Cinema

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (2012)

Nesse fim de semana que passou, o filme mais esperado do ano (pelo menos por mim) teve sua estreia lindíssima e magnânima, então é aqui no Who’s Thanny? que você verá, em primeira mão, a resenha de uma fã surtada se segurando para não gritar e jorrar lágrimas no teclado do notebook!

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Pois é, meus senhores, essa jornada mais do que esperada por nós, fãs, chegou e nos arrebatou de uma forma que mal consigo explicar. Saí do cinema às 23:45 da sexta-feira, 14 de dezembro, paralisada, tão pasmada que nem consegui chorar. Durante o filme também não surtei. Meus olhos acompanhavam cada linha, cada imagem, cada movimento nas feições de todos os personagens, cada fala e o movimentar dos lábios, tanto que nem tempo para gritar eu tive. É claro que a amiga que foi comigo ficou perguntando coisas e eu, com uma voz embargada, respondia prontamente, mas dentro de mim algo queria chorar, espantar as lágrimas que se guardavam para sabe-se lá que dia. Eu estava maravilhada e ainda acho que estou.

O filme começou com um prólogo: Bilbo mais velho, ainda interpretado por Sir Ian Holm, preparando-se para contar sua jornada a Frodo. Tudo isso nas vésperas do começo da narrativa de Senhor dos Anéis e até vemos a plaquinha “no admittance except on party business” ser pendurada na porta da toca dos Bolseiro. Então vemos a trágica história dos anões de Erebor ser contada, a chegada de Smaug, a luta pela sobrevivência daqueles que ainda restaram e uma leve introdução à liderança de Thorin Escudo-de-Carvalho, o príncipe anão, como por várias vezes é chamado no filme. Assim, logo depois, voltamos 60 anos antes, quando a aventura a ser vivida começa e, oras, a comicidade também. Já somos apresentados a um Martin Freeman naturalmente cômico, confortável na pele de Bilbo Bolseiro e espetacular. Sua primeira cena com Sir Ian McKellen, o famoso mago Gandalf, foi causadora de boas risadas, assim como muitas outras. A leveza do filme, já caracterizada pela narrativa mais suave e, digamos, infantil da própria história de J. R. R. Tolkien, é ainda mais aparente com esses alívios cômicos. Muita gente reclamou disso, pelo visto, pois, como eles mesmos disseram: “não foi assim em Senhor dos Anéis”. É ai que um dos meus argumentos contra tantas críticas entra: O Hobbit não é Senhor dos Anéis. Simples assim. Pode ser difícil não comparar (muito difícil, aliás), mas podemos ver tal diferença ainda nos livros! É a mesma terra fantástica, alguns personagens que já estamos familiarizados com, são as mesmas criaturas, mas não é a mesma coisa. Creio que seja um simples fator de compreensão da obra, mas estamos aqui para falar do filme, então vamos continuar, certo?

Os anões são apresentados e, para não fazer uma resenha extraordinariamente longa, direi que eles já partem para a jornada, falou? Também não quero dar muitos spoilers, oras! Para realizar um filme com melhor continuidade e fluidez, Peter Jackson optou por introduzir certos apêndices, anotações e informações de outras obras de Tolkien no filme. Foi uma jogada de mestre que muitos podem não entender (os fãs mimados, já digo), mas que funcionou maravilhosamente. Exemplos são a aparição de Radagast, o Castanho (Sylvester McCoy), a revelação de que uma energia maligna se ergue sobre a Terra Média na presença de um necromante, que mais tarde é revelado como sendo Sauron, e a aparição de Galadriel e Saruman, fazendo um link genial com a narrativa da trilogia posterior. As modificações, pelo menos por mim, foram absolutamente bem vindas e o roteiro ficou espetacular. Muitos indagaram como diabos Jackson faria para dividir um só livro em três, mas esse filme foi uma afirmação mais do que inquestionável de que ele e sua equipe sabem o que estão fazendo, afinal, como fãs das obras de Tolkien, eles não se permitiriam fracassar.

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Falando sobre o elenco e outros fatores do filme, já posso pular a parte em que Sir Ian McKellen está espetacular em sua volta como o poderoso Gandalf, não? É, posso sim. Isso é quase como dizer “subir pra cima” ou “descer pra baixo”. Freeman, então, assume-se como Bilbo em um de seus melhores trabalhos (não posso dizer muito, pois não sou muito ligada na carreira dele). Sua atuação, certamente, foi inesquecível e impecável. A outra estrela do filme, então, foi Richard Armitage como Thorin, o rei anão em busca de seu lar perdido e sobre as enormes garras do dragão Smaug. Eu, como fã do cara, nunca estive mais orgulhosa. Senti como se fosse um privilégio chamá-lo de ator favorito e, como muitos outros disseram, seu trabalho foi excelente, os close-ups em sua face expressavam a mais pura dor e coragem de seu personagem. Fiquei tão maravilhada que escrevi uma carta pra ele e estou pra mandar (sim, eu estou meio maluca agora)! Dou destaque também para Aidan Turner e Dean O’Gorman, os jovens sobrinhos de Thorin, Kili e Fili. Graham McTavish (Dwalin) também esteve ótimo, Ken Stott como o velho Balin, então! Cate Blanchett, Hugo Weaving, Elijah Wood e Christopher Lee deram um show no pouco tempo em que estiveram em cena e, ahh, como comentar O Hobbit sem falar sobre Andy Serkis como Gollum (ou Smeagol, como preferir)? Melhor criatura em CGI ever! Suas cenas em “Adivinhas no Escuro” foram icônicas, transitando entre o cômico e o apavorante. E eu ainda estou falando “Bagginses” por causa dele.

