Literatura

As Virgens Suicidas, Jeffrey Eugenides

Da série “clássicos que merecem ser lidos”, o próximo da minha lista foi o cult-favorite de Jeffrey Eugenides.

“The girls took into their own hands decisions better left to God. They became too powerful to live among us, too self-concerned, too visionary, too blind. ”

Não vou fazer um resumo, porque acho que vocês já sabem do que se trata – um livro sobre as cinco irmãs que cometeram suicídio uma atrás da outra.

Eternizado pelos olhos e mente de Sophia Coppola em 1999, As Virgens Suicidas é outro desses filmes tão bons quanto o livro. A trajetória das meninas Lisbon contada pela mente coletiva dos meninos do bairro – que as idolatravam e morriam de amores – é poética, crua e bela. Mas também é um bocado difícil de ler.

Não um difícil-Shakespeare, mas é um tipo de livro que demanda a sua atenção e dedicação. A maneira que os vizinhos das Lisbon usaram para escrever o livro é delicada de um jeito que nem todo mundo tem paciência para ler. É diferente da nossa leitura seletiva de hoje em dia, de autores de assimilação rápida, direta e precisa. É diferente de John Green e Suzanne Collins, e é igualmente belo. Virgens Suicidas é um desses clássicos que fazem você tirar seu tempo para ele. É como Admirável Mundo Novo e On the Road. E é exatamente por esses motivos que ele é um livro que você pode amar ou odiar. O meio termo é complexo de ser encontrado.

“We felt the imprisonment of being a girl, the way it made your mind active and dreamy, and how you ended up knowing which colors went together. We knew that the girls were our twins, that we all existed in space like animals with identical skins, and that they knew everything about us though we couldn’t fathom them at all. We knew, finally, that the girls were really women in disguise, that they understood love and even death, and that our job was merely to create the noise that seemed to fascinate them.”

Sendo um livro curto, é surpreendente ver como eles levam tempo para chegar aos fatos finais. Cecília se joga da janela nas primeiras páginas, mas as irmãs são mais complexas. Uma a uma vão se desmanchando bem diante dos olhos dos vizinhos que tanto as adoram e o momento de reconhecimento do “tarde de mais” é o que torna o livro tão fascinante. É pelo que esperamos desde que começamos a ler.

Eu cheguei a essa conclusão (que provavelmente não tem nada a ver) de que Virgens Suicidas é o Quem é Você, Alasca? dos anos 90. A alienação do(s) personagem(ns) masculinos em relação à(s) protagonista(s) e a impossível desmistificação de tais pessoas são o ponto forte para entender e não entender o que levou cada uma das pessoas envolvidas ao desfecho das histórias. [SPOILER] Miles, assim como os vizinhos das Lisbon, foi completamente passivo com Alaska e seu temperamento difícil e igualmente incapaz de conseguir salvá-la.[/SPOILER]

É como se fosse uma versão rebuscada do livro do John, se você quiser pensar assim. Mas saiba que eles são muito iguais e diferentes. Vai do seu feeling. E talvez você se apaixone igualmente.

“It didn’t matter in the end how old they had been, or that they were girls, but only that we had loved them, and that they hadn’t heard us calling, still do not hear us, up here in the tree house with our thinning hair and soft bellies, calling them out of those rooms where they went to be alone for all time, alone in suicide, which is deeper than death, and where we will never find the pieces to put them back together.”

informações


Cortesia para resenha.
Título: As Virgens Suicidas
Autor: Jeffrey Eugenides
Tradução: Daniel Pellizzari
Número de Páginas: 232
Edição: 1ª – 2013
ISBN: 9788535922196
Editora: Companhia das Letras
Preço: R$39,50
Classificação: ★★★★☆

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