Literatura

The Fault in Our Stars, John Green

Por Byzinha

As he read, I feel in love the way you fall asleep: slowly, and then all at once. (page 125)

OMG, será que eu vou ter estabilidade emocional para resenhar isso? OK. Vou tentar não ser muito emotiva, galere.

Aqui estou estou eu, novamente quebrando a schedule de resenhas porque eu simplesmente não podia não falar desse livro que eu literalmente acabei de acabar de ler.

The Fault in Our Stars (“A Culpa do Nosso Destino” em tradução livre) é o quarto romance individual de John Green (você pode conferir aqui no Who’s Thanny também as resenhas de Quem É Você, Alasca?, An Abundance of Katherines e Paper Towns), lançado em janeiro desse ano. Ele veio depois de muita expectativa e vou contar para vocês: não decepcionou.

Fault conta a história no ponto de vista de Hazel, uma garota de 17 anos que desde os 12 nunca foi menos do que paciente terminal de câncer de tireóide. Hazel é um milagre da medicina. Quando ela estava quase morta – o câncer alastrado para os pulmões, impossibilitando-a de respirar sem o auxilio de máquinas -, ela foi posta num medicamento experimental que deu certo. Desde então, ela ainda carrega para cima e para baixo um tanque de oxigênio, mas vive a vida normalmente – um normal de pessoas com um pé na cova, mas normal.

Ela tem que participar desse grupo de apoio que ela não exatamente gosta, mas que deve ir, quando conhece Augustus, um garoto charmoso, ex-jogador de basquete que teve uma das pernas amputada devido ao câncer ósseo. Augustus sente uma conexão com Hazel imediatamente e se aproxima dela. Ele é divertido e gosta de metáforas (por exemplo: ele não fuma, mas carrega consigo um maço de cigarros e vez ou outra coloca um na boca. Ele tem a coisa que mata, mas não deixa que isso o mate.). Quando ele e Hazel compartilham seus livros preferidos (o dele, uma adaptação de videogame, o dela, a história interminada de uma menina com câncer), a conexão entre eles aumenta e eles vão à uma viagem para Amsterdam, para conhecer o autor do livro de Hazel e tentar descobrir o final da história.

A partir daqui, eu poderia simplesmente traduzir as notas que outros autores famosos fizeram (o que eu meio que vou fazer), ou a review do NYT, porque são exatamente o que eu acho, mas talvez vocês se interessem pelas minhas próprias palavras, então lá vai.

Na orelha do livro, ele está descrito como “Perspicaz, corajoso, irreverente e bruto” e eu concordo. Particularmente, gosto da palavra “bruto” ou “cru”, porque (da mesma forma que “orgânico”) descreve as coisas num outro nível. Você tem todos esses sentimentos que borbulham enquanto você está lendo a história e é simplesmente… bruta. É tão cru e sensível e lindamente escrito. Rawness in its pure form – eu diria.

É a segunda vez que Green narra no ponto de vista de uma garota (a primeira foi a Mia de Zombicorns – que eu ainda vou resenhar para vocês) e é bom ver o quando ele muda. Porque é, nós até conseguimos ver semelhanças entre seus personagens masculinos (Miles, Colin, Quentin, Will Grayson), mas Mia e Hazel são muito diferentes. São batalhadoras, ambas, sim, mas cada uma com uma batalha diferente e um modo diferente de encarar o mundo. Hazel é inteligente, como todos os personagens de Green são e ela tem consciência de sua vida e morte nesse mundo. Jodi Picoult, autora do aclamado “My Sister’s Keeper” (cujo livro eu não li, mas o filme é uma das coisas mais depressivamente lindas que eu já vi na vida) falou:

Um retrato elétrico de jovens que aprenderam a viver a vida com um pé na cova. Cheio de explosões de humor e tragédia, The Fault in Our Stars gira em torno de temas universais – eu serei amado? Serei lembrado? Deixarei uma marca nesse mundo? – levantando de forma dramática as estacas dos personagens que fazem essas perguntas.

