Literatura

Persépolis, Marjane Satrapi

Nunca me aventurei na área de graphic novels sem serem aquelas passadas no mundo dos heróis, como as histórias de Alan Moore ou a série Sandman, porém comecei ter um apreço maior por elas tanto por indicações de amigos ou vendo resenhas alheias na interwebs. Vi que, do contrário do que muitos pensam, há um número enorme de quadrinhos que não abordam a temática citada anteriormente, e decidi me aventurar neste mundo diverso, inexplorado e julgado preconceituosamente por ser coisa de criança.

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A resenha que vos trago hoje é sobre a graphic novel Persépolis, escrita e protagonizada por Marjane Satrapi, cujo o seu nome real é Marjane Ebihamis. O quadrinho conta a sua história da infância até a vida adulta, num controverso e polêmico mundo do islã, no país do Irã.

Já no início da obra é notada a inocência da personagem, característica da maioria dos infantes, vivendo num mundo bastante religioso e politizado. Marjane acreditava que era o novo Messias e que se comunicava abertamente com Deus constantemente. Sua família era considerada bem moderna e pouco conservadora, mesmo nos padrões antes da revolução islâmica no país em que vivia. Logo no começo de sua vida se viu obrigada a usar o véu, a ser censurada no que falava e não poderia mais dividir a sala de aula nem a escola com amigos do sexo masculino.

A autora não só demonstra sua vida pessoal como também o passado e o presente do seu país. Apesar de todas as pressões políticas, sociais, principalmente machistas impostas pela religião, e as incontáveis guerras. é claramente visto que ela amava sua terra e só sairia de lá por motivos de força maior. É visto que sua família era contra os preceitos do seu país, tanto seu avô quanto seu tio foram mortos por lutarem pela revolução do Irã. Assim como muitos e muitos outros.

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Como o quadrinho retrata a vida de Marjane, vemos um ritmo normal característico da vida mesmo, quando criança houve a revolução no país e tudo para ela era muito novo. Quando adolescente ela sentiu um impacto maior, por seus pais serem bem liberais, sua educação foi nada conservadora, do contrário dos costumes da sociedade em que ela vivia. Sendo assim, seus gostos e atos de rebeldia quase lhe custaram a vida diversas vezes e assim, teve que ser transferida para a Europa.

Lá ela passou por diversos problemas, por ela ser uma outsider ninguém a aceitava, julgavam de maneira preconceituosa, e mesmo os que “gostavam” dela só estavam com ela por ser rebelde e ter presenciado a morte. Como alguns jovens, Marjane teve problemas com sexualidade, drogas e auto aceitação. Só quando ela voltou para o seu país, na casa dos 20, é que ela começou a amadurecer, e acabou por tomar um rumo na vida, por assim dizer.

O traço da obra é bem singular, tudo preto e branco, o que é bem característico da sua própria cultura, em que não existe meio termos, nem tons de cinza. Além disso, vemos desenhos bem crus, pouco detalhados, que foi a melhor forma de representar a vida dura que ela levou.

Persepólis é uma obra além de emocionante, é extremamente informativa, já que nós ocidentais não conseguimos enxergar o dia a dia de pessoas que vivem em países islâmicos. Além do mais, vemos o porquê disso com fatos históricos bem colocados e embasados, de certa forma tomamos do nosso próprio veneno. É uma história que gera reflexão, principalmente por parte das mulheres, que até nos dias de hoje sofrem com o machismo e opressão.

informações

Cortesia da editora para resenha.
Título: Persépolis (Completo)
Autor: Marjane Satrapi
Tradução: Paulo Werneck
Número de Páginas: 352
Edição: 2007
ISBN: 9788535911626
Editora: Quadrinhos na Cia
Preço: R$49,90
Classificação: ★★★★☆

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