Literatura

Estante de quadrinhos #1

Sempre gostei de super heróis: todo dia assistia Liga da Justiça e X-Men: Evolution antes de ir para a escola e era fascinada por aquelas personagens e suas habilidades. Daí veio a repaginação da lenda do Cavaleiro das Trevas em 2005 com Batman Begins, que, além de despertar meu interesse em cinema, enfiou na minha cabeça AQUELE desejo de saber mais sobre aqueles indivíduos e suas histórias.

Entretanto, uma moça preguiçosa eu era. E, provavelmente mais importante, não tinha acesso (ou dinheiro, de qualquer forma) a essas coisas na época.

Daí veio 2016. Super heróis estavam em alta e ler HQs deixou de ser coisa de losers, tornando-se o passatempo preferido de muitos winners. Naquele ano, passei a assistir filmes animados dos personagens que mais gostava (inclusive fiz *um post sobre aqui no WT*), e, bem, aquela vontade de saber mais, compreender mais e finalmente mergulhar nas nerdices foi aflorada. Vários filminhos e horas gastas em pesquisas depois, descubro que a DC Comics acabara de reformular suas HQs, dando a oportunidade que novos fãs como eu precisavam – agora sim, poderíamos nos jogar em suas publicações sem medo. Senti que, com essa coincidência, era hora de fazer algo com o qual flertei durante tantos anos.

E agora vai, pois eu tomei a decisão consciente de me tornar uma pessoa que lê quadrinhos. De verdade, dessa vez.

Você pode estar pensando “mas essas coisas não deveriam acontecer naturalmente?”, o que é um ponto justo. Mas deixar rolar claramente não funciona comigo. Portanto resolvi que, depois de 10 anos enrolando, finalmente atingiria meu potencial por completo, e vou dividir a experiência com vocês porque é mais legal compartilhar as coisas que você gosta. É uma espécie de experimento, e se der certo eu vou ter um tipo novo de mídia para desbravar; se der errado, pelo menos tentei algo diferente.

Então no Estante de Quadrinhos vou falar sobre as HQs que li no mês e o que achei delas, vou explanar as coisas que eu adorei e também vou reclamar do que odiei. Espero que vocês se divirtam com o processo tanto quanto eu.

Porém peraí porque há regras:

  • Só arcos completos vão aparecer nestes posts, então, se eu li cinco “capítulos” de uma HQ de seis, ela fica para o próximo mês, evitando bagunçar as coisas com single issues e histórias não terminadas.
  • Caso os títulos mencionados estejam disponíveis em português, serão eles os mencionados aqui, mesmo que eu tenha lido as versões originais. Isso é pra ajudar a vida do leitor brazuca que não é obrigado a saber inglês e quer encontrar as HQs com facilidade.
  • Agora sim, cá estão os quadrinhos que eu li no mês de janeiro!

Universo DC Renascimento (Panini Comics) – ★★★½☆

Sabe aquela tal reformulação da DC Comics que mencionei lá em cima? Então, ela se chama Renascimento e esse especial é ~aquele~ evento de máxima importância que você (aparentemente) precisa ler antes de qualquer outro título desta leva. E, olha, que surpresa isso foi! A história de Geoff Johns gira em torno do antigo Kid Flash, Wally West, e sua tentativa de voltar ao mundo real. No meio da saga de Wally encontramos heróis que já conhecemos, outros que acabaram esquecidos na continuidade, algumas pontas são deixadas soltas e somos apresentados à nova dinâmica de relacionamentos entre personagens. O livro tem a responsabilidade de explicar a existência do universo atual e como ele veio a ser, e é bastante corajoso com o que pretende fazer, mas isso não significa que fica só nisso: tem MUITA emoção e momentos que me deixaram cheia de lágrimas, além de ser super divertido e um bom entretenimento. Também exigiu o uso do famoso Google para saber quem certas pessoas eram, e, infelizmente, conhecimento sobre outros arcos da editora é necessário para que o leitor não fique mais perdido que John Travolta em Pulp Fiction, FAZER O QUE. Adorei o especial, de verdade. Só senti falta de outros heróis que não trouxeram de volta, mas não tomo rejeição como falha.

