Literatura

Hitman – A Condenação, Raymond Benson

Sem dúvidas uma das melhores coisas que li no ano. “Apenas apaixonada” define.

absolution

Após uma missão que deu errado, o geneticamente modificado Agente 47 sumiu. Seu contato na ACI, Diana Burnwood, é agora uma traidora aos olhos de Benjamin Travis, diretor da Agência de Contratos Internacional. Ciente de que 47 possa ser uma chave até Diana, Travis não descansará até trazer o assassino de volta. É claro que, quando o Agente retornar, a ACI precisa saber se ele ainda é confiável, e eles têm o trabalho perfeito para testar o matador.

Não jogo videogames porque sou péssima neles, mas conheço a tal história do carecão com um código de barras nas costas da cabeça. No entanto, mesmo se eu não soubesse sobre Hitman antes, não faria diferença, visto que Hitman: A Condenação funciona quase que independente dos games, e o leitor passa a conhecer a história do assassino e algumas de suas missões. E a escrita é tão gostosa, mas TÃO gostosa que você acaba se importando com um personagem que parece não ter sentimentos.

Eu suponho que, de alguma forma, era mais fácil pra mim quando eu sabia que o alvo era uma pessoa ruim, mas, no geral, isso não fazia muita diferença.

Eu só fazia o meu trabalho tão profissionalmente e com toda a perfeição que podia.

E se tem uma coisa que Raymond Benson soube fazer, esta foi personagens. O autor não tem medo de desmistificar a fachada inumana do Agente, usando a narrativa em primeira pessoa para viajar por entre divagações e questionamentos do próprio assassino sobre sua existência, além de flashbacks de sua infância. E, bem, 47 é fantástico. E não é um cara nem tão ruim, nem tão apático quanto parece. Ok, ele mata pessoas por profissão e instinto, afinal ele foi criado para isso. Entretanto, o protagonista é mais do que um matador de sangue frio, o que o livro mostra bem. Outros que merecem destaque são Helen McAdams e Jade, sendo que as interações da primeira com o Agente são uma coisa linda.

Não posso pagar pau o suficiente para a condução da trama, que aposta em mortes sensacionais e momentos de tensão. Apesar de não muito descritivo, as palavras se tornam vívidas em sua mente, como num filme ou mesmo um jogo. As mudanças entre a narrativa em terceira pessoa e o ponto de vista do protagonista são ótimas e com bom timing. E se você se deixar levar, os sentimentos vão te invadir, vão sim. Me peguei sorrindo, sofrendo, chorando e vibrando, e isso não é fácil de fazer.

História da minha vida.

Todavia, existe uma coisa que me impede de dar 5 estrelas para essa glória. Lembra quando eu disse que Condenação era quase independente dos jogos? Pois é. Uma das histórias que ali se desenrolam ali é terminada, mas, por ser um prelúdio, uma ponta solta foi deixada. Uma ponta enorme, inclusive. Se por um lado é bacana porque deixa os fãs ansiosos para jogar Hitman: Absolution, por outro é sacanagem com quem só queria ler o livro. Caso você seja do segundo grupo, não se desespere: leia a obra de Benson e me pergunte sobre a tal coisa não resolvida que te contarei, pode ser? (Não jogo games, mas passo horas no Youtube assistindo pessoas jogarem. Foi o que fiz com Absolution porque sou esperta.)

Então é isso. Gamer ou não, Hitman: A Condenação é uma leitura recomendadíssima. Vale mesmo a pena.

Vestindo sua roupa de costume, terno negro, camisa branca e gravata vermelha, ele se sentou para tomar o café, deixando a maleta no chão, ao seu alcance, e ficou observando o fluxo de pessoas na rua pela janela.

Sem dúvida alguma, seres humanos eram estranhos e peculiares.

E ele mais ainda.

informações

 

Título: Hitman – A Condenação
Autor: Raymond Benson
Número de Páginas: 240
Edição: 1ª – 2013
Editora: LeYa
Preço: R$27,90
Classificação: ★★★★½

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