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O erro do IPEA e o que isso muda.

Caso você não tenha ouvido sobre a pesquisa do IPEA, os dados que sairam na semana passada são os seguintes: 65% dos brasileiros acreditam que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.

Na sexta feira, dia 04 de abril, o IPEA informou que errou na quantidade de dados. O percentual correto é 26%.

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O que isso muda na nossa vida, e no movimento #EuNãoMereçoSerEstuprada? A resposta é: nada.

Não é porque o número é menor do que esperado que deixou de existir. A realidade é que, no mundo, uma pessoa é estuprada a cada dois minutos.

E vocês leram direito: pessoa. Porque não existe apenas um tipo de estupro, o que é falado tão comumente: de homem estuprando mulher. Mulher também tem a capacidade de estuprar um homem. Mulher também pode estuprar mulher. Homem também pode estuprar homem. Não são apenas as mulheres que estão em risco.

E os outros dados continuam os mesmos:   58,5% dos entrevistados com a ideia de que se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. 

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Um estuprador não liga para o que a pessoa veste. Não importa se é uma roupa fácil de retirar, se é curta, se mostra muitas partes do corpo. Porque um estuprador não vê sua vítima como uma pessoa – vê como um objeto de desejo. A pessoa não possui sentimentos, não possui uma vida, não irá ficar marcada para o resto da vida.

“Um abusador quase nunca faz algo que ele(a) considera que seja moralmente inaceitável. Ele pode esconder o que ele fez, porque ele acha que outras pessoas iriam discordar, mas a pessoa se sente justificada por dentro. O problema do abusador é que ele tem um senso distorcido do que é certo e errado. Em outras palavras, o problema do abusador é acreditar que controlar ou abusar de alguém é justificado.” ( Lundy Bancroft, Why Does He Do That? Inside the Minds of Angry and Controlling Men)

 

E o mais importante? O estuprador não é aquela pessoa escondida em ruas escuras, que você encontra na internet, que não existe ligação emocional. A maioria dos estupros acontece com pessoas conhecidas. Familiares, amigos, namoradxs, maridos/esposas. Existem chances de que alguém que você conhece já tenha sido estuprado.

 

Então continuem com o movimento. Mas tenham consciência de que a forma certa é #NinguémMereceSerEstuprado.

Para mais informações, aconselho esse post.

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2 Comments

  • Reply
    Fábrica dos Convites
    06/04/2014 at 3:36 pm

    Eu também acho que a correção dos números da pesquisa tenha mudado alguma coisa. Os milhares de casos de estupro estão ai, e a pesquisa só mudaria alguma coisa se o índice de aceitação para qualquer caso de estupro fosse 0%!
    Que nossos governantes comecem a fazer leis que realmente punam quem comete este tipo de crime, aliás, qualquer tipo de crime.
    Bjs, Rose
    Fábrica dos Convites recently posted..#Tag: Recomendações LiteráriasMy Profile

  • Reply
    Victória Santana
    07/04/2014 at 7:08 am

    Meu professor de Sociologia estava discutindo isso em sala e ele falou que é claro que a roupa que a mulher usa, incita o desejo masculino, muitas vezes é usada com esse objetivo. Mas o estupro é praticado por mentes doentes, independente da vestimenta.
    Eu estava pensando, se a roupa é o único fator para esse crime, isso significa que no passado, como no século XVIII ou XIX, as damas não eram estupradas, já que se vestiam de forma “comportada”, o que não é verdade.
    Eu também penso nesse problema de forma sociocultural, pois tem a ver com a educação que foi dada e as concepções do que é certo ou errado. Achar que os homens tem esse direito e que nós somos as culpadas? Absurdo! E só são as mulheres que sofrem abusos? Outro absurdo! Daqui a pouco vão dizer que as crianças seduzem seus estupradores e que somente os homens homossexuais são abusados, por causa de sua opção sexual. O mundo evolui, mas parece que a mente humana continua primitiva.
    Ótimo post, parabéns!

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