 

Batgirl vol 1 (Panini Comics) – ★½☆☆☆

Decepção tem um novo nome, e este é Batgirl: Beyond Burnside. É difícil encontrar algo para elogiar além da arte de Rafael Albuquerque. A história é infantil ao extremo, ninguém age ou fala como um ser humano, muitas oportunidades de uso da mídia visual são desperdiçadas e, RAPAZ, eu não aceito essa garota idiota como Batgirl de jeito nenhum. Ao invés de ser uma moça inteligente que sabe o que está fazendo, cá temos Barbara Gordon sendo otária com o que não deveria ser otária, e ainda por cima se metendo num romance nada a ver. É tudo muito conveniente também e, de verdade, passei raiva lendo e só terminei por TOC. Talvez eu só não seja o público alvo da HQ, mas é isso. Provavelmente não vou continuar com esse título, o que é uma pena.

 

Titans Hunt (DC Comics) – ★★★☆☆

Olha só a fofa aqui que planejava se jogar nas histórias que preparavam o terreno pro Renascimento ANTES de ler o Especial Renascimento e falhou de forma miserável! De qualquer forma, Titans Hunt mostra os já-não-tão-Jovens Titãs vagando pelo mundo sem saber que já foram os Jovens Titãs um dia. O que aconteceu para fazê-los esquecer de seu antigo grupo e suas amizades? Mistéééérios. A história me prendeu legal no começo, fiquei intrigada, porém lá pra metade fiquei cansadinha e fui fazer outras coisas. Não é ruim, não mesmo, mas parece que enrolou demais para chegar onde devia e quando as coisas começaram a acontecer eu já não estava tão investida. Entretanto, não tem problema porque me diverti de qualquer forma e, mais importante, fiquei prontinha para a leitura de…

 

Titãs vol 1 (Panini Comics) – ★★★½☆

O que dizer dessa HQ que mal comecei e já adoro pacas? O primeiro arco dos ex-Jovens Titãs e atuais apenas Titãs foca bastante em Wally West aceitando seu lugar no mundo e as coisas que perdeu até chegar onde está, e não tem como não ficar sentida pelo coitado porque, tadinho, ele sofre muito. PORÉM é claro que tem bastante do grupo todo e a amizade desses lindos é um amor de se ver, assim como suas interações, e me apaixonei fácil por todos os membros do time (e olha que me fazer reparar em qualquer outra pessoa que não seja o amor da minha vida Asa Noturna é uma conquista e tanto). Ah, também tem um vilão bem idiota no meio do caminho pra complicar as coisas, já que HQ é conflito. A história pode ser bobinha de vez em quando e soar um pouco repetitiva (eu rolava os olhos toda vez que “Meu nome é Wally West e eu sou o homem mais rápido do mundo” era entoado), mas estava bastante entretida. Me diverti DEMAIS com a leitura, então as coisas ruins e aquele vilão doido a gente ignora e admira o quão incrível Dick Grayson é como líder e aproveita pra babar na ótima arte e cores de Brett Booth, Norm Rapmund e Andrew Dalhouse.

 

Deadpool vs The Punisher (Marvel Comics) – ★☆☆☆☆

Eu não sei por que continuo fazendo essas coisas comigo mesma. Há alguns anos eu adorava HQs do Deadpool porque eram idiotas e engraçadas, mas ou as histórias pioraram com o tempo ou meu senso de humor mudou drasticamente. Se aproveitando do boom que o mercenário tagarela ganhou depois do filme, vem a Marvel colocar o cara contra outro personagem popular da Casa das Ideias e………………… Putz. A primeira parte foi legal o suficiente, a segunda foi ok, na terceira eu já queria desistir, mas me forcei porque já tinha passado da metade. Muito ruim mesmo. A trama é chata, Deadpool só fala coisa sem graça, o conflito entre os protagonistas poderia ter sido muito melhor utilizado… Talvez eu só parei de ser o tipo de público para títulos assim, mas descobriremos no futuro, pois ainda não desisti do Deadpool, meus caros. Aguardem os próximos episódios.

