Literatura

A Escolha (A Seleção #3), Kiera Cass

Não importa o que você pensa do seu caráter. Só importa o que você faz com ele.

ATENÇÃO: Contém spoilers de A Seleção e A Elite.

Vou ser boazinha e dar uma estrelinha dourada pra Kiera Cass porque, né, pelo menos ela tentou.

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Depois de todas as tretas de A Seleção e A Elite, quatro garotas restam na competição para escolher a nova princesa desse mundo meio que distópico. America se decidiu em relação a Maxon, mas não consegue abandonar Aspen. Aspen continua respirando e existindo. Maxon, por sua vez, continua conhecendo as outras meninas, e sua afeição por Kriss só cresce. Como o casal mais indeciso da vida vai acabar? Poligamia é legal em Illéa para que todo mundo fique feliz e America possa terminar com o príncipe E o guarda? E eu realmente preciso me importar com a trama envolvendo os rebeldes? Muitas perguntas, meus amigos, muitas perguntas mesmo.

A primeira coisa que pensei ao terminar A Escolha foi “É, acabou. Ok”. É o final de uma história que gosto, então esperava no mínimo ter algum sentimento sobre. Minha reação não passou de um mero dar de ombros e uma semana depois reparei o quão sem inspiração o livro foi. Os pontos fortes dos volumes anteriores estão lá – narrativa facílima de ler que te prende e diverte -, mas não se sobressaíram sobre os pontos ruins. É como se Kiera Cass tivesse decidido provar para os leitores que ela criou uma distopia e que nós veríamos isso nem que ela tenha que esfregar na nossa cara. E foi o que ela fez. Só não deu muito certo.

Há coisas maiores do que o amor.

O terceiro volume de Selection tentou ser mais sério e político, buscando sustento em sua trama “distópica” que nunca fez muito sentido, trazendo tradições de Illéa para explicitar as injustiças e tentando fazer com que os rebeldes se tornem algo importante e elaborado. Antes era fácil ignorar as inconsistências, mas com tantos investimentos em seu ponto fraco, Kiera Cass acabou escrevendo uma bagunça. Personagens mudam suas atitudes do nada, amizades surgem do nada, um monte de gente morre do nada (e de forma ridícula, devo acrescentar). É como se a autora tivesse digitado qualquer coisa que lhe vinha à mente, só pela zoeira mesmo. Perdi a conta de vezes que me pegava pensando “Gente, mas por que isso tá acontecendo? Sentido, cadê?”, ou seja, foi complicado. Sem comentar que em determinado momento alguém jura amor eterno, apenas pra nas próximas páginas ter nojo extremo pela pessoa anteriormente amada. QUER DIZER.

É engraçado que sempre vi todo mundo reclamando de America sendo irritante em geral e isso nunca tinha me incomodado… até agora. Metade da minha frustração com A Escolha foi America sendo indecisa, America deixando *insira coisa que poderia ser feita imediatamente aqui* pra depois, America sendo mais indecisa… E juntando com Maxon ainda? Ai, meus nervos, meus pobres nervos, senhor Bennet! O príncipe continua sendo mala (como já comentei aqui), fazendo besteira e esbanjando romance em excesso até não aguentar mais. E porque a ironia é um negócio sério, Aspen nem teve tempo de ser chato – isso porque ele nem tem tanto destaque assim e, pra ser honesta, mal posso lembrar de duas cenas que tem sua ilustre presença. Uma irritação a menos, se você for olhar pelo lado bom.

cover

Entretanto, The One teve bons momentos. Apesar de não ser tão divertido quanto os anteriores, o clima de irmandade entre as meninas da Seleção foi uma boa adição, e as melhores cenas do livro consistem em simples interações entre as garotas e a Rainha e é um amor. Além disso, é legal rir dos mimimis intermináveis de Maxon assim que você se acostuma. Boatos de que Illéa vai ter o pior rei do mundo, boatos.

Não disse muitas coisas boas, mas ainda assim gostei do livro. Não sei o que é sobre essa série, que é toda errada e tem coisas extremamente irritantes, e ainda assim não consigo odiar. Não faz muito sentido, mas é verdade. Se você gostou dos anteriores, provavelmente vai gostar desse mesmo que não ame tudo. Ou talvez ame tudo, afinal.

Por favor, America. Você já disse e fez tantas coisas estúpidas que para mim seria uma surpresa descobrir que você ainda é capaz de sentir vergonha.

P.s.: E, mais uma vez, a capa é a coisa mais linda do mundo. Dá pra ficar horas admirando a beleza dessa trilogia na estante. <3

informações

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Cortesia para resenha.
Título: A Escolha
Autor: Kiera Cass
Número de Páginas: 352
Edição: 1ª – 2014
ISBN: 9788565765374
Editora: Seguinte
Preço: R$29,90
Classificação: ★★★☆☆

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3 Comments

  • Reply
    Caverna Literária
    July 16, 2014 at 12:21 am

    Olha… Eu li o primeiro livro dessa série muito por ver tantos comentários positivos, e ficar inconformada com isso, então tentei arriscar. E sim, a história é boa, a leitura flui fácil, mas cara.. Tava tudo tão óbvio e estampado o que ia acontecer no final, que nem perdi meu tempo lendo. E por muitas resenhas que andei vendo, é bem o que eu pensava hahaha as capas são lindas, a ideia da autora foi boa, mas infelizmente acabou tudo bem previsível

    xx Carol
    http://caverna-literaria.blogspot.com.br/

  • Reply
    Byzinha
    July 16, 2014 at 1:12 pm

    Remember when eu falei “tem política de mais, gostei não”. Pois é. Pois é.

  • Reply
    Livro: A Coroa, Kiera Cass (A Seleção #5)
    May 17, 2016 at 1:07 pm

    […] vale ressaltar onde a Kiera mais acertou. Se você se lembra bem, no livro #3 ela tentou deixar as coisas sérias na parte da política e talz e deu bem ruim. A Escolha foi um livro miadinho, apesar da parte do […]

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