Literatura

Obsidian (Lux #1), Jennifer L. Armentrout

Pensa em Crepúsculo. Agora, troque os vampiros por aliens. Voilà, você tem a série Lux.

Obsidian

Apesar dessa minha introdução nada chamativa, ela não é, exatamente, um ponto negativo. Por que? Bom, simplesmente essa autora conseguiu fazer tudo o que deu errado em Twilight dar um pouco certo aqui.

Um pouco. Só um pouquinho.

Katy acabou de se mudar para Virginia e, como uma garota comum da Flórida, ela precisa se acostumar ao fim do mundo em que foi parar. Mesmo com a troca de cidade, ela não conseguiu abandonar sua grande paixão: blogar sobre livros. Preciso dizer que a autora acertou em cheio o coração de bloggers e vloggers literárias? Não, né? Imaginei. Ver que uma personagem de livro pode compartilhar esses momentos tão automáticos de nossas vidas–como a gravação de um In My Mail Box ou escrever uma resenha, como esta–torna a história de Katy um pouco mais próxima de nós.

Sacada de gênio, não acham?

Once I got home, though, and saw several packages on my front porch, all the crap from the day disappeared. A few had smiley faces on them. Squealing, I grabbed the boxes. Books were inside– new release books I’d preordered weeks ago.

Mas a normalidade acaba aqui. A vida tranquila da nossa protagonista acaba quando ela conhece Dee e Daemon, os vizinhos da casa ao lado. Sua amizade com Dee é feita instantaneamente, já que a irmã de Daemon é simpática e adorável, além, de claro, refletir a beleza exorbitante de seu irmão gêmeo. Seu primeiro contato com Daemon é faiscante, entretanto; eles não se dão nada bem.

E, claro, Katy sente uma atração imediata e inexplicável por ele. Claro. Daemon é um smart asshole que não perde a oportunidade de fazer comentários sarcásticos e cretinos. Acredite, a semelhança aqui com The Vampire Diaries é talvez não mera coincidência. Enquanto Katy, que sempre se comportou muito bem e estava acostumada com suas atitudes de uma boa menina, se vê respondendo atrevidamente as provocações desse vizinho de olhos esmeralda brilhante.

“You’re such an ass. Has…anyone ever told you that?”
He flashed a genuinely amused smile. “Oh, Kitten, every single day of my blessed life.”

Confesso que senti muita falta de um YA com esse plot, onde os personagens principais aparentemente se odeiam, mas usam deste artifício para esconder a atração estratosférica que sentem. Porque, verdade seja dita, a tensão sexual desses dois aqui é palpável.

Mas o problema disso, neste livro, é que, aparentemente, não existe espaço para nada nem ninguém a não ser Daemon. A história é escrita em primeira pessoa, pelo ponto de vista de Katy e a repetição de cenas com os dois personagens é tão constante que nos questionamos se a protagonista tem uma vida além dele. Chega a ser chato.

“I’ve always found that the most beautiful people, truly beautiful inside and out, are the ones who are quietly unaware of their effect.”

Apesar da atração inexplicável por Daemon, Katy começa a perceber coisas estranhas acontecendo ao seu redor. Como o fato dos irmãos comerem basicamente o tempo todo ou porque eles se movem de uma maneira assustadoramente rápida. Ou ela começa a perceber coisas estranhas acontecendo porque começa a desmaiar na companhia de Daemon. E isso não pode ser considerado nada bom.

Nada bom mesmo.

Até que Katy é quase atacada e Daemon a salva inexplicavelmente. Todo o mundo dos irmãos Black é exposto para Katy, e ela precisa lidar não só com a estranheza de ter vizinhos aliens que podem parar o tempo e se transformam em fontes de energia esplendorosas. Lidar não com o fato de que eles a podem matar com um piscar de olhos, mas com o fato de estar pondo toda a raça deles em perigo. E ela não quer, exatamente, que isso aconteça. Pelo bem de Dee e, porque não?, pelo bem de Daemon.

“Some powers come more easily to others, but Matthew rocks at reading energies.”
“What?” I set my fork back down. “Our biology teacher is an alien? Holy crap…all I can think of is that movie The Faculty.” Dee choked on her orange juice. “We don’t snatch bodies.”
I hoped not.”

