Música

O melhor do Lolla 2014

Por Equipe

lollapalooza
É galerinha, a dor do parto dói, mas o Lolla 2014 teve que partir. Depois de dois dias de muito sol de dia, frio de noite e – principalmente – música, o fim da noite de domingo bem parecia o final de Walking Dead: todo mundo bem morto, bem triste de ter que voltar para suas respectivas rotinas, e bem prontos para fazer tudo outra vez.

Nossa equipe participou do festival lá em Interlagos e também em casa e vem hoje contar para todo mundo o que rolou de bom, o que rolou de não tão bom, o que a gente quer ver no próximo e, claro, deixar aquela playlist esperta para todos aqueles que, como nós, já estão mortinhos de saudades.

O pior do Lolla

Meu Deus, como é longe

se ilude aí bestão
Poucos dias antes do festival saiu a notícia que a caminhada de palco para palco chegava à 30 minutos. Na realidade não foi exatamente assim, mas a distância era imensa comparada ao Lolla no Jockey Club, e muitas pessoas perderam o começo de alguns shows pela longa caminhada e a quantidade de pessoas no mesmo lugar. O primeiro dia foi o real problema, a capacidade do autódromo gerou uma lotação no festival, muitas pessoas para um espaço que já era enorme, algo que precisa ser mudado na hora de decidir a quantidade de ingressos; festivais não foram feitos para serem lotados ao ponto de desconforto. Para sair do Palco Onix e chegar ao Skol já era um grande trabalho, com MUITAS pessoas fazendo o mesmo caminho era pior ainda, mesma coisa com o Palco Interlagos. Ao mesmo tempo que a distância gerou problemas com os horários, o clima de um festival internacional estava mais presente. Tanto Coachella e Glastonbury trabalham com lugares grandes, com palcos distantes para não arriscar choque de som, e sim, sempre terão shows que baterão os horários, isso pode ser resolvido com um pouco de bom senso daqueles que criam o line-up, mas nunca completamente. No segundo dia a distância não atrapalhou tanto, já que a quantidade de pessoas era menor, mostrando a boa organização que tinham com um número apropriado de pessoas. Ir de um palco para o outro era cansativo, mas dava espaço para novas atrações, para barracas de alimentação e principalmente para os lindos morrinhos que deixavam os mais cansados assistirem aos show sentados e com uma boa visão. No geral, o que mais incomodou foi a grande lotação do primeiro dia, mas isso pode ser facilmente resolvido pela organização.

Banheiro químico

Eu apelidei os banheiros de Rio de Janeiro. Eu moro no Rio, eu posso falar. Porque você SABE que Ridijanero tem um cheiro duvidoso em quase sua totalidade. Não, não pense na Barra ou na Zona Sul. Como qualquer área nobre, elas não contam. Ir ao banheiro era como pegar a Linha Vermelha para entrar na Ilha do Fundão: o odor SEMPRE batia de frente com a sua cara e você se via dando aquele passinho maroto para trás.
Os banheiros eram reclamação nos dois anos anteriores e continuam na lista de Piores do Lolla. POR QUE não podemos ter algo como os banheiros do Rock in Rio??? Que não eram uma coisa que se diga “meu Deus, parece o banheiro de casa!” mas já era muito melhor?? Por que, Perry??? :(

Julian Casablancas

julian casablancas

“Esse show do Julian Casablancas ta muito ruim!” disse a mensagem que recebi da mãe da minha amiga. A mãe da minha amiga que cresceu no berço do rock ‘n roll e que criou minha amiga no berço do rock ‘n roll. “Que dó de vocês”, ela disse depois. Eu sei, também acho. Que dó dá gente. Vejam bem, não foi uma questão de “você não conhecia a banda, por isso não gostou.” Eu, By, também não conhecia Capital Cities ou AFI ou Phoenix (sue me), e gostei MUITO dessas bandas. Porque acima de tudo a qualidade musical deles ao vivo é maravilhosamente impressionante. Ouvir Julian doeu. Literalmente. Ao final de sua uma hora de barulheira, não somente eu e minha amiga, mas muitos estranhos que viram BFFs de grade estavam dando graças a Deus pelo sossego, porque todo mundo estava meio surdo. Já se foi o tempo de bandas de garagem com som de segunda qualidade. O Lolla te dá estrutura para que seja possível o público entender a letra das músicas.
Teve quem gostou? Sim. Os fãs da banda, que estavam loucos para vê-los ao vivo. Os fãs, que ficaram ofendidissimos quando viram que muita gente não estava curtindo, e tentaram ofender os outros de volta (“Quer falar mal de Julian gostando dessa ~~bandinha~~ que você gosta?” Amiga, você ta tentando me ofender? Quer que eu comece a cantar Beijinho no Ombro pra ti?). Os fãs, que já sabiam a letra por terem ouvido o album de estúdio, por isso não precisavam tentar adivinhar o que saia da boca do vocalista.
Se eles conseguiram ganhar novos fãs? Do jeito que a galera tava debandando e morrendo de tédio? Hell no.
Não foi dessa vez.

