cortes, a forma com que foi filmado… é simplesmente natural. Sem se preocupar em explicar a natureza da relação dos irmãos Brandon e Sissy, a trama se desenvolve normalmente, em um curto período de dias, sem arrastar ou prolongar uma situação. A trilha sonora bem usada também merece citação, dando uma tensão ainda maior para algumas cenas.

“We’re not bad people. We just come from a bad place.”

A atuação de Fassbender no filme é uma das mais ignoradas no Oscar de 2012, junto com a de Ryan Gosling em Drive e a de Leonardo Where is My Oscar? DiCaprio, esnobado pela 416421641567517517618518 vez, esse ano por J. Edgar. Michael é sempre muito bom atuando, então posso dizer que fiquei no mínimo curiosa ao ouvir todos rasgando elogios para sua interpretação de Brandon. E no começo do filme não vi grande coisa, nada além da normalidade do ator, nada que me espantasse muito. Mas, claro, a partir da metade do filme, levei uma espécie de tapa na cara com toda a instabilidade emocional que vinha dele. E me peguei chorando demais com tudo aquilo, sem entender por que. Sou um pouco burra pra explicar a confusão de emoções e sentimentos jogados na tela pela brilhante interpretação de Fassbender, então vou deixar pra cada um ver – e sentir – por si mesmo.

A sempre incrível Carey Mulligan também merece todo o destaque que teve. Ela sim conseguiu me chocar com sua Sissy, e foi logo na primeira cena. Parte do choque foi por vê-la tão adulta, falando palavrões e coisas do tipo, tirando a fachada de menina inocente que a atriz tem. E, só pra variar, ela consegue ser igual e diferente ao mesmo tempo, sem precisar de muito esforço. Uma das mais belas cenas do filme é dela, cantando “New York, New York”, mostrando que também tem uma voz linda, e nos fazendo reagir da mesma forma que Fassbender e Brandon reagiram.

Shame é um filme para se pensar. Te faz imaginar o que se passa pela cabeça de Brandon durante a cena final, se perguntar o que o fez fazer com que acabasse daquela forma. E, no final, você não consegue tirar aquilo da cabeça. Não só uma cena, o filme inteiro mesmo. Como eu, por exemplo, que não aguentei ficar martelando tudo aquilo e resolvi fazer essa resenha. O final é bonito, simplesmente, e tem as melhores cenas do longa. E é isso mesmo. Um filme bonito, emocionante, que pode até incomodar, e que traz à tona sentimentos que eu só tinha sentido ao assistir Melancholia.

Depois de todos esses comentários, eu só tenho mais uma coisa a dizer: Puta falta de sacanagem, hein, Academia?

Ficha Técnica

Diretor: Steve McQueen
Elenco: Michael Fassbender, Carey Mulligan, James Badge Dale, Nicole Beharie
Roteiro: Abi Morgan e Steve McQueen
Duração: 101 minutos
País: Reino Unido
Gênero: Drama
Rating: ★★★★☆

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20 Comentários

Byzinha

“Mesmo para os mais puritanos (como a pessoa que vos escreve)” KKKKKKKKKKKKKKKKKKK Fui ali mijar de rir e já volto.
Mano, eu ia assistir no cinema, mas acho que THG pegou ~~todas as salas. Sem contar que eu tenho que guardar dinheiro pra ir pra Sampa no Lolla D;
Quenria assistir no cinema por você e pela Thanny :(

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Sam

Ceis tem que acreditar que eu sou puritana quando se trata de filme, OKAY. Ai, mano, baixa então. :(((((

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Ane Reis

Oie /cute

Eu já tinha ouvido falar que este filme é bem sem-vergonha mesmo rs… Não é muito meu estilo de filme mas pelo o que você escreveu o filme merece uma chance.

Ótimo post!

bjus eu uma ótima semana para vc!

anereis.

mydearlibrary | bookreviews • music • culture
@mydearlibrary

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Raíssa

Bom, um filme que fala sobre um cara viciado em sexo, merece ser bem sem vergonha, né? XD Como vc bem disse, esse filme foi aclamado pela crítica (mas não pela Academia, que é careta demais pra um filme desses) por causa da naturalidade das cenas.

Quero muito ver esse filme, por causa dos atores tbm, ótimo elenco. :)

bjs!

