Literatura

Penadinho – Vida, Paulo Crumbin e Cristina Eiko

Por Ícaro Yure

Quem aqui, leitor assíduo ou não, em algum momento da vida não teve contato com algo relacionado ao universo criado pelo cartunista Maurício de Sousa?! Fez parte do meu processo de alfabetização e achava a etapa mais divertida do processo fazer os barulhos referentes as onomatopéias, que eram bastante frequentes nessas revistinhas. E já demonstrava minha inclinação para curtir coisas “weirdos” nesse tempo, pois pirava nas historias do Penadinho e sua turma, achava o Du Contra um personagem fantástico e admirava a capacidade do Louco em destruir as faculdades cognitivas das pessoas. (risos).

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Sidney Gusman, muito conhecido no mundo dos quadrinhos por ser o editor chefe do Universo HQ, conseguiu convencer o Senhor Maurício a ceder seus personagens para que os mesmos fossem adotados e reinterpretados por outros artistas, que seriam os responsáveia por aplicarem seus traços e suas visões sobre eles. Eis que surge meus jovens a Graphic MSP e uma nova coleção para os aficionados pelo universo da Turma da Mônica.

Mas devo confessar que com o passar do tempo houve um afastamento “natural” e passei uns bons anos ignorando coisas relacionados a “dentucinha” e sua turma, até que uma publicação específica me chamou deveras a atenção e me fez “morder a língua” e vir aqui dividir essa experiência com vocês.

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Foi somente na sétima revista da Graphic MSP que eu pude perceber como esse projeto vai além de simplesmente mais um empreendimento “caça níquel”, porque venhamos e convenhamos colecionadores são bichos exóticos e às vezes o prazer do colecionar sublima a qualidade do material anexado, em poucos miúdos “Eu preciso dessa capa super estilizada na minha prateleira…”. “Penadinho – Vida” é desenhado e roteirizada por Paulo Crumbin e Cristina Eiko, que já são bastante conhecidos por publicarem os Quadrinhos A2 (pesquisem pessoas porque vale à pena), de forma independente, onde eles fazem uma espécie de relato autobiográfico da vida de casal, com muito humor e referências ao universo pop, obtendo assim bastante reconhecimento no meio especializado. Além de terem participado da produção de algumas animações tais como “Asterix e os Vikings” (2006) e “Uma história de amor e Fúria” (2013). Competência e bom currículo nós sabemos que eles tem.

O enredo de “Penadinho – Vida” é basicamente isto: certa noite a Cegonha vem ao cemitério à procura de Alminha para avisá-la que ela irá reencarnar. Penadinho ao receber a notícia, entra em desespero, pois a 30 anos ele nunca teve coragem de abrir seu “coração” a Alminha, dizendo-a o que sentia por ela, resolvendo assim fazer todas as coisas que tinha prometido a sua amada nesses 30 anos de uma vez só. Uma da sprimeiras promessas a serem cumpridas é a de levar Alminha ao cinema, o que acabou sendo um “tiro no escuro”, pois fazia 30 anos que ele tinha passado por perto do cinema e o mesmo já não se encontrava onde ele achava que estaria, Penadinho deixa a sua amada sozinha e parte à procura do cinema, onde logo em seguida a mesma é abordada por dois sujeitos risonhos (Amaimon e Pazuzu) que a sequestram e à levam para seu chefe, um sujeito malvado, de coração gelado, que atende pelo nome de Senhor Crowley (sacaram a referência?!), um senhor de ações bastante duvidosas. A partir do sumiço de Alminha, a turma do cemitério resolve se unir e partir em busca da desaparecida. Frank, Zé Vampir, Muminho, Morte, Cranícola e Lobi demonstram o real significado de amizade.

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O trunfo de “Penadinho – Vida” são as várias referências do universo de terror que estão presentes na obra, assim como alguns “easter-eggs” que estão espalhados pelos cenários super coloridos. O roteiro apesar de ter um desfecho bastante óbvio (gente isso é txurminha da Mônica), tem como premissa algo que vocês não encontram facilmente nas revistinhas do gênero: é uma questão de Morte ou Vida. Nunca viver apertou tantos corações na turma do “fantasminha camarada”. A história apesar de leve, tem uma narrativa coesa, com bons diálogos, humor na medida e novas releituras dos personagens que os deixaram bastante cativantes. Apesar de ser uma estória bem “age appropriates” os autores não se restringiram e ousaram ao utilizar os elementos do terror da forma que foram dispostos na “revistinha”, o que acaba sendo mais um ponto positivo. Os traços lembram bastante os mesmos utilizados nas HQs Japonesas/Mangás e nas animações japonesas, assim como também por suas coloração. A HQ possui dois formatos: você pode encontrá-la tanto com capa cartonada quanto com capa dura. Corram já às bancas e adquiram a sua, pois vale o investimento.

informações

Cortesia (do autor/da editora) para resenha *OPCIONAL
Título: Penadinho – Vida
Roteiro: Paulo Crumbin e Cristina Eiko
Ilustração: Paulo Crumbin e Cristina Eiko
Número de Páginas: 80
Edição: 1ª – 2015
ISBN: 9788542602135
Editora: Panini Comics
Preço: R$31,90 (Compre com desconto aqui)
Classificação: ★★★★☆

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