Na minha opinião, esse é o livro mais bonito que John Green escreveu. Mais que Alaska? Mais que Alaska. É claro que Alaska tem um cantinho especial no meu coração e continua sendo o segundo melhor livro que li na vida (lista completa aqui, caso esteja curioso), mas Fault é escrito tão. lindamente. É simplesmente maravilhoso, de verdade. Você ri e chora e ri de novo e chora ainda mais e é lindo.

Também não tem um final feliz, como você pode imaginar. Não deveria, para ser honesta e é uma das coisas que eu mais gosto nas histórias do Green – como elas são realistas – porque a vida não é fácil. As pessoas adoecem, se apaixonam, vivem e morrem. É o que acontece.

The Fault in Our Stars provavelmente será importante na história da literatura. Faz pouco mais de um mês que foi lançado e já é um sucesso. Eu desejo de coração que alguma editora (de preferência a Martins, que fez um ótimo trabalho em Alaska) compre os direitos logo, porque todo brasileiro fã de uma boa história que não sabe ler em inglês merece ter esse livro na estante também.

Markus Zusak – meu autor preferido, do meu livro preferido – disse “Uma história sobre vida e morte e as pessoas no meio disso, The Fault in Our Stars é John Green em sua melhor forma. Você ri, chora e volta para mais.” Ele não poderia estar mais correto.

Um quote para vocês testarem seu nível de inglês.

Around three, when I figured Augustus would be home from school, I went into the backyard and called him. As the phone rang, I sat down on the grass, which was all overgrown and dandeliony. That swing set was still back there, weeds growing out of the little ditch I’d created from kicking myself higher as a little kid. I remembered Dad bringing home the kit from Toys “R” Us and building it in the backyard with a neighbor. He’d insisted on swinging on it first, and the thing damn near broke.
The sky was gray and low and full of rain, but not yet raining. I hung up when I got Augustus’s voice mail and then put the phone down in the dirt beside me and kept looking at the swing set, thinking that I would give up all the sick days I had left for a few healthy ones. I tried to tell myself that it could be worse, that the world was not a wish-granting factory, that I was living with cancer, not dying of it, that I mustn’t let it kill me before it kills me, and then I just started muttering stupid stupid stupid stupid stupid stupid over and over again until the sound the sound unhinged from its meaning. (pages 120-121)

Título: The Fault in Our Stars
Autor: John Green
Número de Páginas: 313 (encadernado)
Edição: 1ª – 2012
Editora: Penguin USA
Preço (Livraria Cultura): R$43,10 ($17,99)
Classificação: ★★★★★

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12 Comments

  • Reply
    Juliana Pires
    15/02/2012 at 7:24 pm

    Que resenha linda, fiquei com muita vontade de ler, espero que chegue rapido por aqui. Eu já li Quem é voce, Alasca? E gostei muito do jeito como John Green escreve. Eu me senti como o Miles, não sei se dá para entender, mas tenho certeza que se eu fosse um garoto eu seria ele (meio doido né, mas eu sei lá), a historia é tão bonita. Eu gosto de finais felizes sabe, mas acho que os tristes são mais convincentes, as pessoas sempre falam que gostam de finais felizes por que a vida já é tão dificil, por que gostar de algo que termina de um jeito ruim. Eu chorei tanto no final de A garota que roubava livros, fiquei com raiva, mas convenhamos a historia se passa no sedunda guerra, o fim não poderia ser arco-iris e unicornios, foi o final perfeito mesmo que triste. Eu acho que os finais felizes iludem, por que nem tudo dar certo sempre, o mocinho nem sempre é salvo no ultimo segundo, as coisas tristes, ruins infelizmente acontecem. Eu (escrevo) falo muito, enfim espero não ter saido muito do assunto. Pergunta: quantos livros do John Green já foram lançados no Brasil?

    • Reply
      Byzinha
      16/02/2012 at 11:57 am

      Só Alaska tem em português, o que é uma completa pena D;

  • Reply
    Jeh Asato
    15/02/2012 at 11:25 pm

    Gente, que livro triste!! Nossa, ia debrulhar em lágrimas, do jeito que estou emotiva… =(
    Mas ainda não li os livros do Green, não sei se iria gostar, mesmo tendo lido boas resenhas de “Quem é você, Alasca?”
    \o

    Parabéns pela resenha!

