Entrevista

Entrevistas Nacionais #1: Dayse Dantas

Por Jully e Gabriela
Nosso Especial Nacional esse ano começa um pouco mais cedo: toda quarta iremos postar uma entrevista com autores nacionais! E tentaremos ao máximo trazer autores que não são muito conhecidos, que a maioria de vocês ainda não tenha lido sobre. 

A primeira entrevistada é a autora Dayse Dantas, autora do livro Nada Dramática, que além de ser muito simpática, teve a maior paciência do mundo para responder nossas perguntas. Ela faz parte do gênero Young Adult, que ainda está crescendo muito aqui no Brasil. Além de ser autora, faz parte da equipe do blog literário Nem Um Pouco Épico.

nada-dramática

 Vamos direto para as perguntas!

1 – Em que pontos você é parecida com os seus personagens? Algo mencionado no livro aconteceu contigo na vida real?
Não vou negar que tem um pouco de mim em cada personagem, mas fica difícil apontar coisas especificas. Principalmente porque muitos dos personagens foram mesmo inspirados em pessoas da vida real (a própria história que acontece no e-mail do começo do livro é uma história verídica que foi contada pra mim via tweets e o que me inspirou a escrever um livro sobre ensino médios em Goiânia). Eu posso acabar sendo cada um dos personagens, acho, dependendo da pessoa se relacionando comigo. Sou a Jordana de um amiga, sou a Camilla de outra, o Lenine das minhas irmãs, e por aí vai. Eu acho que alguns escritores, quando estão trabalhando na sua primeira história, preferem escrever algo que lhes é familiar, talvez para se sentir mais a vontade em escrever sobre uma vida que não a sua. Daí, aos poucos, se tudo der certo, a gente vai saindo da nossa zona de conforto e pegando a manha de escrever melhor, e então arriscamos coisas mais desconhecidas e loucas.
E sim, muitas coisas do livro aconteceram na vida real. Como a grande história da Menina A e Menina B do começo do livro. Mas ao mesmo tempo elas não aconteceram pra valer, porque eu tive que fazer mudanças para poder encaixá-las na vida e no contexto dos personagens.
2 – Existe uma possibilidade de uma continuação de Nada Dramática? Se sim, já está sendo escrita?
Possibilidades sempre existem. Quem sou para dizer nunca? Mas nada relacionado com Camilla, não diretamente. Eu tenho pequenos pedaços de histórias dos outros personagens, e quem sabe esses pedaços de história acabem virando um livro. Mas por enquanto não, estou escrevendo algo completamente diferente.
3 – Qual foi o motivo para a história se passar em Goiânia? Foi considerado escrever sobre alguma outra cidade?
O motivo da história se passar em Goiânia é porque foi onde cresci. Sem contar que história nenhuma se passa em Goiânia! (claro, claro, a novela tentou colocar Goiânia no começo, mas quem eles estão querendo enganar? AS MENINAS NEM TINHAM SOTAQUE!) (o que me faz lembrar, será que pessoal que leu Nada Dramática que não era de Goiânia, leu pensando no sotaque goianiense? HMMMMMMM) Enfim, acho importante, agora que o mercado de YA nacional está expandindo, que existam histórias de vários lugares do país, porque a experiência muda de região para região, e é meio injusto a gente focar apenas no que acontece na área metropolitana do sudeste, né?
4 – Existiu alguma dificuldade em publicar o livro, como editoras rejeitando pelo gênero Young Adult?
Eu tive sorte, a primeira editora que leu meu manuscrito ficou interessada em publicar. Eu sei que esse tipo de preconceito existe, o que me deixa muito revoltada porque YA ROCKS, mas felizmente não foi algo que precisei experienciar, a Gutenberg é muito empolgada com lançamentos infanto-juvenis e para jovens-adultos. E também tenho que dar crédito para minha agente, que teve a sabedoria de mandar meu manuscrito para Gutenberg primeiro, sabendo que esse era o perfil da editora.
5 – Como foi o processo de publicação? Qual foi a melhor parte, e a pior parte?
O processo de publicação foi… normal. Quer dizer, hm, acho que talvez eu estivesse atordoada demais para processar tudo com detalhes. A editora e minha agente responderam todas as perguntas que eu tinha, tiveram muita paciência com a minha ignorância em relação ao mercado editorial, foi tudo bem legal. Eu tive minhas inseguranças, é claro, aquele momento de “PESSOAS VÃO LER O QUE EU ESCREVI, EU SOU TÃO BURRA, POR QUE FUI FAZER ISSO???” etc. Acho que a melhor parte foi quando recebi mensagem da minha agente dizendo que Gutenberg queria publicar meu livro. E também quando recebi as opções de capa para escolher. Eu chorei e fiquei toda “omg é um livro de verdade” e eu estava em Brasília na casa de uma amiga, foi patético. Mas bom. A pior parte… acho que foram os pequenos momentos de insegurança que eu tinha diariamente, achando que ninguém ia se interessar em ler o livro, e quem lesse ia odiar, essas coisas. Felizmente eu tenho um bom grupo de apoio que dá um tapa na cara e grita “CONTROLE-SE, AMIGÃO!” sempre que algo assim acontece.
