Coluna

Personagens femininas que merecem (mais) respeito

As palavras chaves são Girl Power. Não importa se seu poder é dobrar água ou amar seu marido, existem algumas personagens femininas que merecem mais respeito do que recebem e o Who’s Thanny? está aqui, nessa linda semana de Coisa de Mulherzinha, para contar mais sobre elas. Portanto, aperte os cintos, nós vamos decolar!

DINAH LAUREL LANCE, ARROW (CW)

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Eu nunca escondi que Laurel Lance é minha rainha e que assisto Arrow só por ela, o que, honestamente, se tornou uma tortura devido a todas as sacanagens que os roteiristas da série fazem com a personagem e todo o hate que ela recebe por parte dos fãs. Mas, ao longo dos anos, eu me tornei especialista em defender personagens nem tão amados assim e, olha, eu nunca amei uma personagem tanto quanto amo a Laurel. É inegável que ela seja a personagem mais real da série, a que tem dramas mais reais e palpáveis e que seja, olha, a mais forte dali. Confesso que eu a achei chata em boa parte da primeira temporada, mas não demorou muito até eu ver o que a fazia tão preciosa: independência e altruísmo. Ela é sensível, idealista e não titubeia quando o assunto é defender o que ela acredita e aquilo que ela ama. E ela parece tão vulnerável justamente por isso, por notar as nuances de todo o amor que ela sente e isso acaba dando margem a interpretações erradas, mas, uma coisa é certa, toda essa sensibilidade da Laurel apenas a fortalece, episódio após episódio. Dói em mim ver tanto hate contra ela no fandom de Arrow, mas já vi que ele se deve muito a briguinhas mesquinhas de ship. O que eu não admito é dizerem que a Laurel é fraca ou inútil; ela é Dinah Laurel Lance, a futura Canário Negro, always trying to save the world, independentemente de suas próprias mágoas e vícios, e dona de um coração enorme, pulsante, tão vivo quanto a fé que ela deposita em todas as pessoas. E, honestamente, já notaram que o desenvolvimento dela é bastante independente do Oliver Queen? Ela se faz crescer, ela luta por si mesma e pelas pessoas que ama. Ela é suficiente e não se obriga a agir como se fosse forte todo o tempo, porque, honestamente, ninguém tem essa obrigação. A verdade é que Laurel Lance me deu esperança, sim, como uma mulher que tem suas falhas, que sofre de vícios e depressão, mas faz de todo o seu medo e angústia sua própria fortaleza.

SANSA STARK, AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO

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Quem nunca ouviu alguém chamando a Sansa de Sonsa? Eu já vi isso muito e não houve um sequer momento em que eu não me senti furiosa. Sansa Stark, diferente de sua irmã mais nova, sempre se interessou por vestidos, histórias de grandes príncipes e pelo sonho de um dia casar-se com um homem bom e ser uma Lady, uma princesa até. Quando ela vê todo esse sonho arruinado em Porto Real, com a morte angustiante de seu pai, todos esperavam que ela se rebelasse, que ela botasse fogo em tudo, mas, ué, não aconteceu nada disso. Ela continuou submissa aos Lannister, porém é ignorância dizer que algo não mudou nela. Sansa Stark começa a se tornar, na verdade, uma personificação da astúcia e da força, sempre fingindo submissão para continuar viva, suportando a dor da morte de toda a sua família e a desesperança. Não me venham dizer que Sansa Stark não é forte, não é uma guerreira, pois, honestamente, para ser isso ela não precisa de uma espada nem de listar, todos as noites, os nomes de seus alvos. Mais uma vez, vejo um desprezo crescente a características que, historicamente, foram atribuídas às mulheres: sensibilidade, submissão, amabilidade e, ah, fraqueza. Eu posso achar milhões de maneiras de problematizar esse discurso. Primeiramente, isso constitui um padrão de gênero que, como muitos, apenas serviu para nos oprimir ao longo da história (e acaba prejudicando homens também, vale dizer). Segundo, não há problema algum em ser gentil e amável e isso pode, sim, ser o que temos de mais forte. O desprezo a personagens como Sansa (e Laurel Lance também) revelam claramente o ciclo de inferioridade que atribuem a nós, mulheres, e isso deve ser combatido tanto na ficção quanto no nosso mundo real, seja você uma lutadora de artes marciais ou alguém que adora fazer compras.