    • Reply
      Byzinha
      16/02/2012 at 11:58 am

      John Green é maravilhoso, inclua-o em sua vida.

  • Reply
    Tharcila Lima
    16/02/2012 at 2:45 am

    Thanny que livro lindo! Adorei a sinopse. Sempre me encanto com histórias assim. Concordo com a Jeh, com certeza eu choraria rios de lágrimas
    Awwwwwwwwn eu quero ele *—*

  • Reply
    Michelle
    16/02/2012 at 6:00 pm

    O livro parece ser realmente muito bom pelo que você falou.
    Eu confesso que não tenho muita vontade de ler algo do John Green, acho que ainda não estou no clima dos tipos de livro que ele escreve.
    Acho câncer um tema delicado, um tema que não é fácil de ser trabalhado num livro, já que a maioria dos livros que lidam com isso nos arrancam lágrimas (estou igual a você, não li A guardiã da minha irmã, mas vi o filme e é lindo!).
    Espero que lancem no Brasil, mesmo não tendo tanta vontade, tenho curiosidade de saber como ele conquista tantos leitores.
    Beijinhos
    Michelle, Minha Bagunça

  • Reply
    Ana Ferreira
    17/02/2012 at 2:31 am

    Incrível como em todas as vezes que apareço por aqui acabo, inevitavelmente, encontrando uma resenha sua sobre algum livro de John Green. E sério, com todas as suas opiniões honestas e entusiastas, é impossível nós mesmos não sentirmos uma admiração pelo autor sem sequer conhecê-lo.

    E de todas as temáticas dele, achei essa a mais bonita, consistente. Talvez menos próxima da realidade ou da “leveza”, assim digamos, que as outras, mas um drama inteligente que merece atenção. Se Jodi Picoult e Markus Zusak elogiaram, vamos adiante.

    Além de quê, “bruto” é uma palavra interessante para definir um livro.

    Beijinhos,
    Ana – Na Parede do Quarto

  • Reply
    Sam
    17/02/2012 at 2:19 pm

    Ok, By, eu definitivamente vou correr pra virar fã do Green. Que resenha linda!!!!!!! E o livro parece ser incrível também, adoro coisas chorantes. Vou correr pra ler Alaska e depois vou tentar comprar esse porque a estória me interessou demais. :3 Amei demais sua resenha, ugh.

  • Reply
    Amanda Faustino
    18/02/2012 at 7:16 pm

    Falou tão bem do livro que me convenceu. Não estava querendo ler a resenha (confesso), mas se eu não tivesse lido não iria ter conhecido esse livro. Eu não sei ler em inglês, então é esperar e ver se vai ser lançado por aqui. Espero que sim.
    Tenho muita vontade de ler os livros do John, todos falam tão bem que fico curiosa.

    Beijos,
    Mandi – Book and Cupcake.

  • Reply
    Ceile
    21/02/2012 at 1:48 am

    Oh, God!
    Que… Não sei o que diria… É, que bruto!
    Aquela imagem no início do post certamente é meu retrato depois de ler… /cry
    Apesar de achar muito mais original e realista um final triste, ainda prefiro “mascarar” a ficção e me apego aos finais clichês, tipo “viveram felizes para sempre”.

    Espero mesmo que alguam editora compre logo os direitos do livro… Eu realmente quero conhecer este autor (este livro seria uma boa pra começar rs).

    um beijo!

  • Reply
    Juh Claro
    27/02/2012 at 2:48 pm

    A cada resenha sua sobre o John me dá mais vontade de ler algo dele, qualquer livro! Adoro as capas originais e é o que me dá mais vontade de ler em inglês mesmo – o que possivelmente farei assim que puder comprar livros novamente.
    Apesar de ser uma história triste (ah, já sei o final, né!), deve ter um desenrolar ótimo e, se dá para rir, deve ser melhor ainda.

    Resumindo: quero muito! :*

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    Who's thanny? » Arquivo » Cinco Motivos para ler “A Culpa é das Estrelas”
    19/04/2013 at 4:37 pm

    […] só isso não foi suficiente, nós ainda temos uma resenha de quando o livro foi lançado em inglês para você conferir, e, se mesmo assim, você ainda tem […]

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