Shows no mesmo horário, WHY

Mas pensando melhor, pior do que uma banda com equalização ruim, levar pelo menos quarenta minutos de um palco a outro ou ter que usar um prendedor no nariz na hora de ir ao banheiro, com certeza foi o horário dos shows. Nunca senti tanta saudades da edição de 2012 do Lolla como quando vi todos os artistas que eu queria assistir no sábado em palcos separados e – pior que isso – horários para testar a capacidade de escolha alheia. T4F, chega mais, deixa eu te contar uma coisa: ESSE TIPO DE COISA NÃO SE FAZ!!!!!
Muita gente se viu obrigada a escolher entre duas atrações do coração. Eu, pelo menos, tinha três prioridades: Muse, Ellie e Arcade Fire. Mas, oh Deus, como eu queria ver Lorde! Jake Bugg, Pixies, Imagine Dragons! Ficou difícil, viu. Quando os shows não eram em mesmo horário, eles tinham 5, 10 minutos de diferença e eram em palcos opostos. Conclusão: só a ideia da migração fez muita gente desistir de assistir muita coisa (vide tópico da distância).
Só nos basta esperar que o T4F coloque a mão na consciência, porque assim não dá.

O melhor do Lolla

Comer, comer é o melhor para poder crescer

Se existe uma coisa que eu reclamei aos prantos em 2012 foi a comida. Hot Pocket por R$8,00 não dá, né gente?
Esse ano, com a graça do bom Deus, comer foi uma benção. Ta bom que o prato mais barato – pastel, pipoca, 8 tirinhas de frango – era R$9,00, mas esse é um preço que se espera pagar em eventos. A questão é que, dessa vez, a variedade era tanta e tão linda que quase me levou aos prantos mais uma vez. O Chef Stage foi uma tirada de mestre. Você teve que pagar 18 reais num hamburguer? Na hamburgeria o próprio tem um acréscimo mínimo de 10 reais e, COME ON, WHO CARES? Em 2014, o público comeu bem. Não sei se meus amigos e eu demos sorte, mas sempre encontrávamos algum ambulante – seja de batata frita, seja de água -, sempre encontramos lixeiras e não tivemos muito problema além de preguiça para pegar fila.
O único contra foi a Pepsi. Pfvr, Pepsi não é de Deus e Pepsi é pra cortar os pulsos. REPENSE, T4F.

Capital Cities

capital cities

Pensa naquela banda que de repente você sacou que MDS, SEUS LINDOS! :O
Capital Cities chegou às duas da tarde no Palco Skol, num sábado de sol escaldante e colocou todo mundo pra dançar, mesmo que você, como eu, não soubesse nenhuminha música deles (eu não conhecia nem Safe and Sound, gente, sou uma falsa usuária de tamble). Uma mistura eficaz de Bee Gees com Daft Punk, eles foram surpreendentemente limpos e cativantes. Para quem resolveu assistir os caras porque era o que tinha pra hoje, saí morta de amores.

Ellie Goulding

ellie goulding

Você sabia que precisava de um show da Ellie Goulding na sua vida? Eu não sabia até eu ESTAR num show da Ellie Goulding. O que eu sabia era que ela é muito amor, que ela tem um controle vocal impressionante e que sua presença de palco é contagiante. Talvez a artista mais pop dos dois dias de festivais – uma artista que surpreendeu ao ser posta o palco principal -, Ellie se superou. Ellie foi linda, cantou, pulou, seduziu e até arriscou um twerk. Ela entrou de camiseta personalizada do Brasil e mandou hits para agradar posers e fãs. Quem não a conhecia, se apaixonou imediatamente. Quem “conhecia” resolveu que devia conhecer – sem as aspas. Quem já a tinha na lista de melhores pessoas, chorou metade do show. Arrasou.

Phoenix

phoenix

A banda francesa era uma das atrações principais do palco Skol no segundo dia, e não decepcionou at all. O show foi lindo, bem coreografado, com um som ótimo e cheio de carisma da banda, e valeu a pena para os fãs que esperaram por alguns anos até a volta deles. Phoenix surpreendeu na sua capacidade de cativar todos que estavam lá, sejam os que não conheciam, os fãs, ou os que esperavam pelo Muse; a apresentação não deixou a desejar e foi lindamente memorável. Lisztomania, Lasso, 1901, Entertainment…a galera pulando com essas e outras mostrou o quão bem recebidos foram pelo público brasileiro, deixando o vocalista Thomas sem palavras sobre a quantidade de pessoas presentes, e agradecendo sempre que podia. O setlist foi perfeito, com músicas inesperadas como Love Like a Sunset, manteve o clima animado mas não perdeu a assinatura da banda. Com certeza um dos melhores shows do festival, e um dos melhores que já fui ever, ver Phoenix ao vivo é uma daquelas coisas que todos precisam fazer um dia na vida.