ATIA DOS JULII, ROME (HBO)

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Atia pode ser muito bem descrita como uma espécie de viúva negra, uma matriarca obcecada pelos interesses da família e suas ambições. Digamos que ela seja quase como uma Cersei Lannister, mas muito mais agradável, na minha opinião. Suas atitudes bastante duvidosas quase conseguem fazer você odiá-la, mas, ah, isso é impossível. Astuta, ambiciosa, corajosa e trapaceira, Atia dos Julii se tornou uma das minhas principais inspirações quando me ponho a criar personagens. Sua construção é impecável e, ao mesmo tempo que você pode concebê-la como uma fortaleza banhada de veneno, está lá uma sensibilidade que a permite lutar pela própria família, manejar todas as peças para criar um cenário favorável a ela e seus filhos, Octavian e Octaviana, nos jogos de poder na República romana despedaçada. Ela também não esconde, em nenhum momento, sua sexualidade e faz dela uma de suas grandes armas dentro da aristocracia.

QUEEN MARY, REIGN (CW)

Quando se nasce com um destino já feito, o melhor que você pode fazer é encontrar uma maneira confortável de levá-lo até o seu fim. Mary Stuart é a Rainha da Escócia, mas sua vida não é uma realeza. Sofreu inúmeros atentados de morte, tem sua cabeça a prêmio, um casamento arranjado desde criança, tem basicamente dois países para governar e vários outros problemas, já que estes parecem ser grandes fãs. E por que você deveria ser também? Well, começaremos com o seu desenvolvimento e crescimento. Mary ainda é a menininha ingênua que quer um amor e um príncipe, mas parte de si perdeu-se nos venenos da realeza. Ela é gentil na maioria do tempo, mas não tente pisar nela, pois Mary o colocará em seu devido lugar sem perder a classe. “I’m the Queen of France” e a rainha de muitos corações, com toda sua luta atrás da felicidade, justiça e amor, não só para si mesma, mas para todo o seu povo.

CATHERINE WILLOWS, CSI (CBS)

CSI de alto nível, mãe, sassy, loira e real. Catherine Willows é uma LINDA. Ex-stripper, mãe de uma adolescente e separada de um casamento abusivo, Catherine tenta direcionar seu tempo para as duas coisas mais importantes da sua vida: sua filha e seu emprego. Dedicada ao trabalho de perita, ela é uma mestra em suas investigações, interrogatórios, análises e tudo o mais o que for requerido. E, ah, meus amigos, não pense que esta mulher é pau mandado. Quando tem sua autoridade questionada, ela lhe impõe o respeito que merece, quer você seja de um cargo menor ou o chefe de todo o departamento, ou até mesmo seu ex-marido drogado e agressor. Você pode considerá-la estúpida e arrogante às vezes, mas a única coisa que você não consegue e não pode negar é o respeito e força que exala da CSI.

TIA POLLY, PEAKY BLINDERS (BBC TWO)

Uma mulher numa gangue na Birmingham de 1919 entre vários homens Shelby seria só uma personagem de fundo, certo? Errado. Tia Polly se tornou o amor da minha vida não só pela fantástica atuação de Helen McCrory, mas também por representar o coração na família criminosa. Ela age como a matriarca que disciplina os mais jovens e enfia senso na cabeça deles, porém não tem medo de ser mais dura quando necessário. Polly bate de frente com as ideias egoístas do chefe da gangue, se recusando a concordar com suas decisões, e não hesita em agir quando as pessoas que ama estão em perigo. Ela é quase o oposto dos homens da série, e tenta resolver as coisas sem violência – o que não significa que ela não seja capaz de ameaçar quem estiver em seu caminho. Uma mulher forte, que já passou por muita merda e destrói a noção de que emoções são uma fraqueza.