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Juliana Pires

Eu achei a proposta do filme bem interessante, gosto de filmes que chocam que fazem a gente refletir, mesmo sem querer algo te leva aquilo.
Achei a parte do puritana engraçado, mas do jeito que o filme é pega as pessoas mas puritanas de surpresa mesmo, talvez até as que não são.
E o Michael Fassbender, eu acho ele um excelente ator, mas tenho que dizer que ele é lindo demais, muito, muito mesmo.
Beijos

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Francielle

Simplesmente sensacional!
Que filme inusitado!
Vou ter que assisti-lo na primeira oportunidade!
Eu adoro quando filme são originais, surpreendem e até chocam.
/smile

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Camila Costa

Sinceramente o que mais me chamou atenção para o filme além do Michael (extramegagatãogostosão) Fassbender foi a trilha mega dramática do trailer, me interessei bastante!

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Babi Lorentz

Não sei se assistiria o filme, Sam. Ok, vou explicar… Eu não gosto muito de filmes.
Só assisto mesmo quando algo prende bastante minha atenção.
E Shame, ah, Shame não fez minha cabeça e não me deixou com vontade de assistir. =/
Beijão

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thanny

Sim, mas e o nu frontal do Fassbender? /grin
HAHAHAHAHA

Já falei que adorei sua crítica, né? Tenho que assistir esse filme e ainda tenho esperanças de que o cinema cult da cidade irá exibi-lo. Por isso, vou esperar antes de surtar e baixar.

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Sam

Nem tem nu frontal escandaloso, sabia? Pelo menos não no filme que eu baixei. Quer dizer, ele passa lá pelado e só. KKKK E thanks! Pena que eu sou menor, nem poderia assistir o filme se ele viesse pra cá. :(

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Juli

Mas só essa cena,já vale a pena,Thanny!
Qdo eu comprar o dvd vou ver essa cena trilhões de vezes hehehe
Mas meu, vale cada segundo de ver o Fassbender na tela.
Eu quase infartei no cinema.
Amei o filme,vale a pena.

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Katy

SHAMe on me!!! Ainda não vi o filme! ¬¬
Ultimamente ando lendo e assitindo tanta série q os filmes estão meio de lado.
Mas adorei a resenha e fiquei louca pra conferir essa história de um sexaddicted. E com quem neh… Fassbender… Aiai…

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Kamila Wozniak

Bem curioso ….
Não gosto muito de cenas explicitas forçadas … mas esse filme me deixou curiosa pelo enredo …

E sua resenha Sam … conquistou :)

Beijoss

Ka Wozniak
Cinco das Artes

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Ana Death Duarte

Finalmente consegui ver esse filme (como acabei de mencionar no Twitter, acho q vou deixar Melancolia pra semana q vem, rs) ontem e sua review está ótima! Basicamente isso mesmo – concordo com 99% dela (hehe eu não sou puritana, rs, a diferença), mas o filme choca pela crueza da natureza do ser humano mesmo, pois não é só o Brandon e a Sissy, eu achei aquela cena do chefe dele depois de *spoiler* uma coisa muito de salafrário, sabe? Tipo, eu sei seus segredos, então nem ouse mexer com os meus?
O que muita gente ficou com raivinha nos EUA (muitos realmente puritanos, ou, ainda pior, q esperavam sentir prazer vendo o filme) é que o sexo ali é mostrado como vício, e choca por ser tabu, já que filmes que mostram vícios em bebidas e/ou drogas já não chocam mais tanto assim, por serem temas bem explorados, até em Hollywood. Ou seja, não é para sentir prazer vendo aquilo, pois mostra a degradação e a solidão do ser humano, além da crítica básica à atitude tanto de homens como mulheres casados (é só ver o enfoque dado em “alianças”).
Eu pensei em fazer uma review, e acabei vindo aqui fazer esse comentário hehe, só acrescentando alguns detalhes que notei ^^
Aliás, embora no começo eu achasse que seria meio cópia de O psicopata americano, pois há cenas até que nos remetem muito ao filme com o Christian Bale, com o desenrolar do filme eu percebi que elas provavelmente estavam ali como referência sim, só que o Brnandon é, como li em algumas reviews lá de fora, uma versão zumbificada do Patrick Bateman, e a solidão que o filme como um todo passa é mesmo de doer.
Acho que escrevi um livro aqui, rs – talvez eu ainda faça uma review, ou nÃo, mas parabéns pela sua, está muito boa mesmo /blink
Ana Death Duarte recently posted..Resenha do livro: A Última Princesa – Fabio YabuMy Profile

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