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A fotografia ficou fan-fucking-tastic. Os efeitos especiais estiveram maravilhosos, como era de se esperar, e o cenário! Ah, o cenário! Chegou a tirar meu fôlego. Se eu não soubesse que gravaram tudo na Nova Zelândia, diria que aquilo tudo era mítico e feito em computador ou com alguma feitiçaria, pois, meu Deus, lugar tão lindo pode existir? O país deu uma perfeita face ao que eu imaginava da Terra Média e uma lágrima quase escorreu quando vi Valfenda novamente, mas, como eu disse no início, estive paralisada o filme todo, pasmada com o quão majestoso ele é. O Hobbit é, certamente, o melhor filme que vi em toda a minha vida – pelo menos até os próximos estrearem!

E, pra terminar, a cena mais queridinha (e viada – eu abracei a Lívia, minha amiga, nessa hora. Foi automático) do filme:

Adendo da Sam: (nem vou comentar o gif acima, já que o orgasmo do Bilbo já explica esse abraço. Mas quem pode culpá-lo por isso?) Não sei se vocês sabem o que é passar um filme inteiro morrendo de orgulho e com lágrimas se formando no canto dos olhos simplesmente porque alguém que você tanto admira finalmente conseguiu o reconhecimento que merece. E nesse caso foi duplo, porque meu amado Martin Freeman e o meu agora amado e adorado Richard Armitage (a quem eu fui praticamente obrigada a amar pela mesma linda que escreveu essa resenha) estavam lá, atuando lindamente num filme DESSA MAGNITUDE. É uma sensação muito boa mesmo, como se eu fosse uma mãe orgulhosa de dois homens com 40 anos na cara. É uma alegria impossível de explicar. E É MUITO BOM. Enfim. Ah, deixe-me corrigir o erro de Jovana que esqueceu de comentar sobre a personagem mais passiva do filme: a mamãe o papai do Senhor Óbvio Legolas, interpretado pelo Lee Pace (mais pra Passivace). Como se o filme já não tivesse viadagem o suficiente, lá estava ele, com sua cara de passiva afetada mostrando sua chapinha recém feita. Porém continua sendo Lee Pace e I WOULD de qualquer forma (quem não???? pffffff).

ficha técnica

Diretor: Peter Jackson.
Elenco: Martin Freeman, Sir Ian McKellen, Richard Armitage, Aidan Turner, Dean O’Gorman, Andy Serkis, Graham McTavish, Sylvester McCoy, Sir Ian Holm, Elijah Wood, Ken Stott, Lee Pace Hugo Weaving, Cate Blanchett, Christopher Lee.
Trilha sonora: Howard Shore.
Roteiro: Philippa Boyens, Peter Jackson, Guillermo del Toro.
Duração: 169 min.
País: Estados Unidos da América.
Gênero: Fantasia.
Trailer: (x)
Classificação: ★★★★★

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11 Comments

  • Reply
    Ana Paula
    21/12/2012 at 4:52 pm

    O Hobbit é, certamente, o melhor filme que vi em toda a minha vida (+2) <- essa frase, de fã para fã me dê uma abraço!!!!

    Eu estava DOIDA pra ver a resenha desse filme no Whos Thanny?, vcs já podem imaginar, pq aqui estou comentando assim que recebi a notificação de post novo do blog.

    Palavras não descrevem meu amor por esse filme e pelo Martin Freeman e pelo Armitage. Sério.

    Alguma das meninas agora poderia me explicar pq esse filme só tem 62 no rotten tomatoes?? mas com 81 pela audiência? Uma disparidade de opinião assim eu só vejo com aqueles blockbusters cheio de tiro e com pouco roteiro (não, isso não é uma crítica) que os críticos amam odiar.

    • Reply
      Sam
      21/12/2012 at 8:32 pm

      Uma palavra: RECALQUE. É o bando de hipster mimizando por 45245234 motivos que não existem. Apenas minha cara de Lee Passivace pra esse povo.

