Televisão

Luther

ATENÇÃO: Possíveis surtos pela maravilhosa existência de Idris Elba podem aparecer nessa resenha. Mas tentarei me segurar. Só avisando.

Luther é um drama policial psicológico da BBC, criada por Neil Cross. Ao contrário de muitas outras, Luther foi primeiro uma série, e depois virou o livro The Calling. Na série você conhece o Detective Inspector John Luther. John é brilhante, intenso, obsessivo, e perigoso. Como detetive em Londres, ele e sua equipe resolvem casos de psicopatas e assassinos em série. Tudo isso enquanto John tenta salvar seu casamento com Zoe, cria uma ligação estranha com Alice Morgan, e corre o risco de Henry Madsen acordar do coma. Sim, é um drama policial. Mas é na parte psicológica que a série acaba com tudo, com aquele profissionalismo que só os britânicos têm. E, se Idris Elba interpretando o personagem principal não é argumento suficiente para você assistir, eu vou te mostrar toda a maravilha que você está perdendo.

Quando eu digo “acaba com tudo”, estou falando seríssimo. Porque você pode assistir a série sem a menor expectativa, não se animar tanto com o piloto. Mas, quando faz um esforço pra assistir o segundo episódio, entende o potencial real do negócio e aí já era. Mesmo. As tramas são incrivelmente desenvolvidas e tão desesperadoras a ponto de você se aproximar mais da tela para não perder nada do que está acontecendo, porque sabe que o final vai ser tão ótimo que seus olhos vão brilhar. Luther não busca te prender só no caso que está acontecendo no episódio, mas também com a vida dos personagens, e faz isso com brilhantismo. Palavras já não conseguiriam explicar a qualidade da série, e a dificuldade de falar sobre algo que você ama tanto me ferra ainda mais, então o que eu digo é: as séries de maior qualidade EVER são Sherlock e Luther, e é isso aí.

Já avisando que a palavra “incrível” pode ser muito usada até o fim dessa resenha, preciso dizer que a cinematografia e fotografia da série são incríveis impecáveis. Essa maravilha já se mostra nas primeiras cenas, e principalmente na abertura, que, MEU DEUS, é uma combinação perfeita de som e imagem. Sim, Luther se passa em Londres, então já teria uma fotografia lindíssima por si só. Mas eles vão além. A qualidade disso tudo não é só nas paisagens da cidade, mas também na edição e na forma em que a câmera é posicionada em certas cenas e a coloração e eu poderia falar e falar e falar mais ainda, e acharia várias outras coisas para elogiar. Então vou só concluir que a qualidade é incrível.

“The people around you are vampires. They’ll suck your veins dry, then crack your bones and lick out the marrow. You’ve done enough for them. Now step away from it. Find yourself a life worth living.”

Os personagens são INCRÍVEIS. Todos eles e cada um deles, até os que não aparecem tanto. Eu provavelmente já citei isso no TopTop de Séries Britânicas, mas repito: os atores são tão profissionais que até dói. O maior destaque vai para o brilhante, incrível, maravilhoso, my king, Idris Elba, que construiu um personagem tão lindamente ferrado, que se deixa levar pela raiva e surta, mas que tem um senso de justiça tão próprio que WHOA. O próprio criador da série disse que quando Idris colocou aquele casaco e andou pela sala, ele já sabia que não haveria pessoa melhor para interpretar o personagem, e ainda completou com “Idris fez Luther”. Ruth Wilson também é absurda de tão boa atriz, entrando na série de uma forma e terminando de outra, sem precisar fazer caras e bocas para a câmera. Outros destaques são Stephen Mackintosh, que interpreta o melhor amigo de John, e o amor da minha vida Warren Brown, que vive o parceiro fófis de Luther na polícia. E preciso também citar Paul McGann, com um personagem que em nada lembra o Oitavo Doutor (ele fez Doctor Who – O Filme, yep). Mas mesmo os que eu não citei, todos do elenco principal e secundário merecem ser ovacionados, porque são todos, sem exceções, puta profissionais.


SOCORRO, É MUITO BEBÊ ESSE RIPLEY *~*~*~~*

Outra coisa de qualidade é a trilha sonora. E isso está sendo dito por uma pessoa que prefere trilhas instrumentais a trilhas “cantadas”, quer dizer. Claro, tem a score de apoio (que é maravilhosa, por sinal), mas a escolha de músicas para, geralmente, acabar o episódio… Putz. Vai de Muse e Marilyn Manson a Sia e Nina Simone. E é lindo. No fim de cada episódio você não sabe se chora por causa da trilha ou porque seu desespero finalmente acabou (ou não, porque a segunda temporada tem episódios duplos) e porque tudo terminou bem (ou não).

Ah, a parte psicológica é a pior e a melhor. Pior porque a trama realmente te desespera de uma forma tão absurda e forte que só se percebe depois que o desespero acaba. E melhor porque é coisa de gênio. Não só por parte de John Luther, que foi inspirado em Sherlock Holmes, apesar de não se parecer com o detetive de Arthur Conan Doyle. Luther é, sim, genial, mas em sua própria maneira, usando seus próprios métodos para resolver os casos, se inspirando até em David Bowie (!!!!!!!!!!!). Mas não é só nisso. O desenvolvimento da série como um todo é brilhante, e não dá para não se envolver naquilo. Os choques e os tapas na cara são frequentes, já que a trama não tenta fugir da realidade, e os criminosos não são embelezados para que a audiência goste deles, então não espere uns serial killers estilo Tate de American Horror Story. Acho que, mesmo pra que gosta de psicopatas, Luther é tenso. Tem sangue, tem violência, tem coisas chocantes. Porque é mais próximo da realidade, e a realidade é uma coisa tensa e chocante.