 

Batwoman vol 1 (Panini Comics) – ★★★☆☆

No começo, achei que Batwoman fosse acabar sendo meu título preferido da leva Renascimento. A arte de Steve Epting é simplesmente divina, e nós já começamos a história muito bem, conhecendo partes de Kate Kane e sua vida. Daí passamos a segui-la em suas investigações e observamos seus dramas enquanto o passado da moça volta para assombrá-la e… Acabou o gás. Perdi o interesse no conflito e os vilões me irritaram tanto que queria que eles entrassem em combustão espontânea e sumissem da minha vida – não que antagonistas precisem ser gostáveis, mas sem condição de lidar com vilão que aparece toda hora do nada pra aporrinhar nosso juízo. Batwoman é uma daquelas histórias que começam tão bem que qualquer coisa abaixo de excelente é motivo de tristeza. É uma HQ ruim? Não, não mesmo. Poderia ter sido melhor caso a qualidade inicial tivesse sido mantida? Com certeza. Dito isso, quero saber mais sobre Kate Kane porque a moça tem uma vida complicada pra caramba, portanto continuarei lendo o título. VEREMOS.

 

Superman 1, 2, 3 e 4 (Panini Comics) – ★★★★½

Se há alguns anos atrás você me dissesse que uma HQ do Super-Cueca-Por-Cima-Das-Calças-Homem fosse se tornar uma das minhas coisas preferidas, eu riria bastante. Porém cá estamos e o mundo dá voltas, queridos leitores. O que eu amo sobre o primeiro arco do título escrito por Peter Tomasi e Patrick Gleason? Quase tudo. Aqui temos Superman, sua esposa Lois Lane e seu filho Jonathan Kent buscando se acostumar com sua nova realidade e encontrar seu lugar no mundo, e é a coisa mais sensacional que li até agora em Renascimento. É simplesmente incrível ver Clark Kent aprendendo a lidar com suas novas responsabilidades, além de ter que crescer como pai e herói, e suas falhas no meio do caminho tornam o alienígena tão humano e interessante. Mas a história é tanto sobre Jonathan quanto sobre Clark: é o drama do menino que não compreende seus poderes e não sabe como lidar com eles, é o conflito do pai que quer proteger seu filho a todo instante, e é o crescimento dos dois durante a narrativa. É sobre legados deixados e legados a construir, é sobre Lois Lane sendo a voz da razão e uma maravilhosa mãe que toma conta de seus garotos custe o que custar, é uma trama familiar estupenda que se foca mais em personagens do que ação desvairada. Entretanto, quem quer briguinhas tem briguinhas, já que um vilão dá as caras para complicar tudo e estragar minha felicidade de amar os Kents com todo meu coração. As quatro primeiras edições de Superman só não ganharam 5 estrelas porque alguns acontecimentos são meio confusos, mas fora isso é excelente. De verdade.

Saldo do mês:

Arcos terminados: 7

Páginas lidas: 1180

Então, é isso por enquanto. Não foi um mês tão produtivo quanto eu esperava, mas é só o começo, certo? Espero eventualmente ficar acostumada a ler essas coisas e conseguir fazê-lo mais rápido e com mais facilidade, porque ser iniciante é complicado e acabo me enrolando que nem uma idiota. De qualquer forma, caso você, caro leitor, tenha alguma dica de HQ para a pessoa que vos escreve ou quer conversar sobre os títulos aqui mencionados, pode falar aí nos comentários!

Até mês que vem, pessoal!

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2 Comments

  • Reply
    Estante de quadrinhos #2 - Who's Thanny?
    19/03/2018 at 3:11 pm

    […] estou de volta com meu projetinho (cujo primeiro post e explicação se encontra aqui) e, como toda promessa de ano novo, acabei dando uma bela de uma tropeçada. PORÉM creio que tenho […]

  • Reply
    Estante de quadrinhos #3 - Who's Thanny?
    09/08/2018 at 2:38 pm

    […] você não sabe o ponto dessa coluna, é só passar no post de apresentação rapidinho para se situar! Vamo que […]

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