    • Reply
      Geo
      21/12/2012 at 9:02 pm

      Uma palavra: RECALQUE. +1245678998765
      Como eu disse, são os fãs mimados que ficaram todos bolados com as modificações da adaptação (Peter Jackson incluiu no filme diversas informações que constam em outras obras de Tolkien) e porque “não foi igual a LotR”. Bando de mimizentos que não entendem a obra do Tolkien como um todo. O filme ainda é lindo, perfeito e o melhor da minha vida. Críticos que se danem qq

    • Reply
      Ana Paula
      26/12/2012 at 5:23 pm

      RECALQUE x 10000

      Eu não sei o que esse povo estava esperando do filme. Já vi gente reclamando que é parecido com LoTR, e vi gente relamando que não é “bom” como LoTR. Até PARECE que esse filme não seria assim, mais ambiguo e misturado – PJ seu LINDO.

      Mas enfim, pulei e chorei sangue quando descobri que pessoas sensatas desse planeta também amaram esse filme <3

      Obrigada meninas!

  • Reply
    Ana Ferreira
    22/12/2012 at 9:43 pm

    Geovana, sua resenha está muito boa e me fez sentir culpada por ainda não ter ido assistir a “O Hobbit”. Mesmo sem ter ido ao cinema, no entanto, tenho certeza de que você está certa quando diz que foi uma boa adaptação. E, principalmente, por frisar que o filme não faz parte da franquia “O Senhor dos Anéis”, como as pessoas ignorantes adoram falar, não tendo a obrigação de seguir o mesmo modelo.
    Ansiosa para rever Gollum e toda a esplêndida Terra Média. Peter Jackson rules! haha
    Ana Ferreira recently posted..Dezesseis Luas, de Margaret Stohl e Kami GarciaMy Profile

    • Reply
      Geo
      02/02/2013 at 6:59 pm

      Afinal, O Hobbit não é Senhor dos Anéis 4! UHAUSHUAHUS E obrigada por gostar tanto da resenha! Espero que já tenha assistido e revisto a tão maravilhosa Terra Média! <3

  • Reply
    thanny
    22/12/2012 at 10:36 pm

    Não vou mentir, esperava dormir nesse filme, porque O Senhor dos Anéis me deixou traumatizada… mas aí li sua resenha e me animei. Já nas primeiras cenas eu já tava gargalhando e achando tudo lindo, querendo todos os anões invadindo a minha casa também. As cenas de ação me deixaram tensa, não queria que ninguém morresse e tive que me controlar para não gritar demais. Não, não li o livro, mas o filme conseguiu me emocionar. Sem dúvidas um dos melhores do ano e que venham os próximos! /love

    • Reply
      thanny
      22/12/2012 at 10:36 pm

      PS: mijei de rir com o adendo da sammy :’)

    • Reply
      Geo
      02/02/2013 at 7:01 pm

      Bahh, tá vendo? Até quem ficou traumatizada com LotR gostou. O Hobbit tem mesmo uma pegada mais leve e agradável, acho que foi isso que me encantou. E eu teria me sentido do mesmo modo se não houvesse lido o livro antes! Mas na hora em que o Thorin estava todo machucado, mds, comecei a ficar desesperada (???) GOOD GODS, PETER JACKSON, AQUILO FOI APELAÇÃO.

      E a Sam tinha que ser a piadista que é, obvs q

  • Reply
    Dessa
    23/12/2012 at 3:36 am

    Somente chorando com essa resenha. Falou tudo que eu falaria. E como fã de Tolkien eu deveria sentir ciúmes de outra fã, mas ñ. PFV me abrace! Eu me senti igual a vc no cinema, e estávamos assistindo ao mesmo tempo já que vi no dia 14/12 no mesmo horário usauhsuahs e fiquei tipo, querendo chorar o tempo todo e não conseguia nem piscar. Mas quando as letrinhas subiram, não aguentei. E vey, Peter Jackson somente fodástico. Como a pessoa é tão inteligente assim? VSF! Colocar trechos do Contos Inacabados foi simplesmente fantástico. E quem tinha lido só O Hobbit ficou falando mal dele que ele colocou coisa que ñ tinha na história. PFV neh! E tipo, amei que eles fizeram até as falas iguais a do livro. E eu falando junto ushaush lokona. E a cena “Adivinhas no Escuro” euri que não me aguentava. E somente apaixonada pela atuação do Richard Armitage ? Enfim, acho que vou ver esse filme 365 vezes por ano quando comprar o DVD. Não consigo dizer se amo mais OSDA ou OH. É o mesmo amor! Mas OH é mt cômico de ler/assistir…THANKS JRR Tolkien por escrever esse livro pros seus filhotes. ?
    E parabéns pela resenha, sou sua fã Geo !

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    Portal Crítico
    02/02/2013 at 6:59 pm

    Tenho que parabenizar pela bela crítica que você fez Geovana. E sim, senti a mesma sensação que você sentiu ao ver O Hobbit nos cinemas e claro tornou-se meu melhor filme e favorito da minha coleção \o/

    Beijos o/
    Portal Crítico recently posted..Estreias da Semana – 1º de FevereiroMy Profile

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