Literatura

21.12, Dustin Thomason

Ficar tão desesperado a ponto de fazer coisas impensáveis para alimentar sua família é ser humano. Desde o começo da história, as pessoas fizeram o necessário para sobreviver.

21.12 foi um livro que pedi por puro impulso, admito. Acabei arregando de ler com medo que as ditas “profecias maias” se cumprissem (me julguem); e 6 meses depois cá estamos nós, então tirei o coitado da estante, esperando devorá-lo avidamente. Não foi o que aconteceu, mas não é que o negócio é interessante?

2112

11 de dezembro de 2012 parecia ser um dia corriqueiro para o Doutor Gabriel Stanton. Parecia, pois o especialista em doenças priônicas recebe uma ligação urgente, levando-o até um paciente com sintomas que confundem e o assustam. Enquanto isso, Chel Manu, uma pesquisadora maia, acaba por ter em mãos um códex ilegal que pode responder grandes perguntas sobre seus ancestrais. E a repentina epidemia de uma doença implacável faz com que Gabriel e Chel unam forças para salvar a humanidade.

Dustin Thomason merece aplausos pela extensa pesquisa feita acerca da cultura maia e dos misteriosos príons. Sua trama é rica em detalhes bem entrelaçados durante a narrativa. Tudo muito lindo, tudo muito bom, porém o autor se esqueceu de que não é só de história que se faz um bom livro; apesar da boa escrita, a leitura não rende como deveria. Os personagens são apáticos em sua maioria e não te dão aquela impressão de vida saindo das páginas como acontece com protagonistas cheios de personalidade. As únicas exceções são o britânico Alan Davies* e o cão de Stanton, Dogma, porque não tem como não amar cachorros. Mas de resto…

É assim que as coisas podem terminar, pensou Stanton. A vida já o forçara a perceber isso inúmeras vezes, mas o pensamento ainda o surpreendia. Você podia se exercitar, comer bem, fazer exames médicos de rotina, trabalhar duro todos os dias e nunca reclamar de nada, bastava um dia pegar o avião errado.

Também senti muita falta de um senso maior de gravidade. Pessoas estavam morrendo, afinal, e o máximo de tensão que consegui esboçar foi um dar de ombros. Faltou desespero escancarado, faltou gritaria, faltou alguém pra berrar que a merda tinha atingido o ventilador para deixar tudo mais convincente.

Apesar dos pesares, 21.12 é bacana. Algumas passagens são intrigantes e a obra como um todo é um bom entretenimento. Mesmo faltando algo para escandalizar de vez, o livro deve ser de grande valia para quem busca aprender mais sobre os costumes e a cultura maia. Ou pra quem é terrível em história das civilizações antigas e está sofrendo por antecipação porque ENEM. Acontece.

O número de amaldiçoados está crescendo a cada ciclo do sol, são amaldiçoados pelas transgressões contra seus companheiros. As ruas estão tomadas pela violência dia e noite, homens pacíficos voltam-se uns contra os outros, incapazes de invocar espíritos em seus sonhos, lutando pelas poucas coisas de valor que sobram nos mercados.

* Alan Davies, na vida real, é um comediante britânico e o autor provavelmente tentou prestar-lhe uma homenagem no livro (ou foi só uma bela coincidência). Só curti o cara por isso, verdade.

informações

 

Título: 21.12
Autor: Dustin Thomason
Número de Páginas: 280
Edição: 1ª – 2012
Editora: Paralela
Preço: R$29,90
Classificação: ★★★☆☆

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2 Comments

  • Reply
    Hangover at 16
    21/07/2013 at 6:52 pm

    Esse livo superou muito as minhas expectativas. Eu estava esperando que fosse só mais um mito bobo sobre o fim do mundo, mas o autor conseguiu relacionar detalhes muito importantes, e que realmente faziam sentido, além de explicar tudo tão explicitamente. De verdade, achei muuuuuito bom!

    xx Carol
    http://hangoverat16.blogspot.com.br/
    Hangover at 16 recently posted..Garota ReplayMy Profile

  • Reply
    Ceile
    22/07/2013 at 11:15 pm

    É.. ahn.. errr.
    Não, não é pra mim =/
    Sinceramente, não me atrai. É muito legal quando um autor pega algo como base e passa isso para o livro, mas eu preciso da sensação de “ficção real”, algo que não seja didático, mas que me ensine através da história outra história e a sensação daquilo tem que acontecer (tipo a histeria pelo fim do mundo, o surto coletivo, sei lá, algo que passe desespero pro leitor).

    Beijos!

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