ELIZABETH MCCORD, MADAM SECRETARY (CBS)

A personagem é de série estreante, mas é tão incrível que já merece estar nessa lista. A ex-agente da CIA que acabou se tornando Secretária de Estado dos EUA seria só uma das raras mulheres em altos cargos que mal vemos na TV, porém Bess tem as qualidades que a tornam perfeita para seu trabalho, mesmo que heterodoxa às vezes. Ela sabe manipular pessoas quando precisa, tem coração E controle, entende seus limites e as linhas que pode ultrapassar sem quebrar alguma lei internacional. Além disso, é mãe, e precisa lidar com seus dramas familiares ao mesmo tempo em que resolve problemas que podem afetar uma nação inteira e aprende as manhas do trabalho que ela nem queria. Uma mulher incrível numa série que busca acabar com mitos que diminuem moças bem-sucedidas (mãe que não fica em casa com os filhos destrói a família? Mulher em posição de poder não consegue manter um relacionamento saudável? Com Madam Secretary não tem nada disso). Eu quero ser Elizabeth McCord quando crescer, aham.

JOSS CARTER, PERSON OF INTEREST (CBS)

Não bastava ser uma detetive badass disposta a jogar o pior tipo de criminoso atrás das grades, tinha que ser uma mãe solteira e uma policial honesta no meio de uma enorme rede de corrupção em Nova York. Joss Carter, dona de um dos melhores arcos de personagem que já existiram, teve de agir contra seus princípios para salvar pessoas, teve de trabalhar com quem jamais imaginaria ter que trabalhar para o bem maior; Carter entendia que sacrifícios eram necessários caso quisesse fazer seu trabalho direito com as circunstâncias em que se encontrava. Ela chutou bundas, acabou com a vida de muita gente ruim, salvou muita gente inocente, se ferrou no processo, deu jeito nos outros personagens da série, mostrou que nem tudo se resolvia com violência, chutou mais bundas e serviu como o perfeito exemplo de como a justiça não é simplesmente preta e branca – Carter conheceu todas as suas nuances na prática. Joss não tinha medo de fazer o que era certo, nem o que era necessário. Era inteligente e destemida e maravilhosa e incrível e faltariam adjetivos para descrevê-la. Joss Carter deveria ser um adjetivo por si só.

IRENE ADLER, AS AVENTURAS DE SHERLOCK HOLMES

IRENE

“Para Sherlock Holmes, ela é sempre a mulher. (…) A seus olhos, ela eclipsa e domina todo o sexo feminino.” É assim que Arthur Conan Doyle descreve uma das mais formidáveis adversárias do famoso detetive. Irene Adler é conhecida como a pessoa que não só ganhou de Holmes uma vez, como foi mais inteligente do que ele em uma segunda oportunidade. Seus motivos são inesperados, é verdade, mas não desmerecem a audácia da mulher, nem seus planos. Adler é ainda outro exemplo de que emoções não afetam o cérebro das moças, e que você não precisa meter porrada para ser badass. Se existe uma mulher que pode vencer Sherlock Holmes em seu próprio jogo, esta é Irene Adler, que representa muito bem o seu sexo na literatura mundial. É uma pena que a maioria de suas encarnações em séries e filmes perdem sua essência, é verdade. Entretanto, a obra de Doyle sempre estará lá, intacta.

