Cinema

Interestelar (2014)

Por Sam e Ells

Sem medo de fazer seus espectadores de otários, Christopher Nolan consegue trazer uma mistura fantástica de ficção científica e humanidade.

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Interestelar se passa em um mundo decadente, onde recursos são escassos e o único ponto da vida na Terra é a mera sobrevivência. O engenheiro Cooper (Matthew McConaughey) trabalha como fazendeiro espera que seus filhos tenham uma chance de futuro melhor, mas sabe que talvez isso não seja possível. Quando a chance de explorar novas oportunidades que podem salvar a humanidade aparece, Coop se vê na obrigação de ir, deixando sua família, e principalmente sua filha Murph (Mackenzie Foy), para trás enquanto desbrava outros planetas em busca de um novo para chamar de lar.

QUE. FILME. Se surpreender com algo vindo do diretor da trilogia do Cavaleiro das Trevas e A Origem parece absurdo, e ainda assim Nolan consegue fazer outra vez. Nunca estive tão entretida durante três horas. O roteiro interessante e aparentemente complexo trata de seu mundo misterioso dando detalhes o suficiente, mas sem explicar cada parte dele. O diálogo expositivo conta o necessário para que o espectador não fique perdido no meio do caminho, o que pode incomodar algumas pessoas e ser uma dádiva para outras. O script ambicioso dos irmãos Nolan demora construindo sua premissa e apresentando seus personagens, tornando praticamente impossível não se importar com aquelas pessoas e sua jornada, e foca em aspectos inesperados da humanidade de cada um, e tem uma mensagem tão bonita que é difícil não se afogar em lágrimas.

E mesmo se o filme não focasse tanto no emocional de seu personagem, Matthew McConaughey trataria de te fazer chorar e se importar de qualquer forma. Sua performance é incrível, provando novamente o quanto ele merece reconhecimento. Cooper e Murphy são o núcleo da história, e as atuações de Matthew, Mackenzie e Jessica Chastain são tocantes e tão bonitas que não tem como não se relacionar e se emocionar com a química incrível que eles têm trabalhando juntos, mesmo em cenas em que estão a anos luz de distância. Felizmente o elenco não teve pontos fracos: Anne Hathaway, Michael Caine, Wes Bentley, David Gyasi são excelentes em seus papéis.

Interstellar

Infelizmente, Interestelar tem sim suas falhas. Além de alguns personagens subdesenvolvidos que poderiam fazer diferença caso tivessem substância e o diálogo que não consegue ser sutil quando precisa, uma coisa acontece no meio do longa que parece fora do lugar. É verdade que as 3 horas de duração migram de um estilo para o outro com frequência, mas ao invés de ser mais um acontecimento novo, só ficou estranho e deslocado. Nada que afetasse muito o conjunto inteiro, porém.

A trilha sonora de Hans Zimmer trata de elevar a experiência que é assistir essa maravilha. Distinta das scores que fez nos últimos anos, os acordes de Zimmer buscam aumentar todos os aspectos que se passam na tela. Desespero, alegria, tensão, medo do desconhecido: cada emoção é explicitada com as belas músicas do compositor, que adicionam ainda mais vida à história.

O longa também conta com um dos robôs mais amáveis da história do cinema: TARS é como qualquer outro personagem humano do filme, e você se sente tão apegado quanto aos protagonistas, foi uma forma inovadora de não deixar o robô ser chato ou racional demais, dando a oportunidade de um sentimento de companhia para quem está na nave e também para o espectador. Em aspectos técnicos, a película é impecável, a fotografia e os efeitos visuais adicionam a experiência de assistir, e encontra o ponto perfeito entre deixar as imagens reais, mas sem abrir mão da liberdade que se ganha com a ficção científica.

We used to look up at the sky and wonder at our place in the stars, now we just look down and worry about our place in the dirt.

É incrível como conseguiram colocar tantos elementos de ficção e ciência com tantas emoções, contando uma história sobre a essência do ser humano em meio a um cenário mais propício para uma simples aventura espacial. É um tipo de filme que não se vê com todo dia, de verdade. É pra chorar e sorrir e sofrer e se embasbacar e se apaixonar pelas belas imagens e lembrar sem saudosismo das épocas que Matthew McConaughey era um ator de comédia romântica ruim. Porque no fim das contas, Interestelar tenta e consegue ser mais do que um longa-metragem: Interstellar é uma experiência. E das boas.

P.s. Dica pra vida: não confie em quem não se estrebuchou em lágrimas assistindo porque só gente sem alma faz isso. Verdade.

FICHA TÉCNICA

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Título original: Interstellar
Direção: Christopher Nolan
Elenco: Matthew McConaughey, Anne Hathaway, Jessica Chastain, Michael Caine, Mackenzie Foy, Wes Bentley, David Gyasi, John Lithgow
Roteiro: Christopher Nolan e Jonathan Nolan
Trilha sonora: Hans Zimmer
Duração: 169 min.
País: EUA
Gênero: Sci-fi, Aventura
Classificação: ★★★★½

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2 Comments

  • Reply
    Caio
    23/11/2014 at 10:08 am

    Aaaaah, esse filme! Eu concorro contigo quando você diz que ele é uma experiência, Sam, e sinto pena de quem entra e sai do cinema sem se dar a oportunidade de viver Interstellar de maneira completa, porque pra mim ele engrandece muito a alma. Saí da minha sessão a 1h da manhã me sentindo mais pleno por ser humano.

    Ah é, e ainda bem que ele é uma experiência, porque como filme (como você destacou) ele tem suas falhas. Falhas absolutamente irrelevantes quando o espectador tá aberto pra entender a mensagem do filme.

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    Who's thanny? » Arquivo Melhores de 2014
    29/12/2014 at 10:56 pm

    […] novo e esperado filme de Christopher Nolan provou novamente a criatividade e originalidade do diretor. Com atuações excelentes e uma bela […]

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