Literatura

O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Sempre que tiver vontade de criticar alguém, lembre-se de que ninguém teve as oportunidades que você teve.

A frase acima é uma das primeiras do livro, e já nela eu tive a certeza de que tinha em mãos uma obra excepcional. E não estava errada.

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O ano é 1922, o cenário é Long Island. Nick Carraway resolve se mudar para o Leste, e aluga uma pequena casa em meio a mansões em West Egg. Seu vizinho, um misterioso homem chamado Gatsby, vive dando grandes festas que sempre estão cheias de convidados, muitos deles ilustres, que simplesmente chegam sem ter convite e não param de especular sobre as verdadeiras origens de seu anfitrião. Do outro lado da baía, em East Egg, vivem Daisy, prima de Nick, e Tom Buchanan, seu marido. E, de alguma forma, a vida destes personagens acabam por se entrelaçar numa trama maravilhosa e trágica.

Ler Gatsby foi uma experiência única. Fofa como sou, sempre me esquivo de clássicos com aquele medinho lindo de não gostar deles. Mas, cara, GATSBY. Gente. Sério. Não. Arrumei uma nova pessoa para culpar por todo e qualquer problema em minha vida, e esta pessoa é Francis Scott Fitzgerald. Preciso culpá-lo por ter me feito sentir uma porcaria bem antes de chegar na última página, por ter me feito pensar em coisas que sempre preferi ignorar. Por ter feito críticas tão ferrenhas de forma sutil algumas vezes e outras nem tanto, preferindo dar um tapa na cara do leitor. Esse livro. Esse. Livro.

Gatsby acreditava na luz verde, no futuro orgástico que, ano após ano, costuma recuar diante de nós. Ontem fomos iludidos, mas não importa – amanhã correremos mais rápido, esticando nossos braços mais além… E numa bela manhã…

Pelos olhos de Nick Carraway conhecemos os personagens que compõem a história: Daisy e Tom Buchanan, Jordan Baker, Myrtle Wilson e, principalmente, o intrigante Jay Gatsby. A narrativa de Fitzgerald não nos deixa saber exatamente o quão verdade alguns fatos sobre os acontecimentos são, o quanto Nick fingiu não ver e o quanto embelezou, da mesma forma que alguns aspectos de Daisy demoram a fazer sentido (pelo menos para mim). A visão de Carraway pode parecer ingênua e sonhadora em certas passagens, mas nunca deixa de ser agradável. É uma escrita fluída, poética, magnífica, que diz muito em poucas páginas e te conquista rapidamente. Isso sem falar na quantidade de quotes sensacionais, é claro.

A linda edição da Penguin-Companhia conta com uma extensa introdução sobre o livro, que traça paralelos entre a obra de Fitzgerald e outras, incluindo as de Henry James, e discute acontecimentos e referências que possam ter passado despercebidas durante a narrativa. É extremamente interessante pensar sobre os pontos levantados por Tony Tanner, o que faz O Grande Gatsby ainda mais especial.

Agora compreendo a razão de tantos amarem a história. Ainda me pego pensando nela, na verdade. É incrível saber que a maioria das críticas ali escritas são atemporais, que o “sonho americano” é algo tão atual quanto era em 1926 (ano em que o livro foi publicado). Pode ser pessimista, sim, mas só li verdades nas palavras de Fitzgerald. Chorei no final, também, porque DOR (apesar de ter chorado 532423523543 vezes mais no filme, aham). É uma leitura necessária para todos, apenas. O Grande Gatsby é simplesmente maravilhoso.

Ele sorriu de forma compreensiva – muito mais que compreensiva. Era um daqueles raros sorrisos com o ar de eterno consolo, do tipo que você só encontra umas quatro ou cinco vezes na vida. Parecia encarar a eternidade do mundo inteiro por um instante, e então se concentrava em você com uma irresistível tendência a seu favor. Parecia compreendê-lo até o ponto em que você desejava ser compreendido, confiar o tanto que você gostaria de confiar em si mesmo, e assegurá-lo de haver transmitido exatamente a impressão que, em seu melhor momento, você desejaria passar.

informações

 

Título: O Grande Gatsby
Autor: F. Scott Fitzgerald
Número de Páginas: 256
Edição: 1ª – 2011
Editora: Penguin-Companhia
Preço: R$25,00
Classificação: ★★★★★

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3 Comments

  • Reply
    Hangover at 16
    23/07/2013 at 11:57 pm

    Nossa, eu nunca tinha ouvido falar sobre esse livro! E ainda bem que li sua resenha, porque me encheu de curiosidade! Já tá na minha listinha de livros a ler, gostei muito mesmo *-*

    xx Carol
    http://hangoverat16.blogspot.com.br/

  • Reply
    Byzinha
    24/07/2013 at 8:03 pm

    Ai, ouvi uma opinião totalmente contrária da sua uma vez, daí dei uma miadinha de ler, mas com o filme eu quis ler de novo, mas ainda não li! =( Quero a versão da Leya porque é lyndra, mas gosto dos paperbackinhos da cia-penguin

  • Reply
    Mayara (@MayaraMah)
    03/08/2013 at 1:57 am

    Eu quero!
    Mayara (@MayaraMah) recently posted..Férias, ideias soltas e bla bla bla!My Profile

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