ALLISON ARGENT, TEEN WOLF (MTV)

Allison Argent Crystal Reed

Eu não posso ser forte e ir ao baile?” A clássica pergunta de Allison, lá na primeira temporada de Teen Wolf fez muita gente questionar o (pre)conceito de “personagens fortes”. Aqui está essa garota, humana, treinada desde pequena como se fosse por esporte; essa garota que só descobriu a real intenção de sua família quando se apaixonou por um lobisomem. Ela não devia amar lobisomens, ela havia sido treinada para matá-los. Mas Allison sabia que a vida – seja sobrenatural ou não – não é tão preto no branco. Nós vimos a jornada de Allison Argent em seu melhor e seu pior – as traições, os medos, as incertezas, o perdão -, suas subidas e suas quedas. Allison chegou a Beacon Hills e a mudou: desde Lydia e seu ego, até seu pai e o moto da família. Ela veio com discrição e força, se foi cedo de mais e mesmo assim muita gente não consegue entender o potencial dessa personagem tão importante. Dê um passinho para trás e perceba que Allison era mais do que a garota treinada para matar e mais do que a garota next door. Allison mostrou para muita gente que se pode sim ser forte e ir ao baile.

TAYLOR WILSON, FINDING CARTER (MTV)

Taylor Wilson Anna Jacoby-Heron

Os Wilson tinham uma vida boa, com suas gêmeas Lyndon e Taylor, até que a tragédia chegou até eles e Lyndon foi sequestrada. Desde então, numa tentativa de apaziguar a dor dos pais, Taylor fez de tudo para ser uma boa filha: organizada, estudiosa, séria, quase invisível nas camadas sociais do ensino médio até o exato momento em que sua gêmea foi encontrada. Se reunir com Lyndon Carter fez a vida de Taylor sentar em uma montanha-russa de emoções. Não dá para julgá-la; ela só tem 17 anos e viveu mais coisas do que deveria. O problema é que Carter é tão evidente que às vezes Taylor realmente fica invisível. É raro encontrar algum fã da série que fale “Taylor. É minha personagem preferida. Me identifico muito com ela.”, por mais que ela seja a personagem mais relacionável, porque ela sempre viveu na sombra da gêmea. Em Finding Carter, nós vemos essa concha se quebrando e Taylor ganhando seu espaço, o que é lindo e importante. Taylor merece ser vista e ela se faz enxergar. Só podemos esperar mais coisas maravilhosas para a construção dessa personagem na segunda temporada.

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3 Comments

  • Reply
    Who's thanny? » Arquivo Semana Coisa de Mulherzinha
    28/10/2014 at 4:34 pm

    […] Nicki Minaj não quer estar em sua zona de confortoPersonagens femininas que merecem respeito » divulgação Semana Coisa de Mulherzinha. Postado por Jully em […]

  • Reply
    Julianatsume
    01/11/2014 at 1:14 pm

    Adorei o post! Eu realmente ainda espero que a Laurel tenha uma representação mais decente em Arrow, e nunca entendi porque os roteiristas cagaram tanto a personagem! Ela deveria ser a personagem feminina mais importante e lascaram muito com ela, aliás não foi a única personagem feminina a ser mal representada, fiz um post sobre isso.
    Sobre a Sansa, eu quero escrever sobre ela faz tempo! Eu entendo e apoio a falta de paciência com mulheres submissas nas séries, mas que escolha Sansa tem? são seus modos obedientes e dóceis que garantem sua sobrevivência, como culpá-la? Acho complicado criticar a passividade de Sansa e cobrar empatia com mulheres vítimas de opressão, porque não empatizar com TODAS (incluindo Sansa). Aí entra minha segunda teoria: o ódio a feminilidade. Eu como feminista critico a imposição de estereótipos de gênero, mas sei que o feminino é sempre visto como inferior e ruim. Sansa tem todas as características femininas que a sociedade espera de uma mulher. As pessoas entram uma atmosfera de contradição: criticam a imposição da feminilidade, mas odeiam Sansa por ser feminina, e o ódio ao feminino tem um nome> misoginia. Caminho perigoso.

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    Amanda
    21/09/2015 at 9:43 am

    Gostei do seu site, repleto de conteúdo de qualidade para nós leitores. Continue postando!

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