Evento

Campus Party 2019 #CPBR12

De 11 a 17 de fevereiro o Expo Center Norte, na capital paulista, esteve cheio de fãs de diferentes campos da tecnologia para participar da edição de número 12 da Campus Party, ou simplesmente CPBR12, e eu, Hypia, finalmente consegui estar lá este ano, depois de várias edições em que eu gostaria de ter estado e não foi possível.

A Campus Party, de forma bem resumida, é uma convenção sobre tecnologia, criatividade, empreendedorismo e ciências, onde acontecem diversas palestras, workshops e outras atividades sobre esses temas, com a possibilidade de acampar dentro do local onde as ações acontecem.

A abertura do acampamento aconteceu na segunda feira, dia 11, e o início oficial da programação foi no dia 12, terça feira, no período da noite. Cheguei na terça de manhã ao local, e mesmo depois de ter visto bastante material sobre como é a Campus Party e o que fazer lá, além de dicas práticas, eu ainda estava um pouco perdida sobre como proceder na chegada. Tinha um grupo de pessoas conversando na porta do local, e pedi orientações sobre o que eu deveria fazer; o primeiro passo era ir até o credenciamento, retirar o crachá, e ir ao acampamento guardar minhas coisas, pra depois aguardar a abertura da área onde o evento de fato acontece.

O credenciamento foi extremamente simples – meu convite já estava reservado, com acampamento, e bastava apresentar um documento oficial com foto para receber a credencial para acessar os espaços do evento. Na hora que entregam a identificação, já está definida a localização da barraca a ser utilizada – nomeada por uma letra, que seria a “rua” dentro do acampamento, e um número, que seria o “endereço” específico da barraca que seria para mim. Nesse momento uma das recomendações que eu tinha encontrado antes já se mostrou bem importante: não esquecer de levar um cadeado para fechar a barraca – e era bem fácil travar com um cadeado do tipo que serve para fechar, por exemplo, uma mala de viagem.

Vou destacar aqui como foi o kit de boas vindas do evento, que eu achei bem bacana: uma ecobag com estampa da Campus Party, bolinhos, KitKat, pacote de algum café especial da Três Corações, e panfletos com propagandas de cursos da área de tecnologia.

As barracas no camping (fonte da foto: Estadão):

O cordão da credencial tinha estampa com tema de Steven Universe – e a entrevista da Rebecca Sugar na CCXP18 era tudo em que eu conseguia pensar quando vi a arte.

O local tinha sido dividido em três partes: o camping, a arena – espaço do evento propriamente dito – e a área Open Campus, espaço que não era preciso ter convite pra conhecer. A arena abriu ao meio dia da terça feira, e eu estava bem curiosa para saber como aquele ambiente estaria organizado. Lá dentro da arena existem vários palcos e espaços para workshops, locais para games, e uma infinidade de bancadas de diversos grupos de pesquisadores de várias áreas diferentes, além de uma área de foodtrucks e um espaço de um restaurante.

Sobre a área Open Campus: tinha muita ação muito interessante, por exemplo, simuladores de realidade virtual, as palestras sobre educação, coleta de equipamentos para doação em troca de pulseiras que davam acesso de um dia à área paga, entre outras atividades. Uma das atrações que achei mais interessantes na Open Campos foi a área Makers, onde eu participei de uma atividade em que grupos com quatro pessoas precisariam construir um miniguindaste com um eletroímã, com os materiais que a organização fornecia.

Duas das bancadas que eu achei mais interessantes foram as do grupo PyLadies, uma iniciativa voltada para ensinar programação para mulheres e incluí-las na área da tecnologia, e a do grupo Codamos, que também tem esse foco, e nessas bancadas aconteceram atividades bem interessantes.

Na noite da terça, aconteceu a abertura oficial do evento, e as primeiras palestras foram com os cientistas Ivair Gontijo e Marcos Palhares, ambos da área da pesquisa espacial – e achei ambas muito interessantes; o Ivair foi um dos cientistas que ajudou a colocar o robô Curiosity em Marte, e conforme ele explicava como o processo funcionou, pareceu que a frase mais repetida durante a palestra foi alguma coisa parecida com “se acontecesse um erro nesse ponto, o projeto terminaria ali”. O painel do Marcos eu achei inspirador, por ter incentivado que cada um se dedicasse aos projetos que ama. Eu questiono bastante uma grande parte do que é dito sobre motivação, mas as histórias que a gente quer contar não vão se escrever sozinhas, robôs não vão se fabricar e ir pra Marte sozinhos, e os programas de computador que a gente quer que existam não vão surgir por geração espontânea, então, sim, iniciativa é importante, mas infelizmente nem todo mundo consegue acesso às ferramentas de que precisa pra concretizar os projetos que deseja desenvolver; o que pode ser feito agora é buscar possibilidades ao nosso alcance e trabalhar da forma que for possível pra que cada vez mais pessoas possam construir o que sonham criar.