6 – O que te inspirou a escrever? Quais filmes ou músicas te deixavam no clima e te faziam entrar no mundo da história?
OK, eis a questão: minha vida de ensino médio era bem chata. Mentira, era bem legal. Eu era uma adolescente feliz. Mas sabe. Não era nada que deixasse filmes ou livros interessantes. Então, naturalmente, sendo egocêntrica como eu era, eu achava que essa era a experiência que todo mundo estava tendo, que super dramas adolescentes eram coisa de americano. Depois de já ter entrado na faculdade, eu estava lendo alguns livros de YA nacional e via uns dramas muito loucos e ficava pensando “gente, adolescência de ninguém é assim!”, e quando falei disso para minhas amigas que estudaram comigo elas ficaram super “hm, Dayse, era assim sim. Você que não estava prestando atenção.” e então elas começaram a listar dramas e mais dramas que tivemos no ensino médio, e que eu lembrava, mas não achava que era drama porque eram coisas que não aconteciam comigo, apenas me eram relatadas, então eu só achava que era uma história besta. Como Marcela disse em certo momento do livro, eu nunca senti o drama. Enfim, e finalmente, quando minha amiga me contou a história da Menina A e da Menina B pelo twitter, eu comecei a pensar nessa história de uma menina que subitamente é inserida em dramas loucos, sem saber exatamente como.
Filme nenhum me inspirou, acho, não conscientemente, mas tenho certeza de que há influências de coisas que assisto nos contos da Agente C. Eu não costumo ouvir músicas com letras quando estou escrevendo, porque acabo não escrevendo e cantando ao invés. Então eu sempre coloco uma trilha sonora. Dependendo da cena (se é divertida, ou romântica, ou triste), eu coloco a trilha que tem mais a ver com o clima. Porém, eu fiz uma playlist de músicas que ouvia e me fazia lembrar de Nada Dramática nos momentos que não estava escrevendo o livro.
Ah, sim, acabei de me lembrar de uma coisa! Na minha cabeça, a família de Camilla sempre foi muito de assistir documentários. Então, uma semana, eu fiquei todos os dias assistindo os mais variados documentários no netflix. Talvez entrando na personagem, ou talvez só sendo preguiçosa mesmo.
7 – Qual é a diferença da vida antes de ter um livro publicado, e depois?
Hm… agora eu recebo vários tweets de feedback da história, o que é super legal. E agora, quando escrevo, sei que existe uma possibilidade real de ser publicada, então isso muda um pouquinho a forma que eu penso na história (vez ou outra o pensamento “meu pai vai ler isso!” vem à mente). Mas acho que o mais importante é que muita gente, MUITA GENTE MESMO, diz “você tem que escrever um livro sobre isso!” pra mim.
8 – Planeja continuar a escrever alguma das histórias antigas do Nanowrimo, ou prefere começar uma nova nesse ano?
Ah, nanowrimo… tantas boas lembranças. Mas está tão longe ainda! Eu nunca planejo com muita antecedência, então não tenho nenhuma ideia do que farei esse ano. Mas sim, eu quero, um dia, talvez!, voltar para alguma história que comecei em nanowrimo. Eu tenho muitas, não é possível que não consiga terminar ao menos uma delas!
9 – Quais são os seus futuros projetos? Podemos esperar um novo livro nas livrarias em breve?
Meus futuros projetos… terminar o livro que estou escrevendo agora. Eu não quero falar muito sobre, para não azarar, mas é YA e é… em terceira pessoa. OK, só vou falar isso. Hm, talvez vocês possam esperar o novo livro nas livrarias em breve? Mas depende da sua definição de breve.
10 – Foi difícil conciliar o trabalho como professora e a escrita do livro?
Não muito. Quer dizer, maior parte do livro foi escrito em época de férias e feriados. E trabalho como professora era só meio período, então foi tranks!
É isso por hoje!

Você pode comprar o livro Nada Dramática nesse link, e acompanhar o blog literário dela aqui.

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1 Comment

  • Reply
    Victória Santana
    April 2, 2014 at 6:39 pm

    Amei a entrevista, a escritora é super simpática! Me senti falando com ela pessoalmente. Kkk Me identifiquei com as aflições iniciais dela, quero muito ser escritora e se algum dia conseguir, me pergunto: “Quem seria louco de ler meu livro?” kkk Ia obrigar meus amigos, é claro! Kkk Voltando a entrevista, espero ler esse livro logo!

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