Literatura

Menina Má, William March

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“De repente a violência lhe parecia um motor inescapável, talvez o mais importante de todos – algo que não poderia ser erradicado e que, feito uma erva daninha, medrava à revelia da bondade, à revelia da compaixão, à revelia do próprio amor. Às vezes, sua semente estava enterrada bem fundo; às vezes, mais próxima da superfície – mas estava sempre ali, a postos, pronta para brotar, dadas as condições adequadas, em toda a sua terrível irracionalidade.”

Menina Má é um romance originalmente publicado em 1954 que, como o próprio nome sugere, toca em um assunto delicado: crianças cruéis. O livro fez tanto sucesso quando publicado que, anos depois, ganhou uma adaptação para o cinema intitulada “The Bad Seed”, mesmo título do livro em inglês.

Menina Má recorta um pedaço da vida de Rhoda Penmark e sua mãe, Christine Penmark. Começamos a acompanhar a vida das duas quando a escola em que Rhoda estuda decide premiar o aluno com maior melhora na caligrafia. A menina tem plena certeza de que ela ganhará o prêmio, uma medalha, mas, para sua surpresa, é um garotinho chamado Claude que vence. Uma criança comum deixaria isso de lado, mas não Rhoda. Sempre que pode ela traz o assunto à tona e insiste que ela é quem deveria ter ganhado o prêmio.

A Sra. Penmark conhece a filha e sabe que ela pode ser bastante calculista quando quer, mas não se sente especialmente incomodada com o comportamento de Rhoda em relação à medalha. Isso é, até Claude aparecer morto e ela começar a questionar não somente o comportamento de Rhoda, mas o seu próprio.

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Menina Má é um livro rápido que vai direto ao ponto e, talvez, precisamente por isso, ainda choque como chocou na década de 50. O autor não se prende em um único personagem: vamos pulando de consciência em consciência sem aviso prévio, conhecendo cada personagem em seu íntimo. Somos levados por seus pensamentos e passamos a entender a lógica de suas ações.

É bastante interessante o fato dos personagens não sofrerem grandes transformações, defendendo a tese do autor: March, em seu livro, propõe que as pessoas são aquilo que são, de modo pré-determinado – principalmente geneticamente – e esse estado estático dos personagens corrobora sua teoria. Mas nem por isso os personagens deixam de ser interessantes, principalmente Leroy, um homem de meia-idade que adora assustar e irritar crianças, mas que, por algum motivo, não consegue afetar Rhoda. Ele diz coisas bastante desagradáveis, considerando que está falando com uma criança e, no final, são suas ações que ajudam a culminar no clímax do livro. Aliás, esse é um clímax que, se não necessariamente imprevisível, ainda consegue ser incrivelmente chocante.

No fim das contas Menina Má é um livro bastante perturbador que toca em temas delicados que nos deixam desconfortáveis. A maldade na infância  – ou a figura da criança em uma trama de terror – sempre impressiona mais que um adulto por nos fazer pensar: poderiam a maldade e a crueldade serem não necessariamente fruto do mundo, mas do nascimento?

informações

Cortesia da editora) para resenha.
Título: Menina Má
Autor: William March
Tradução: Simone Campos
Número de Páginas: 272
Edição: Limited Edition (capa dura) – 2016
ISBN: 978-85-66636-81-9
Editora: Darkside Books
Preço: R$30,80 (Compre aqui)
Classificação: ★★★★☆

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