Confesso que não entendi muito bem a alta classificação que Obsidian recebeu no goodreads. A história é bem clichê, apesar de prender a atenção do leitor com facilidade, e não possui uma escrita maravilhosa. O excesso de gírias e de parágrafos incomodaram um pouco e não vamos nem entrar em detalhes de concordâncias, por favor.

Lembram que falei das semelhanças com Crepúsculo? Bem, elas são sutis, mas, eventualmente, você tem um feeling do que irá acontecer depois e acaba percebendo que já conhece essa história. Apesar dessa base pré-moldada e “copiada”, Katy é bem diferente de Bella, sendo uma protagonista forte e que não tem medo de dar socos e patadas em alienígenas que a querem matar.E Daemon passa longe de ser um Edward.

Mas, afinal de contas, isso é YA de fantasia, ou seja, é entretenimento. Não vai mudar a sua vida, mas é bem divertido. Bem recomendável para aquele fim de tarde entediante ou para entrar na pilha de leituras das férias.

E, mesmo algumas pesquisas de fandos apontando Daemon como a maior crush do YA sobrenatural, ainda não entendo como ela ganhou do Dimka. Sério. Eu só consigo pensar que Dimitri é um smart badass, enquanto Daemon é um smat asshole. Fim. Ou não, já que a série possui seis livros.

Obsidian ainda não possui lançamento previsto no Brasil.

Informações


Título: Obsidian (Lux #1)
Autor: Jennifer L. Armentrout
Editora/Selo: Entangled Teen
Nº de Páginas: 361
Edição: 1ª – 2012
Preço: US$8,99
Classificação: ★★★☆☆

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7 Comments

  • Reply
    Mareska
    29/07/2013 at 2:40 pm

    Não tenho saco pra aliens que se disfarçam de adolescentes, a não ser que seja a série Roswell.
    Mareska recently posted..O banner do blog e a MarteMy Profile

    • Reply
      Thayná
      07/08/2013 at 2:44 pm

      Eu não tinha saco para aliens no geral, mas dei uma chance. :)

  • Reply
    Joshua Guimarães
    30/07/2013 at 2:12 pm

    Sinceramente, tava muito interessado nesse livro, até mesmo porque, achei a proposta da autora – aliens – diferente para um YA Book, mas parece que caiu na mesmice a história. De qualquer jeito, se lançarem aqui no Brasil, vou ler para tirar minhas conclusões, meso não gostando muito desse estilo sobrenatural e tal – só a trilogia Halo da Alexandra Adornetto que eu li e gostei um pouco.

    Abraços, Joshua Guimarães
    Blog Pensamentos do Joshau – pensamentosdojoshua.blogspot.com

    • Reply
      Thayná
      07/08/2013 at 2:48 pm

      Hm, isso é bem verdade. O plot da história poderia ser magnífico–se não fosse o romance exagerado–, mas também temos que notar que a autora se perdeu um pouco. Não são nem tantos personagens assim, mas, é como disse, ela foca demais no romance e esquece, as vezes, do resto. Lendo o primeiro livro, dá a impressão de que a personagem principal não tem uma vida, a não ser nos momentos em que está com Daemon, está pensando no Deamon ou está com a irmã do Daemon. Entende? E o pior é que você acaba querendo que as cenas com ele cheguem logo porque todo o resto fica chato. E fazer uma história se depender de um personagem, que nem é o principal, pra ficar boa… não é uma boa história, certo? :)

      Obrigada pelo comentário, Joshua!

  • Reply
    Sam
    05/08/2013 at 12:39 am

    DAEMON BLACK, THO. Eu meio que quero que tragam esse livro pro BR porque mais pessoas tem que sofrer com ele e etc. Tem que dividir a dor, né.

    • Reply
      Thayná
      07/08/2013 at 2:49 pm

      Sofrimento. Esse é o trato.

  • Reply
    Camilla Lobianco
    14/08/2013 at 8:36 pm

    Nunca ouvi falar, mas gostei. Não deve sair por aqui tão cedo… gosto da premissa por mais porcaria que seja, hehe. Aliens, gatos e yas…. :)

    ssentrelivros.blogspot.com.br

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