Cinema, Coluna

Cabine do WT #1

Ano novo, vida nova e coluna nova também. E sobre filmes! Talvez já esteja tarde para dizer isso, mas, se formos pensar bem, cada dia é o começo de um novo ano e o tempo é uma completa ilusão e cada vez mais usado para medir nossa produtividade em uma lógica capitalis-

Geovana, esse não é um texto acadêmico ou político, meu bem. Get back to Earth, bitch! Tanto tempo escrevendo só artigo e monografia me deixou assim, perdoem-me pela introdução mal feita.

Voltando ao nosso eixo aqui, a nova coluna do WT é nada mais do que uma reunião semanal de indicações cinematográficas para vocês. Com breves opiniões (e com muito alto astral também) sobre cada filme indicado, pretendemos convencê-las a assistir tudo em 2 segundos ou menos e, claro, dividir conosco suas opiniões também. Todo domingo estaremos aqui com indicações quentinhas dos melhores filmes de… qualquer época, na verdade. Não nos limitaremos a lançamentos e, bem, vai ser um jeitinho de vocês conhecerem mais dos gostos de cada uma de nós.

E não, não temos sessões exclusivas, o título é apenas uma licença criativa baseada nas sessões em que vou no meu estágio na Classificação Indicativa (juro fazer um post em breve sobre), então sentem-se e aproveitem. Até vocês, jornalistas e críticos profissionais de cinema. Let us be happy for ONCE!

Pantera Negra (2018), por Byzinha

Esse sentimento aqui no peito, a gente teve ele ano passado, mais ou menos nessa época, quando Mulher Maravilha entrou nos cinemas. É o sentimento de não conseguirmos acreditar que isso está acontecendo no nosso tempo: um filme de super-heroína sobre amor, mas que não é sobre romance barato, um filme de super-herói negro que não é tratado como diversidade obrigatória. Pantera Negra é um filme ambicioso e ousado – e olha que eu não costumo render elogios à Marvel com tanta facilidade. E vou falar a verdade, quando as primeiras notícias sobre o filme começaram a serem divulgados (como elenco, direção, roteiristas), o ceticismo bateu aqui. Eu pensei “Aham, até parece que vão mesmo fazer um filme com essa paleta dominante de cor de pele”, porque isso nunca, JAMAIS aconteceria – meio que como ter duas latinas entre as personagens principais de uma comédia procedural na FOX.


Mas aconteceu. Pantera Negra estreou nos cinemas dia 16 de fevereiro e é tudo que uma pessoa de cor poderia sonhar. Finalmente algo que nos represente, finalmente negros sendo representados de maneira justa, não-estereotipada, respeitosa, com umas ceninhas de ação bem daora no meio só pra deixar tudo mais emocionante, e o já conhecido humor Marvel que conhecemos funcionou bem. Para mim, o filme não chega a ser tão bom quanto Mulher Maravilha, mas chegou bem perto, viu? Bem perto.

Terra Selvagem (2017), por Jovs

Eu poderia falar horas e horas sobre esse filme, essa é a verdade. Agora, tentando escrever o que penso e o que sinto sobre Wind River, o terceiro roteiro escrito por Taylor Sheridan (os anteriores foram Sicario e Hell or High Water), dois parágrafos parecem pouco demais. E eu nem sei como, de fato, começar. Assim como seus roteiros anteriores, Taylor tomou um tema delicado, com claras implicações sociais, e o tornou tão específico, tão especial daquele núcleo de personagens que quase esperamos vê-los todos em uma ocasional viagem ao Wyoming. Estrelando Jeremy Renner e Elizabeth Olsen, Wind River traz uma verdadeira caçada pela verdade quando uma jovem de origem nativa-americana é encontrada morta no meio da neve e com claros sinais de estupro. O suspense parece simples e sem grandes reviravoltas, mas é em como seus personagens se projetam tão sutilmente em um quadro muito maior que está a graça. É real. É delicado.

E esse “realismo delicado” aparentemente é o estilo bem marcante de Sheridan. Tão delicado que a naturalidade dos acontecimentos e a forma como são exibidos me parece um estrondo de sentimentos. Aconteceu o mesmo com Sicario, aconteceu o mesmo com Hell of High Water: Sheridan nos traz uma situação anormal, a retrata com um tom quase seco, cotidiano, palpável e ainda assim me faz chorar com apenas uma fala. É a destreza em retratar personagens tão reais quanto a nossa própria pele, com todas as falhas que eles têm direito, todas as vulnerabilidades e ainda não perder o foco da tensão primária em que a história se coloca. E em Terra Selvagem, é quase incrível a sutileza com que essas emoções são tratadas, ainda mais em um contexto social específico: a perda da ancestralidade indígena, o abandono estatal, a população que desaparece sem deixar rastros seja fisicamente ou no vício em drogas. Isso tudo, minhas amigas, em apenas poucas falas que reverberam pelo filme inteiro.

A Forma da Água (2017), por Cambs

Uma vez que sabemos que as habilidosas mãos de Guillermo Del Toro são responsáveis por um filme, existem duas coisas que já podemos esperar: visuais extremamente lindos e monstros. A Forma da Água é uma demonstração clara desse padrão e é simplesmente de tirar o fôlego. Absolutamente tudo nesse filme é lindo, desde o visual até áudio e o sentimento que sai da tela e vai direto na sua cara. É uma história sobre amor (e não só romântico, pra ser sincera) e monstruosidade que questiona a presença da empatia e o verdadeiro lugar onde os monstros se escondem. Pode até usar tropes clichês de certa maneira, mas a execução das cenas e a forma como tudo é conectado e entregue, é onde a mágica se encontra. Simplesmente magnífico.

Viva – A Vida É Uma Festa (2017), por Cambs

Viva, ou simplesmente Coco como é o nome da animação no idioma original, tem um título bem condizente com o filme porque quando acaba, depois de toda a montanha russa de emoções e lágrimas enquanto dança com as músicas, o sentimento é tanto de gritar um “VIVA” ou se sentir bem mais viva. Miguel é um garotinho carismático que nos leva numa viagem cheia de cultura mexicana voltada ao Dia de los Muertos. No meio de um visual extremamente lindo, as músicas nos embalam e ajudam a construir passos durante toda a história que trata sobre a própria morte, amizade e família. É a coisinha mais linda dessa temporada, a resenha não é lá essas coisas, mas o filme é maravilhoso. Quentinho e lindo que totalmente vai te fazer atender o pedido da música principal Remember Me.

Assassinato (2015), por Thanny

O cinema coreano tornou-se minha paixão, apesar de gostar muito de terror, tenho me aventurado pelos gêneros de drama e ação e não poderia deixar de indicar a bela trama que é Assassinato. Situado na década de 30, o filme narra a história de um grupo de assassinos coreanos contra um grupo pró-japonês na luta pela independência da Coreia. O filme não chega a dar uma aula de história sobre os conflitos do Japão e Coréia naquela época, mas o telespectador consegue acompanhar o desenvolvimento dos fatos. Os personagens são bem construídos e cada um tem um papel importante a desempenhar para a conclusão da missão, com direito a cenas belíssimas de ação com muitos tiros e explosões.

E por hoje é só. Apesar de termos tentado focar nos indicados ao Oscar, a lista de indicações dessa semana ficou bastante diversificada e, bem, we strive for that! Esperamos que tenham gostado e assistam aos filmes indicados, além de falar pra gente também qual foi o seu favorito da semana. Voltamos no próximo domingo, babies!

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