Textos

O preconceito contra YA

Esse post faz parte da semana do “Não julgue um livro pelo preconceito”, criado pelo “Eu li, e agora?”, que promove o fim do preconceito no mundo literário. O Who’s Thanny e outros seis blogs foram convidados para falar sobre o preconceito que nós vemos, sentimos, e temos. Como existem muitos preconceitos, nós decidimos começar falando sobre o preconceito contra livros Young Adult – os livros destinados à jovens adultos, que nem sempre são lidos apenas por jovens.

A ideia por trás da semana “Não julgue um livro pelo preconceito” é mostrar que não vale a pena julgar um livro se baseando apenas no gênero a que ele pertence, nem julgar uma pessoa pelo que ela lê. Achar um livro uma porcaria é um direito de todo mundo, mas achar que alguém só lê porcaria porque gosta de um gênero que você acha bobagem é preconceito. Queremos que as pessoas saiam da zona de conforto literária e desconstruam/entendam os próprios preconceitos.

 

Você vai encontrar os posts nos seguintes blogs ao longo da semana:
banner

 

Livro de adolescente.

Romance bobo.

Livros sem profundidade, sem conhecimento, sem uma escrita boa.

Se você já ouviu algo nesse estilo sendo falado sobre livros Young Adult, você já sabe do que eu irei falar: a ideia de que apenas livros feitos para adultos, de ficção científica ou de romance, que falam sobre os problemas do mundo e como todos somos super inteligentes e sabemos resolver nossos próprios problemas, que são livros de verdade.

Mas por que existe esse preconceito, vocês me perguntam? Porque as pessoas gostam de generalizar.

Digamos que você tenha uma experiência ruim com um atendente de uma loja. Você vai acreditar que todos os atendentes da loja são tão mal educados quanto aquele que te atendeu, certo? É isso que faz com que as pessoas acreditem que Young Adult se resume em livros simples, sem conteúdo, que falam sobre romances bobos – a ideia de que UM livro (ou vários) que se encaixem nesse gênero, são a definição do gênero.

Durante uma entrevista sobre sua personagem Mia, do livro Se eu ficar, Chloe Moretz comentou o seguinte:

 

O livro de Gayle Forman (Se eu ficar) pode ocupar uma certa parte da livraria, mas Chloe Moretz (que faz a personagem Mia) não ama a designação de “Young Adult”. Ela acredita que isso diminui o valor do livro.

“O que é interessante no livro de Gayle Forman é que não é tão Young Adult. O livro lida com problemas que são tão maiores… É muito mais sombrio do que eu acho que a maioria dos YA são,” diz Moretz. “Eu quero que as pessoas entrem e sintam que elas realmente sentiram algo, e aprenderam algo, e descobriram algo diferente sobre a vida.”   (Tradução livre)

 

O maior problema com isso é a ideia do que significa Young Adult. Não estou dizendo que não existem livros nessa categoria que sejam justamente no estilo que Chloe Moretz mencionou. Mas uma classificação abrange muito mais do que apenas um tipo de livro.

Porque Young Adult não são apenas livros de romance. Porque livros da sessão Young Adult falam sobre problemas como suicídio, problemas emocionais, tentativas de fugir da própria realidade, viver em um mundo que não te aceita simplesmente por você ser quem é, viagens que mudam a perspectiva de vida, e tantas outras coisas.

Porque também não são apenas sobre um fato ou um garoto que mudou uma vida – falam sobre como os personagens se vêem, como são as relações deles com outras pessoas (sem ser romanticamente), falam sobre descobertas, e muito mais. E vai me dizer que a vida não é repleta de tudo isso?

A verdade é que a classificação de Young Adult apenas existe por conta da idade dos personagens – ou seja, personagens jovens. E que, por exemplo, não chamariam tanto a atenção de crianças – mas chamam a atenção de adolescentes, jovens, adultos, e até os mais velhos. E não existe um limite de idade para gostar desses livros – inclusive, a maioria dos que lêem livros YA são adultos.

E afinal de contas, qual é o problema se o livro for sobre um romance bobo, um triângulo amoroso, ou sobre uma vida simples sem “pensamentos complexos”? Um livro é escrito e lido por diversão – e ninguém deveria ditar o estilo de diversão que o outro gosta. E é tão raro uma pessoa gostar de ler, portanto se gosta de uma leitura simples ou uma leitura complexa, o que importa é que a pessoa está lendo, se infiltrando naquele mundo imaginário, e o mais importante: gostando.

Postagens Relacionadas:

You Might Also Like

4 Comments

  • Reply
    Fernanda Nia
    July 15, 2014 at 3:23 pm

    Concordando veementemente com o seu artigo. Queria poder curtir mil vezes, hahahahah. Young Adulto for the win!
    Fernanda Nia recently posted..Pós-CopaMy Profile

  • Reply
    Maressa
    July 19, 2014 at 4:22 pm

    Gostei bastante da iniciativa de vocês e esse tema me fez refletir. Aproveitei até para participar dessa semana e escrever sobre o assunto no meu blog.
    Infelizmente, além do preconceito literário, existe o preconceito com os leitores.

    Maressa – A Aspirante ?
    http://maressaaaspirante.blogspot.com.br/2014/07/preconceito-de-leitores-e-nao-leitores.html
    Maressa recently posted..Preconceito: de leitores e não leitoresMy Profile

  • Reply
    Semana Literária: "Isto não é um livro!" - Who's thanny?
    April 14, 2015 at 11:01 am

    […] O preconceito contra YA […]

  • Leave a Reply

    CommentLuv badge