Música

Eu Fui: Maximus Festival 2017

Estou MUITO feliz de estar aqui pra contar pra vocês sobre esse festival pelo qual eu já me apaixonei, e olha que só existiram duas edições – a primeira em sete de setembro do ano passado, e a segunda em treze de maio deste ano de 2017. E preparar este post sem usar palavrões foi um desafio – porque a “palavra com f” descreve muito bem um monte de coisa sobre esse festival, e expressões com ela também.

A gente contou aqui também quando tinham começado a anunciar as bandas que estariam lá, e foi muito amor envolvido.

O festival aconteceu em Interlagos – que também é casa do Lollapalooza Brasil desde 2014, outro festival que também amamos.

Cheguei na fila mais ou menos 6 e meia da manhã, com horário previsto pra abertura da bilheteria às oito e meia, e com ingressos disponíveis no local – e comprei o meu convite por lá. Na edição passada, a bilheteria foi aberta antes do previsto, enquanto desta vez começaram a atender com atraso, em torno de nove e dez da manhã – estava anunciado para oito e meia; segundo o caixa que me atendeu, foi por conta de problema na conexão deles com a internet. O atendente também me disse que havia em torno de oito mil pulseiras já compradas pra serem retiradas ali no dia.

Novamente utilizaram pulseira com tecnologia RFID em vez de ingresso de papel; eu expliquei brevemente quando contei sobre a edição anterior como funcionou: dependendo da forma de compra, a pessoa receberia a pulseira em mãos na hora, ou pelo correio em casa, ou precisaria retirar antes pra poder entrar no evento – e este ano foi igualzinho. Novamente a peça de plástico na pulseira funcionava tanto para controle de acesso ao local quanto como cartão de débito pré-pago para utilização lá dentro.

Fizeram pelo menos duas promoções muito bacanas com entradas de preço inteiro por R$ 200 e meia entrada por R$ 100. Imaginei que fosse por conta de baixa procura – pouca divulgação (consertem isso pra próxima edição, que eu espero que aconteça, por favor!) e, vamos encarar isso, muitas outras opções de shows ou festivais que talvez tivessem atraído público que de outro modo teria ido a este. Apesar de público abaixo da capacidade total do evento, estava visivelmente mais cheio que a edição passada – 40 mil pessoas desta vez, enquanto na edição passada foram 25 mil pessoas, segundo informações que encontrei.

Entrei no festival pouco depois de 11 da manhã, e antes de ir pra frente do palco Thunder Dome fui xeretar as lojas de roupas que tinham estande lá, acessórios e outras áreas – por exemplo, uma parede de escalada, espaços pra fotos, a Gastown e um quiosque onde distribuíram tatuagens temporárias muito incríveis com o lineup do festival, que infelizmente estavam com alguns horários desatualizados porque fizeram mudanças praticamente em cima da hora.

A organização dos palcos foi exatamente a mesma do ano anterior – Maximus e Rockatansky um do lado do outro, e Thunder Dome separado. E, uma das coisas que eu achei bem legais é que perto de uma das cercas que fechavam a área do festival colocaram cruzes com nomes de músicos famosos que já estão mortos – achei super a cara de um festival de rock.

Um pouco antes da abertura de portas… the calm before the storm! 💀

Posted by Maximus Festival on Saturday, May 13, 2017

Quando cheguei em frente do palco Thunder Dome perto da hora do primeiro show eu me surpreendi por ainda existirem vários lugares bem legais ali junto da grade. Decidi ficar por lá até o final do show do Rise Against, que era um dos que eu mais queria ver – o que significou fazer bem o contrário do que fiz na edição passada, que tinha sido ficar praticamente o tempo todo só na área dos palcos principais.

Se eu me arrependi por não ter me deslocado pra ver os shows que dava tempo de ter visto no Palco Rockatansky? Sim. Mas em compensação eu consegui ver os cinco shows no Thunder Dome de um lugar muito legal bem de cara pras bandas, eu me cansei menos do que teria se eu tivesse circulado mais, e mesmo com o empurra-empurra que SEMPRE acontece eu ainda assim gostei de estar ali.

Agora o principal: os shows que eu vi. Começando pelo Palco Thunder Dome:

12:00 – Nem Liminha Ouviu

O nome da banda – que eu não conhecia – causa aquela reação de “COMO É???” em várias pessoas, mas independente disso é MUITO BOA. Amei o cover de “A Face de Deus” logo no começo do show, achei “Não Tem Perdão” incrível, o cover de “Até quando esperar” também foi maravilhoso. Definitivamente essa banda vai pra futuras playlists minhas. E nem vou comentar muito sobre as mensagens políticas neste show aqui (e no próximo também), né… MANDA MAIS PORQUE TÁ POUCO, POR FAVOR.

Posted by Maximus Festival on Monday, May 15, 2017

Foto da divulgação oficial porque não achei no youtube nenhum vídeo feito lá nesse show.

13:15 – Deadfish

Outro show pra lista de “melhor impossível”. Destaco “Selfegofactóide”, “Tão iguais” e “Bem-Vindo ao Clube”, mesmo que eu tenha gostado de todas.

Além de Nem Liminha Ouviu e Deadfish, o outro único show nacional lá foi de uma banda chamada Oitão no palco Rockatansky, que eu gostaria bastante de ter conhecido.

