Literatura

Admirável Mundo Novo, Aldous Huxley

Por Thayná e Byzinha

Imagina uma história bem louca. Mas muito, muito louca mesmo. Admirável Mundo Novo vai além disso de um jeito assustadoramente genial.

Sabe aquela promessa de início de ano, aquele tópico que diz “vou ler mais livros clássicos”? É daí que saiu a vontade de ler Admirável Mundo Novo. Melhor dizendo, a coragem.

Imagine você uma sociedade de proveta. Uma humanidade despida de quaisquer laços afetivos que possam deturpar o pensamento ideológico que faz de você parte a intrínsica da máquina que a sociedade se tornou. Crianças geradas artificialmente em sistema de produção, Fordismo humano, desde os primeiros momentos de fetos programadas para o seu destino. Uma humanidade que olha para o que nós somos hoje e ri da nossa vulnerabilidade, humanos maquinizados, desprovidos de tudo que consideramos ser humano.

É assim que o mundo de Admirável Mundo Novo é apresentado. Milhões de vezes mais aterrorizante do que o Doador de Memórias de Lowis Lory e psicologicamente violento de um jeito perturbador capaz de causar inveja em 1984 de George Orwell, nós vemos através dos olhos de um personagem que poderia ser você ou eu o que é ser inserido no universo de tais indivíduos e como tudo o que eles fazem ou falam converte para um final inevitável.

“Eu sou eu, e bem quisera não o ser”; o sentimento do eu era nele intenso e aflitivo.

Esse é o tipo de livro que não devíamos ficar surpresos com o final, mas ficamos. É o tipo de livro que deu origem a muitos outros livros e um dos primeiros que nos fez questionar como a mente do autor funciona para criar tal meio. Ele é genial e aterrorizante, como Laranja Mecânica (Anthony Burgess) é, mas sem a parte de simpatizarmos com os personagens. Enquanto Alex, embora violento, no limiar da loucura, consegue seguidores logo nas primeiras páginas, ler o livro de Huxley é uma constante de tensão, de pensar “essa é uma distopia que eu DEFINITIVAMENTE não gostaria de ver acontecer” (ao contrário do divertido Feios de Westerfeld, com suas hoverboards. Quem não quer hoverboards?)

As palavras podem ser como os raios X, se as usarmos adequadamente: penetram tudo. A gente lê, e é trespassado.

Huxley não facilitou as coisas. Ele criou um livro difícil de ler em que é necessário ter perseverança e estômago. Não porque ele é gráfico (não é), mas porque ele te faz questionar. Te faz querer olhar para o mundo de hoje e buscar situações que mostrem que olha, chegamos aqui, Aldous nos alertou mais de 80 anos atrás (como essas obras atemporais gostam de fazer).

Por causa disso, é preciso dizer que o leitor precisa se preparar para essa leitura. Não dá pra ser novato nas distopias clássicas e querer pular direto nele. Estou falando sério, não dá. Elas não são sangue e rosas brancas como as distopias de hoje em dia, elas atacam diretamente a mente e tornam a sua vida um pouco miserável (mas de um jeito bom, se é que você me entende). Admirável Mundo Novo é para aqueles que se sentem prontos para ele.

Caso contrário, o leitor nunca mais vai querer olhar para esses autores perturbados de clássicos perturbadores e vai acabar perdendo a verdadeira essência dessas obras e não aprendendo a lição central que cada uma delas traz. Que quem se limita, se esvazia.

E tudo bem você colocar essa frase no seu status do orkut.

“O wonder!
How many goodly creatures are there here!
How beauteous mankind is! O brave new world,
That has such people in’t” (Tempestade, v.1)

Informações


Livro cedido para resenha.
Título: Admirável Mundo Novo
Autor: Aldous Huxley
Tradução: Lino Vallandro, Vidal Serrano
Editora/Selo: Biblioteca Azul/ Globo Livros.
Nº de Páginas: 312
ISBN: 9788525056009
Preço: R$39,90
Classificação: ★★★★½

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