Literatura

O doador de memórias, Lois Lowry

the giver doador de memórias

Tem alguns livros que nem sabemos da importância até que ele ganhe espaço na mídia. Livros que correm por baixo dos panos em listas de leitura obrigatória de escolas da gringa e que raramente chegam ao Brasil até que alguém resolva adaptá-lo para a telona ou telinha. Não foi diferente com O Doador de Memórias, de Lois Lowry. Considerado um clássico, o primeiro livro de um quarteto acabou de virar filme e é mais uma distopia capaz de deixar o leitor seriamente preocupado com o mundo.

Jonas, nosso protagonista, é um garoto às vésperas dos seus 12 anos – a idade mais importante para qualquer morador de sua siciedade, porque é exatamente quando sua profissão é delegada. Veja bem, ele tem plena certeza que seus amigos Fiona e Asher vão conseguir boas profissões, mas ele não tem a menor ideia de qual profissão poderia ser passada para ele.

É no último minuto da cerimônia de atribuição que ficamos sabendo que Jonas será o novo Recebedor de Memórias da comunidade, fazendo o antigo Recebedor agora um Doador de Memórias. Todas as memórias – desde cores, aos sentimentos e a guerra e a paz. Existe um preço muito alto a ser pago pela sociedade pacífica e o fardo é colocado nas costas de apenas uma pessoa.

The worst part of holding the memories is not the pain. It’s the loneliness of it. Memories need to be shared.

As diferenças entre livro e filme acontecem desde o primeiro momento. Para início de conversa, como de costume, no filme os personagens são mais velhos. Interpretado pelo vintão Brenton Thwaites (da finada série australiana SLiDE), Jonas ganha uma dimensão a mais: a possibilidade de um relacionamento amoroso. Eu sei, booooooooo. 2014 e ainda tem gente achando que um relacionamento amoroso em distopias é extremamente necessário. Tirando Jonas e seu pai (Alexander Skarsgård), todos os personagens têm atribuições diferentes do livro.

Mas tudo bem, porque mudanças boas fazem bem, não é mesmo? Exceto que dessa vez não deu certo.

O livro, que começa devagar, mas melhora e faz o leitor se prender às suas páginas até o final, tem um toque especial que as mudanças do filme fazem parecer traição. É tanta coisa diferente que quando chega ao final – a única coisa genuinamente semelhante ao livro, aqueles que não passaram pela obra antes se veem muitíssimo confusos.

They were satisfied with their lives which had none of the vibrance his own was taking on. And he was angry at himself, that he could not change that for them.

É certo que ambos livro e filme têm aquela sensação de “????????????????”, mas você provavelmente não tem noção da quantidade de interrogações (nem espere que elas diminuam lendo as sequências do livro, dica).

A verdade é que o livro vive suas espectativas, mas o filme deixa a desejar em muitos aspectos, apesar de seu elenco impressionante. E haverão aqueles que preferirão o filme pelo livro (como eu prefiro a adaptação de Silver Linings), é tudo questão de gosto. No fim das contas, O doador de memórias é sim aquele livro clássico que você provavelmente tem que acrescentar em sua vida.

informações


Cortesia da editora para resenha
Título: O doador de memórias
Autor: Lois Lowry
Número de Páginas: 192
Edição: 1ª – 2014
ISBN: 9788580412994
Editora: Arqueiro
Preço: R$24,90
Classificação: ★★★½☆

 

Título original: The Giver
Direção: Phillip Noyce
Elenco: Jeff Bridges, Meryl Streep, Brenton Thwaites, Alexander Skarsgård, Katie Holmes, Odeya Rush, Cameron Monaghan, Taylor Swift
Roteiro: Michael Mitnick, Robert B. Weide
Trilha sonora: Marco Beltrami
Duração: 97 min.
País: EUA
Gênero: drama, ficção-científica, distopia
Trailer: (x)
Classificação: ★★½☆☆

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2 Comments

  • Reply
    alice aguiar
    23/10/2014 at 11:01 pm

    cara eu gostei da leitura, mas aina não vi o filme sabe e claro q sempre tem uma difrença ou outra né.

    • Reply
      Byzinha
      23/10/2014 at 11:10 pm

      Não, você não entendeu. Se for olhar minhas resenhas de filme que são adaptações, eu super gosto de mudanças. (vide: minha resenha de Capitães da Areia) O problema é que as mudanças de The Giver simplesmente não foram boas. Eu iria comentar, se tivessem sido, acredite em mim.

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