Literatura

O Universo Contra Alex Woods, Gavin Extence

Sabe quando você dá glória quando seus pais não estão em casa porque daí eles não podem te ouvir chorar? Então.

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O universo contra Alex Woods tem como protagonista (SEGURA O SUSPENSE) Alex Woods, um jovem de 17 anos que, quando mais novo, foi atingido por um meteoro. Conhecemos o moço no meio de uma complicação séria com a polícia, já que ele foi pego com drogas ilícitas e as cinzas de um homem enquanto tentava atravessar a fronteira, e, a título de esclarecimento, temos a explicação correta dos fatos que levaram Alex até sua situação atual, sem poupar detalhes sobre os acontecimentos – contando tudo o que seus interrogadores não se importam em saber. E com uma história aparentemente simples sobre uma amizade inusitada, Gavin Extence criou uma obra que trata muito bem dos estranhos acasos da vida, e os lugares até onde eles podem nos levar.

Sinto que devo começar dizendo que Alex Woods não é pra todo mundo. E sei disso por experiência, visto que Chefinha Thanny não conseguiu enfrentar a leitura e por isso acabei com o livro em mãos, e, depois de terminar, devo dizer que a senhora minha chefa foi otária porque QUE HISTÓRIA, AMIGOS (favor não me demitir, chefa). Da próxima vez preciso enfrentar algo que não vá me estragar tanto emocionalmente, mas não me arrependo de nada porque QUE HISTÓRIA, AMIGOS.

A morte é a coisa mais fácil do mundo. É só morrer que é terrível.

Gavin Extence sabe o que está fazendo. A narrativa é fantástica e bem visual, tornando fácil imaginar os cenários e situações. Desde o começo a escrita me fisgou, mantendo minha atenção até o fim, e não queria parar de ler mesmo quando precisava – eu estava muito interessada no que rolava e não sabia ao certo a razão. E é difícil não se envolver com a história, os personagens, a jornada, ou cada palavra ali contida. Gavin sabe o que está fazendo, sim.

Verdade seja dita, tudo sobre Alex Woods me pegou de surpresa. Estava adorando a leitura e não sabia, me apegando aos personagens e não sabia, chorando porque me apeguei aos personagens e nem tinha reparado. Foi estranho. Em momentos mais tensos, queria passar as páginas para saber se tudo acabava bem porque o desespero foi quase imediato; nas partes tristes o único jeito de aguentar era tacando a cara num travesseiro para não fazer muito barulho soluçando. Quando alguém estava sendo injusto com alguém que eu me importava? O travesseiro cheio de lágrimas voava pelo quarto porque a raiva era real. Me afetou DESSE jeito, dessa magnitude, e isso não é tão fácil de fazer.

(…) nós, o mundo civilizado, estamos espelhados em duas grandes guerras no deserto, e, pelo que eu vejo na televisão, os homens lutando essas guerras são amplamente tomados como heróis. Temos submarinos nucleares armados com bombas que poderiam arrasar cidades, e muitas pessoas civilizadas concordam que isso é prudência – visto o quão são considerados não civilizados muitos outros países (e todos os seus habitantes).

Os indivíduos que formam a história são, em sua maioria, peculiares, e muito humanos. Vendo o mundo com os olhos de Alex, o leitor tem uma boa ideia sobre a índole do garoto, e a forma que sua inteligência e inocência são apresentadas é muito bacana. Seu amadurecimento é evidente conforme a narrativa avança, e não tem como não torcer para que tudo dê certo para ele no fim. Sr. Peterson, o velho rabugento que se torna uma importante peça nos acontecimentos da vida de Alex, é tão interessante de ler sobre, de observar o crescimento de sua amizade com o menino, e de sua camaradagem em geral. A mãe do protagonista, cheia de suas estranhezas, também é legal, imprevisível como só; o mesmo pode ser dito sobre a jovem Ellie e o pessoal que não tem tanto destaque assim. Mesmo com suas falhas, cada um deles tem diversas qualidades, e sua humanidade é risível.

Como disse lá no começo, Alex Woods não é pra todo mundo. A escrita é bem detalhista, e, sendo do ponto de vista de uma pessoa inteligente, tende a se jogar em termos técnicos demais. Outras vezes o autor quer contar várias coisas ao mesmo tempo, o que acaba sendo muita informação de uma vez só e pode confundir um pouco. O ritmo constante da narrativa meio que se perde no final, talvez como uma necessária ironia, mas nada que estrague a experiência.

É possível encontrar ordem no caos, e é igualmente possível encontrar caos sob uma ordem aparente. Ordem e caos são conceitos fugidios. São como pares de gêmeos que gostam de trocar de roupa de tempos em tempos. Ordem e caos frequentemente se misturam e se sobrepõem, o mesmo ocorre com começos e finais. As coisas em geral são mais complicadas ou mais simples do que parecem. Frequentemente  dependem da nossa perspectiva.

Só acho que autores deviam pensar melhor antes de escrever, porque, vamos aceitar, é complicado ler enquanto lágrimas não param de cair. Pensem nas nossas visões embaçadas e nos nossos pobres corações, por favor!!!! Ah, e deem uma chance para O universo contra Alex Woods, porque pode valer tanto a pena para você quanto valeu pra mim. E é bem interessante pensar na sucessão de acontecimentos que fez com que eu lesse esse livro – mas estou bem grata que o tenha feito.

informações

2Cortesia para resenha.
Título: O universo contra Alex Woods
Autor: Gavin Extence
Tradutor: Santiago Nazarian
Número de Páginas: 400
Edição: 1ª – 2014
ISBN: 9788532529022
Editora: Rocco
Preço: R$39,60
Classificação: ★★★★½

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