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O feminismo da Queen Bey

Hoje, enquanto pensava no que escrever nessa coluna, pedi ajuda a uma amiga e ela me sugeriu falar sobre uma das mulheres mais poderosas do mundo, uma das definições de diva, Beyoncé. Daí você me olha e diz, sim, e Beyoncé é feminista? Há quem diga que sim, há quem sustente que não, devido a vários fatores, mas minha opinião é que sim, nossa Queen B. colabora com a causa.

Vamos primeiro entender duas coisas bem diretas sobre o feminismo:

1. Todos nós devemos ser capazes de concordar que a definição mais básica do feminismo é a defesa e o apoio igualitário de direitos sociais, políticos e econômicos para mulheres e para os homens. É ISSO.

2. Nós também devemos ser capazes de reconhecer que o feminismo pode ser diferente para diferentes mulheres baseado na sua raça, orientação sexual, classe, credos políticos, nível econômico, status de relacionamento, etc. Isso significa que duas mulheres podem lutar por duas coisas muito diferentes e ambas podem ser consideradas militantes feministas.

bey

Se partirmos do princípio onde esses dois fatos são reconhecidos, não há espaço para uma discussão que diga que a Beyoncé não pratica e encoraja valores feministas. Talvez ela não represente o SEU feminismo, mas ela dialoga com uma certa compreensão do feminismo, especificamente com mulheres negras.

Ela é porta-voz da beleza negra, ajudando no empoderamento e auto-confiança de milhares de mulheres, suas fãs, no mundo inteiro, e também dizendo que você não precisa se encaixar no padrão de beleza eurocêntrico da mulher branca, loira do olho azul. Se você é negra, é linda, portanto se ame.

Mandona. [Já no ensino fundamental] Meninas têm mais interesse em posições de liderança que meninos. Seja corajosa. Eu não sou mandona, eu sou o chefe.
 

Então… Porque o feminismo precisa da Bey? Precisa dela, assim como de todas as outras mulheres, de tudo que elas podem e da maneira como elas possam se doar para a causa. O feminismo é assim, é transformação, é mudar o pensamento das pessoas em prol de um mundo igualitário. Dá orgulho ver que ela emprega muito mais mulheres no meio musical do que qualquer outro artista e que todo o seu discurso sobre sexualidade é para as mulheres, para que saibamos que nós a possuímos sim e não é pecado.

Graças a minha amiga, fui ouvir um pouco mais atenciosamente ao novo álbum, e não podia ficar mais orgulhosa do que ouvi. “Pretty Hurts” fala sobre ditadura da beleza, e, sério gente, a música mais linda do universo é “Flawless”. Em Flawless, Beyoncé trás a antes lançada como Bow Down remixada com uma participação especial: Ela adiciona as falas da autora do livro “Americanah”, Chimamanda Ngozi Adichie, em seu belo discurso “We Should All Be Feminists”. As falas de uma completam as da outra e olha… me emocionou.

“Nós ensinamos as meninas a se diminuírem, a se sentirem menores. Nós dizemos para as meninas: ‘Você pode ser ambiciosa, mas não muito. Você deve querer ser bem sucedida, mas não tão bem sucedida assim, senão pode ameaçar o homem.’ Porque eu sou mulher, as pessoas esperam que eu deseje o casamento.  Esperam que eu faça as minhas escolhas sempre mantendo em mente que o casamento é a coisa mais importante. Veja bem, o casamento pode ser uma fonte de alegria, amor e apoio mútuo, mas por que ensinamos as meninas a desejar o casamento, mas não fazemos o mesmo com os meninos? Nós criamos as meninas para que encarem outras meninas como competidoras. Não por empregos ou por realizações profissionais, o que pode ser uma coisa boa, mas pela atenção dos homens. Nós ensinamos às meninas que elas não devem ser indivíduos dotados de desejo sexual, assim como são os meninos.  Feminista: uma pessoa que acredita na igualdade política, econômica e social entre os sexos.”

Beyoncé não só é feminista como se importa com as mulheres que ouvem sua música. O casamento de sua música com o discurso de Chimamanda é a prova disso. Ser feminista não significa ser contra os homens, apenas contra a opressão sofrida por nós mulheres em uma sociedade patriarcal. Também não significa ser chata, significa apenas lutar, nas nossas pequenas batalhas diárias, para que tenhamos direitos iguais. E que cada um pratique o feminismo que lhe cabe e que lhe parece razoável. A mídia e a sociedade já semeiam muito a discórdia e o ódio entre as mulheres, então vamos não deixar que isso nos afete.

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2 Comments

  • Reply
    NINA
    20/05/2014 at 2:04 am

    Que orgulho desse post! Muito orgulho de ser sua amiga de vida e de luta! Sobre Bey, SEMPRE serei suspeita, mas fico muito feliz que você tenha compreendido e falado do quanto ela empodera e dá força para as mulheres, principalmente as mulheres negras.

  • Reply
    marcia sext
    16/02/2016 at 4:19 pm

    muito bom o seu post, nós mulheres podemos sim,!!!!

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