Cinema

Selma (2014)

Sabem a música dos Paralamas do Sucesso, Selvagem? Daquele álbum lançado em 1986? Sabe como ela fala sobre 1920, 1965, 1986, 2015? Sabe?

What happens when a man stands up, says ‘enough is enough’?

Selma

Basta prestar só um pouquinho de atenção nas aulas de história para ver como a humanidade é depressivamente horrível. Nós já sabemos como as pessoas de cor sofreram nas mãos dos brancos, isso faz parte do nosso dia a dia. Mesmo que não estejamos ~~VENDO~~, sabemos que está lá – através dos jornais e das redes sociais, através daquele amigo (ou amigo do amigo, ou primo do primo) que passou por alguma situação recente e revoltante.

Mas ninguém nunca está preparado para ver de perto a injustiça e falta de amor pelas quais as pessoas de Selma passaram em 1965, retratada de maneira tão crua nessa biografia de Ava DuVernay.

Às vezes nós perdemos a noção do quanto uma coisa é revoltante. Nosso mundo hoje é tão confortável, tão bonitinho, que chegamos a esquecer como foi para aqueles que lutaram pelo que temos hoje. Nós esquecemos que houve gente que morreu e sofreu e batalhou e apanhou sem nunca, em nenhum momento, revidar. E então nós temos esse filme sobre Martin Luther King Jr. (interpretado de maneira brilhante por David Oyelowo) logo após ter recebido seu Nobel da Paz reunindo as pessoas de Selma, Alabama numa marcha pacífica pelos direitos de voto.

Era pra ser tão simples, não é mesmo? Nós estamos aqui para caminhar e louvar e buscar um presente melhor, para que o futuro seja ainda melhor. E aquelas pessoas apaixonadas pela liberdade que mereciam ter e os direitos que mereciam ter abraçaram essa ideia e amaram essa ideia e a colocaram em prática com mais amor e paixão a cada irmão que era derrubado.

Selma mostra que não é brincadeira logo nos primeiros 5 minutos. Eu fiz questão de olhar no relógio. Cinco minutos para você começar a sentir nojo da humanidade, nojo do preconceito intrínseco entre as etnias, tão difícil de ser quebrado. É um filme forte feito por negros para incomodar a sociedade. Está vendo esses brancos responsáveis pela morte das quatro garotas negras dentro da igreja? Esses brancos responsáveis pela morte desse rapaz negro que estava tentando manter o avô e a mãe a salvo no tumulto? Esses brancos responsáveis pela morte desses outros brancos que viam as pessoas de cor como gente? Está vendo esse branco que atirou em Mike Brown desarmado? Está vendo esses brancos que impediram Eric Brown de respirar até que ele morresse? Está vendo como eles não passaram por julgamento? Nunca? Está vendo?

Em Maze Runner, um dos personagens diz “Se você não tem medo, você não é humano.”

Agora, em Selma, sobre Selma, eu tenho que lhe dizer “Se você não se ofende, se seu coração não dói, se seus olhos não queimam… se tudo que você viu nessa tela não te incomodou, você não é humano.” É matemática simples.

“No primeiro dia em que pisei no set de Selma, eu comecei a sentir que isso era maior do que um filme. Conforme conheci as pessoas do movimento dos direitos civis, percebi que sou a mulher negra esperançosa que teve seu direito de voto negado. Sou o branco que se importa, morto na linha de frente da liberdade. Sou o rapaz negro desarmado que talvez precisasse de uma mãe, mas recebeu uma bala no lugar. Sou os dois policiais mortos na linha de dever. Selma despertou minha humanidade. Selma é agora.” Common

ficha técnica

Selma

 

Título original: Selma
Direção: Ava DuVernay
Elenco: David Oyelowo, Carmen Ejogo, Jim France, Oprah Winfrey, Tom Wilkinson, Giovanni Ribisi, Common, Wendell Pierce, Lakeith Lee Stanfield
Roteiro: Paul Webb
Trilha sonora: Jason Moran
Duração: 127 min.
País: EUA
Gênero: Biografia, drama, história
Trailer: (x)
Classificação: ★★★★★

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