O que eu quis dizer com a qualidade que só os britânicos têm não foi pra desmerecer as séries de outros lugares do mundo. Eu demorei muito para perceber isso, mas Luther é negro. Nada de mais, claro. E a razão pela qual eu demorei pra assimilar esse fato é que isso não tem a menor relevância na série. Literalmente falando. Não tem aquelas coisas do tipo “ele é negro, então deve ser um péssimo policial”, ou qualquer coisa que incite preconceito com a cor do personagem, como tanto se vê em séries e filmes por aí. Ele é simplesmente um ótimo policial, e nada, nem ninguém duvidaria disso. Porque, no fim, o que importa mesmo é o caráter do cara, e não a cor. E quando eu realizei isso tudo, tive ainda mais certeza da competência e do brilhantismo de Neil Cross, que construiu um personagem tão maravilhoso que não tem sua inteligência ofuscada por motivos inúteis.


E de quebra tem aquelas quotes inteligentes e quoteáveis, COMO NÃO AMAR, BRASIL?

Se é que alguém realmente chegou até o fim dessa resenha enorme (eu escrevo Bíblias ao falar das coisas que amo, DESCULPA), só tenho mais uma coisa pra dizer: Luther é uma série britânica, o que basicamente significa um número pequeno de episódios. Então, se você adora usar a desculpa de “MAS TEM 24 EPISÓDIOS POR TEMPORADA, É MUITA COISA PRA VER!!!11111”, pode esquecer. A primeira temporada tem 6 episódios e a segunda tem só 4, cada um deles com quase uma hora de duração. E, acredite em mim, essas vão ser umas das melhores quase 10 horas mais bem gastas da sua vida. A BBC confirmou que vai rolar uma terceira temporada, mas sabe-se lá quando vai estrear.

P.s. Se você assistiu o primeiro episódio e não achou grande coisa, CONTINUE ASSISTINDO. E digo isso por experiência própria. Episódios piloto nem sempre mostram todo o potencial de uma série, mas a sequência acaba completando e te dando uma vista maior daquilo. Apesar de que Luther já começa com uma correria que te faz soltar um “VISH MARIA”. Enfim. Trust me, I’m the Doctor.

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8 Comments

  • Reply
    thanny
    29/06/2012 at 1:27 pm

    “Trust me, I’m the Doctor” olha eu acrescentando outra série na minha watchlist ‘-‘ E vou nem comentar o quão bem escrita ficou essa resenha, dona Sam.

    • Reply
      Sam
      29/06/2012 at 2:59 pm

      MISSION ACCOMPLISHED. Ai, brigada KKK eu escrevi coisa demais, help kkk

  • Reply
    Byzinha
    29/06/2012 at 2:45 pm

    “Episódios piloto nem sempre mostram todo o potencial de uma série” -> Community manda um beijo.
    Nossa, serio que só tem 10 episódios? Que que eu to esperando, meu Deus????
    Vou colocar como próximo a ser baixado. Comecei a ver Parks & Recreation, vixe. Uns 40 episódios, pelo menos, ê laia.
    Mas quando me der uns cinco minutos, eu baixo Luther. Você assiste legendado ou já ta colocando a cara à tapa, Sammy?
    xx

    • Reply
      Sam
      29/06/2012 at 3:01 pm

      Community é um dos maiores exemplos disso INDEED. Parks & Rec é um amor, tem uma porrada de episódios mas vale a pena <3 Eu tive que assisti Luther legendado porque às vezes eu fico distraída pelo cenário ou pela belíssima face de alguém, aí acabo me perdendo KKKK Mas agoro assisto sem legenda de boa.

  • Reply
    Fernanda
    29/06/2012 at 6:52 pm

    Oi!
    Essa é minha primeira visita ao seu blog, e já estou amando tudo.
    :D

    Beijos,
    Fernanda
    Fernanda recently posted..Resenha: O Livro do CemitérioMy Profile

  • Reply
    Who's thanny? » Blog Archive » Separados no nascimento ou?
    27/10/2012 at 8:21 pm

    […] Wilson (Luther) e Emily Blunt (O Diabo Veste […]

  • Reply
    Who's thanny? » Blog Archive » As séries da BBC estão em festa! (só que não)
    28/11/2012 at 12:48 pm

    […] daí vem Luther, a série que você deveria estar assistindo. As gravações da terceira temporada começaram nesse mês e as notícias sobre ela não são tão […]

  • Reply
    Isabella Nunes
    10/12/2012 at 1:53 am

    Ai meu deus, eu já não aguento mais, tantas séries que eu estou assistindo por causa do ‘Who’s thanny?’!!!!
    Serio, eu que já assistia milhares de série antes, agora aumento cada vez mais!
    Essa parece ser bem o meu tipo de série, então o download já está sendo realizado, nesse exato momento enquanto eu escrevo isso. Não sei se o que me convenceu foi o jeito de escrever, mas quando eu cheguei em ‘tudo termina bem (ou não)’ eu já estava procurando um site pra baixar a série. Sou nova no site, o ‘descobri’ agora, mas já posso dizer que eu in love, sem ter medo de me arrepender. Só o que eu tenho a dizer é Bravo! e go on :)

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