E se vocês não estavam lá, vocês não ouviram os gritos de “Foi golpe!” que a banda puxou e deixaram a galera bem animada, e também mandaram mensagens políticas, inclusive dizendo algo parecido com: “A geração de vocês vai precisar lutar contra essa ditadura que tá instalada”.

14:45 – The Flatliners

Essa banda do Canadá apresentou um show que eu também amei! “Eulogy”, “Resuscitation of the Year”, “Carry the Banner”, “Count Your Bruises” e outras que eu gostei demais de ouvir. Eu conhecia bem pouco da banda e já gostava, e saí gostando ainda mais. A essa altura do campeonato eu já estava achando que, mesmo que os shows nos palcos principais fossem tão bons – ou até melhores – do que estes, ficar no palco em que eu estava não estava nada ruim.

16:30 – Pennywise

“Same Old Story”, “My Own Country” com um recado socialmente engajado antes de começar, “Fuck Authority”, entre outras, e, claro, três covers: Do What You Want do Bad Religion, Hey Ho Let’s Go Blitzkrieg Bop dos Ramones e Stand by Me do Ben E. King. Também saí gostando mais ainda da banda do que antes.

18:30 – RISE AGAINST, pra encerrar os trabalhos no palco Thunder Dome

TIM MCILRATH, EU ACHO MARAVILHOSOS ESSES SEUS OLHOS. E ESSA SUA VOZ. E VOCÊ INTEIRO.

Foto: Stephan Solon

Posted by Maximus Festival on Monday, May 15, 2017

Eu não consigo encontrar palavras pra dizer o quanto eu amei esse show. “Ready to Fall”, “Give It All”, “I Don’t Want to Be Here Anymore” e “Savior” são só algumas das músicas mais incríveis da banda e que foram tocadas no show deles. Descobri a banda logo que criei perfil no Spotify e fui ouvir playlists de punk rock e eles estavam lá. E pouco depois abri vídeos deles no YouTube pra ver e quando prestei atenção nos olhos eu achei que a heterocromia só o deixou ainda mais bonito.

Uma pessoa tinha levado uma bandeira e recolhido assinaturas de várias pessoas ali na frente do palco perto da grade, e foi escrito o nome da banda em letras grandes no verso dessa bandeira – e usamos essa bandeira assinada pra chamar a atenção do vocalista, mostramos tanto o lado das assinaturas quanto as costas, até que ele finalmente desceu do palco e veio cumprimentar o público. Mas infelizmente – pra mim – na hora que ele veio até a grade e subiu nela pra ir pra mais perto das pessoas eu não consegui alcançá-lo pra cumprimentar, coisa que eu queria muito ter conseguido fazer.

Terminada essa sequência de cinco bandas incríveis, fui ver a próxima apresentação da noite.

19:35 – Prophets of Rage, pra fechar o palco Rockatansky.

E o B-Real, tanto no show do Rio de Janeiro quanto neste aqui, tava com um acessório de cabeça que só consigo descrever minha primeira impressão sobre ele da seguinte forma: “ahm, tem certeza mesmo?”. Uma interpretação que me ocorreu pro acessório, que eu acho que faz sentido com base nas mensagens deles contra intolerância e autoritarismo – entre as infinitas explicações que pensei – foi: “vamos parar de violência com justificativa idiota baseada em religião, por favor?”. Gostaria muito mesmo que ele tivesse dito alguma coisa no palco mais diretamente, mas deixar aberto pra interpretações eu também achei excelente. E, depois de ameaças terroristas contra um festival com eles próprios no lineup, eu gostaria que houvesse alguma declaração por parte deles sobre questões religiosas.

E foi um show fantástico, com direito a plaquinha com “Fora, Temer” escrito na guitarra do Tom Morello.

E eu ia esquecendo: o vocalista e o guitarrista do Rise Against fizeram uma participação em “Kick Out the Jams”, o que eu achei o máximo!

“Take the Power Back” do Rage Against the Machine com mensagem de “Brazil, take the power back” antes de começar, “Fight the Power” do Public Enemy, “Unfuck The World”, “Seven Nation Army” do The White Stripes e, pra encerrar, claro que teve “Killing in the Name”!

E por último:

21:00 – Linkin Park, pra terminar tudo no Palco Maximus e no festival inteiro

Eu já tinha visto a banda de perto no show de 2014 no Circuito Banco do Brasil – festival que eu adoraria que voltasse a acontecer – e não consigo decidir de qual show eu gostei mais. “One Step Closer”, “New Divide”, “Breaking the Habit”, “Crawling”, “Leave Out All the Rest”, “Somewhere I Belong”, “What I’ve Done”, “In the End”, “Faint”, “Numb”, “Heavy”, entre outras, e o encerramento com “Bleed It Out”. Não teve como não amar.

Saí bem contente – e conseguir chegar de metrô até o terminal de ônibus pra voltar, sem precisar pedir transporte em aplicativo algum, foi algo que eu não esperava.

O lineup de 2016 tava “melhor”? Dependendo do ponto de vista, talvez sim. Mas não achei esse nem de longe “ruim”. Maior parte da galera tava lá por Linkin Park – foi o público deles que puxou a quantidade de pessoas pra cima ali, e as outras bandas também foram ótimas. Estou torcendo muito por uma nova edição ano que vem, com uma seleção de bandas tão boa quanto as últimas ou ainda melhor.

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