Literatura

Argo, Antonio Mendez e Matt Baglio

Argo é uma história real que engloba a parte mais chata e menos glamourosa da espionagem, mas isso não o faz ruim. Não mesmo.

Teerã, 1979, plena Guerra Fria. Militantes iranianos invadem a embaixada americana e fazem dezenas de reféns. Seis diplomatas, porém, conseguem fugir, e são acolhidos por autoridades canadenses. Mas eles não podem continuar no país por muito tempo, pois os riscos são muitos, tanto para eles quanto para os que lhes deram asilo. Então cabe ao experiente agente da CIA Antonio Mendez fazer uma exfiltração, retirar os “hóspedes” do Irã. E Mendez põe em prática um plano digno de Hollywood, onde os diplomatas fugitivos se disfarçam como a equipe de um filme de ficção científica, Argo, em busca de locações no Oriente Médio.

Como já deve ter dado pra perceber na sinopse, temos aqui um contexto histórico dos grandes: Guerra Fria. O mundo se degladiando para dominar o petróleo, esse tipo de coisa. Daí entra o contexto da população iraniana, derrubando o Xá traidor e odiando os EUA para todo o sempre (true story). Grande parte do livro é isso, as relações internacionais, tretas com diplomacia (MUITAS TRETAS) e afins. Nesse caso, porém, os “detalhes” são bem explicados, o que é ótimo pros não ligados em História (tipo eu). É como se fosse um episódio de Spooks, só que você realmente entende o que está acontecendo.

A narrativa é BEM explicativa e sem muitos diálogos, porém é viciante. De verdade. Tony Mendez faz questão de nos mostrar que o trabalho da CIA não é só o que vemos em filmes de ação, e que os homens que trabalham no lado de dentro da corporação são tão importantes quanto os agentes de campo. Às vezes somos apresentados aos aspectos pessoais de cada personagem e, mesmo que não sejam tão relevantes para a história, é um toque legal, algo para que nos identifiquemos, talvez.

Uma das perguntas que me foram feitas como parte do processo de entrevista em 1965 quando entrei na CIA foi: “E se você estivesse numa situação em que simplesmente desaparecesse e ninguém soubesse onde você está?” Minha resposta foi imediata: “Tentariam me achar.” Mesmo sem conhecer os seis americanos, eu sabia que, porque estava dentro das minhas possibilidades, eu tinha de fazer todo o possível para ajudá-los, independentemente de quaisquer reservas que tivesse acerca da minha própria segurança. Era a mesma coisa que eu esperaria que alguém fizesse por mim, e uma das razões de eu ter confiança para me colocar em situações de perigo.

Os personagens envolvidos na história são muitos. Muitos, muitos, muitos. Eu me perdia a cada 5 páginas, pois são TANTAS PESSOAS que não é difícil esquecer e/ou confundir quem é quem. O destaque dado a cada um deles é até bacana, pois essas pessoas tiveram grande importância dentro da operação, mas a memória sofre bastante nesse meio tempo. E, veja bem, esse é o único ponto fraco do livro. Não o começo morno (e compreensível), não as extensivas explicações, não a aula de história. Foram os nomes, apenas.

Enfim, esse sim é um bom relato de acontecimentos reais, ao contrário de Para Sempre. Mesmo com a burocracia no lugar das perseguições e tiros, é uma trama que merece ser lida e adorada, porque o que o que os homens da CIA fizeram para salvar os seis diplomatas foi incrível. A história de Argo virou filme pelas mãos do competente Ben Affleck, e tem Alan Arkin e Bryan Walter White Cranston no elenco. E provavelmente vai fazer a rapa nas premiações, então é bom ficar de olho.

informações

 

Título: Argo
Autor: Antonio Mendez e Matt Baglio
Número de Páginas: 256
Edição: 1ª – 2012
Editora: Intrínseca
Preço: R$ 29,90
Classificação: ★★★★☆

 

 

 

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2 Comments

  • Reply
    Cin
    February 14, 2013 at 1:14 am

    adorei argo! é otimo.
    ARGO FUCK YOURSELF.

  • Reply
    Bling Ring: A Gangue de Hollywood, Nancy Jo Sales - Who's thanny?
    April 13, 2015 at 11:21 am

    […] (como Ben Mezrich fez de forma brilhante em Bilionários por Acaso) ou a história mesmo (tipo Argo). O que li foram declarações de alguns dos envolvidos nos crimes, que certamente editaram os […]

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