Vampire Weekend

vampire weekend

Com um dos maiores públicos do segundo dia, Vampire Weekend foi responsável por um dos shows mais divertidos do festival. Um setlist variado entre seus dois primeiros álbuns e o mais recente (Modern Vampires of the City), manteram o clima durante a apresentação inteira. O simpático e lindo vocalista Ezra, que parava entre músicas para agradecer e conversar, também foi importante para mostrar como a banda estava se divertindo. Mesmo para aqueles que não eram muito fãs ou conheciam pouco, o show foi ótimo. O som do palco Onix estava muito bom, inclusive para aqueles que aproveitaram da colina para assistir de longe. Deixar a galera dançando por 1 hora de show não é pra qualquer um, mas foi isso o que fizeram, e espero muito a volta deles para o Brasil.

Johnny Marr

johnny marr

Uma das atrações anos 80 do festival, Johnny Marr fez um dos melhores shows dos dois dias. Com fãs de todas as idades, foi simpático e divertido, mas sem perder o seu “carisma” britânico. Poucos momentos foram tão lindos quanto Marr tocando músicas de sua antiga banda The Smiths, e agradando a todos que apareceram por lá. Seu setlist foi pequeno, mas o show diário e ensolarado não perdeu por isso. Suas músicas da carreira solo também foram bem recebidas, mas nada como a comoção geral por There is a Light that Never Goes Out e How Soon is Now. Também no palco Onix, o som estava ótimo tanto à distância quanto perto, foi com certeza um dos shows mais bonitos e profissionais do festival.

Muse

muse 1

Muse surpreendeu em vários aspectos. Eles haviam cancelado o pocket show do meio da semana por motivos de Matt com laringite, portanto nós sabíamos que talvez eles não estariam 100% no sábado. No entanto, ainda esperávamos a clássica abertura com Supremacy (um hino de festivais, vamos combinar). Não aconteceu. Muito da setlist foi substituída por B-Sides que poupavam a voz do vocalista e o LIMDHO baixista Chris segurou as pontas com a platéia. É claro que, o Matt tendo voz ou não, nós cantaríamos cada e toda música que eles tocassem, mas não deu pra não sentir falta das canções deixadas de fora (hinos de festival, gente, hinos de festival.)
Deu pra amar tudo, apesar dos pesares. Deu pra chorar com Starlight, Time is Running Out e Madness. Deu pra quase infartar quando o Matt chegou pertinho ou quando Chris cantou Liquid State. Deu para eles serem maravilhosos mesmo sem ser perfeitos.
É Muse, afinal.

Arcade Fire

arcade fire

Vamos resumir assim: MELHOR SHOW DO FESTIVAL INTEIRO, MELHOR SHOW DA MINHA VIDA, MELHOR BANDA ESQUISITA PERFEITA LINDOS MARAVILHOSOS BABY, COME BACK!!!!!!!!!!!!!!!!!
Arcade Fire incendiou! Eles trouxeram faixas que haviam saído do setlist da turnê do Reflektor de volta (Haiti s2), Régine cantou Tom Jobim EM PORTUGUÊS, Wake Up foi um momento épico da vida e o público: cantou, se esgoelou, chorou, dançou e foi muito feliz com a setlist completa, 17 músicas em exatas uma hora e meia de muita alegria e boas lembranças. Pagou o ingresso.
No final, Win ainda prometeu: Se o Brasil ganhar a Copa do Mundo, quando eles voltarem a tocar aqui, vão usar jaquetas da seleção. “You better fucking win, now.” Ele disse. E eu pedi para não levarem nove anos novamente para pisar na nossa terrinha, meu coração não aguenta.

 Guess who chorei vendo esse video e lembrando desses momentos????

Baby, come back! – uma playlist

 

 

Créditos das fotos: I Hate Flash

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3 Comments

  • Reply
    Victória Santana
    April 11, 2014 at 2:21 pm

    Pensei que poderia assistir todo o festival pelo Multishow, mas estive ocupada. Foi uma pena, queria muito ter assistido, só consegui ver o Imagine. E não dava muito pela Ellie, mas se você diz que ela arrasou, por que eu não experimento conhecê-la? kkk

    • Reply
      Byzinha
      April 11, 2014 at 5:55 pm

      Cara, a Ellie é muito amor! Você ouve a voz dela no cd e não acha que ela dê conta de um show ao vivo, mas ela dá totalmente! É lindo! Ouça, super vale a pena! :D

  • Reply
    Who's thanny? » Arquivo Aquecimento Lollapalooza 2015
    March 24, 2015 at 6:15 pm

    […] ser sediado novamente no Autódromo de Interlagos, vale a pena dar uma olhada no nosso post do ano passado para se preparar psicologicamente para as andanças. O novo mapa não é muito diferente do que […]

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