Uma das coisas que achei incrivelmente importantes nesse evento foi o quanto se mostraram dispostos a dar bastante espaço para trabalhos de cientistas mulheres; vou destacar duas palestrantes mulheres no palco principal – a química Joana D’Arc Felix, que falou sobre a própria carreira, dificuldades que enfrentou, oportunidades que teve, e projetos que desenvolve atualmente, e a neurocientista Poppy Crum, com uma palestra incrível. Tiveram vários paineis sobre participação feminina na ciência, o que eu achei ótimo.

Quem gosta de festivais de música tanto quanto eu vai entender a seguinte comparação: sabe quando anunciam o lineup de um festival com mais de um palco, e tem shows em locais diferentes que você queria ver, mas são no mesmo horário? Então, tanto os palcos das palestras quanto as bancadas com atividades lá na Campus Party também estavam assim. O aplicativo deles ajudava bastante a saber o que tava acontecendo, e mesmo assim era muito fácil perder noção do horário, e depois de sair de um workshop/aula/roda de conversa/palestra/atividade, descobrir que teve algum outro conteúdo que você queria conhecer e tinha acabado de terminar em outro local.

O atual ministro da ciência, tecnologia, inovação e comunicações, Marcos Pontes, esteve lá para uma palestra sobre a própria carreira; das pessoas que apresentaram algum conteúdo lá, ele foi um dos poucos que me recordo que não abriu espaço para perguntas; caso tivessem permitido, eu perguntaria três coisas: em primeiro lugar, que ações concretas para promover desenvolvimento e divulgação de ciência estão ao alcance dele enquanto ministro; em segundo, quais tipos de propostas ele poderia apresentar para que seja possível enfrentar movimentos anticiência e pseudociências; por último, qual o ponto de vista dele sobre como deve ser organizado o financiamento de pesquisas científicas. O conteúdo da palestra eu achei bem dentro do esperado para o evento, um relato das experiências dele e pouca coisa além disso; mesmo assim, foi bem interessante a possibilidade de ouvir de perto um discurso de um ministro. Enquanto eu escrevia, não localizei o vídeo oficial da palestra no YouTube, mas não deve demorar até que publiquem.

Além do foco em ciência, tecnologia em empreendedorismo, teve alguns conteúdos de cultura pop que eu acho bem válido destacar aqui. Aconteceram duas apresentações bem divertidas: companhia de teatro Barbixas, e painel da TV Quase com o Juliano Enrico (Irmão do Jorel), Leandro Ramos (Julinho da Van do Choque de Cultura), e Daniel Furlan (Renan do Choque de Cultura). Eu gostaria muito que o Raul Chequer, mais conhecido como Maurílio dos Anjos, ou Maurílio Palestrinha, e o Caito “Rogerinho do Ingá” Mainier, também tivessem estado lá.

Quem acompanha nossas publicações sobre eventos relacionados cultura pop que a gente frequenta sabe que a gente tá muito animada pra ver o filme de Turma da Mônica: Laços, e eu fiz questão de ver o painel com as crianças que vão fazer os papeis de Mônica, Magali, Cebolinha, Cascão, e o diretor do filme. Eu tinha feito transmissão ao vivo pelo perfil do Who’s Thanny no Instagram, e agora a filmagem oficial está no perfil da CPBR no YouTube.

Ainda no tema Turma da Mônica, também tivemos um painel com o Maurício de Souza, que também foi bem interessante.

Outra atividade relacionada a cultura pop foi um concurso de cosplay, e eu achei que as fantasias estavam bastante bem feitas – aqui tem um vídeo não oficial desse desfile.

Houveram algumas reclamações, e as mais importantes foram sobre a segurança do evento – vi relatos de gente que teve equipamentos furtados, e desorganização na saída das pessoas na madrugada do sábado para domingo – o horário anunciado para fechamento dos serviços do acampamento era às duas da manhã do domingo, e as pessoas deveriam sair até seis da manhã; teve relatos de pessoas que tiveram problemas e acabaram perdendo horário de voo ou ônibus de volta para as próprias cidades.

Achei que os horários das atividades foram bastante bem pensados – normalmente as ações começavam às dez da manhã e terminavam em torno de duas da madrugada, o que eu imagino que sejam horários bem próximos daqueles em que boa parte do público acorda e vai dormir. Não eram o que eu considero ideal para mim, mas para boa parte das pessoas ali eu imagino que tenha funcionado muito bem. Durante o período do final da noite e madrugada, acontecia o que chamam de “Campus B”, que é basicamente uma reunião de visitantes da CPBR na frente do São Paulo Expo para confraternizar, dançar, tomar cerveja, e conversar sobre assuntos diversos. Outra atividade interessante durante a madrugada era exibição de algum filme, votado entre opções que a organização sugeria.

Saí do evento no final da tarde do sábado, bastante cansada, e também bastante inspirada a estudar mais, aprender conteúdos diferentes, construir novos objetivos criativos, e trabalhar para alcançá-los. Estão anunciadas datas da edição de Brasília e de Rondônia deste ano; vou considerar ir a uma nova edição em alguma localidade onde seja possível eu estar – por exemplo, uma futura edição em Belo Horizonte, onde já fizeram o evento; vamos aguardar data no site da Campus Party.

You Might Also Like

No Comments

Leave a Reply

CommentLuv badge