Televisão

Dexter – Um desabafo.

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Desde já, aviso que esse texto será bastante pessoal, e que porventura pode vir a ter spoilers ao longo dele. Espero a compreensão, procurarei me controlar, mas não dá pra não comentar uma coisa ou outra, que possa vir a surpreender quem não estiver em dia com a série.

Eu sempre fui viciada em séries. Lá nos árduos tempos da internet discada, onde fazer um download de episódio era artigo de luxo, eu já decorava as programações dos canais de TV a cabo, para saber exatamente em que dia da semana e hora passavam os episódios novos e reprises das séries que eu acompanhava. Quando a banda larga chegou em minha casa, esse vicio apenas aumentou, me levando a assistir uma quantidade muito legal (sqn) de 47 séries. E aí você me pergunta “Ok Gi, e o que isso tem a ver com Dexter?”, e o que tem a ver é que: eu não acompanhei Dexter desde a estreia. Tinha inúmeros amigos que assistiam, amavam e veneravam a série, e eu não assistia por motivos de ser chata e achar que a série estava sendo superestimada. Até que um belo dia, eu cedi aos apelos da nação (risos) e fiz uma mega maratona, já que quando eu comecei a assistir, estavam esperando o início da sétima temporada. Me encantei.

Dexter, exibido pela Showtime e estrelada por Michael C. Hall, se propõe a seguir a vida de um serial killer, que, por ser filho de um policial, se infiltra na polícia de Miami, como especialista forense, criando assim um “disfarce perfeito”. Ele participa de investigações, vai a tribunais como testemunha de seus casos e quando sente que a justiça não irá punir como deveria, seu lado mais sombrio vem à tona, e ele, agora no papel de um serial killer, resolve o problema. Seu pai desenvolveu um código, em sua infância, que permitiu que ele controlasse de certa forma seus instintos, sendo uma espécie de Justiceiro e matando criminosos de casos que a policia não conseguia resolver.

Dexter vicia. É uma série de atuações geniais, principalmente de Michael C. Hall e de Jennifer Carpenter, minha amada Debra – irmã do Dexter. Ao longo de oito temporadas, acompanhamos Dexter e seus assassinatos, que muitas vezes deixavam o espectador com duvidas sobre sua própria moral, pois como amar um assassino, e odiar, por exemplo, um policial que descobria a vida dupla de Dex e queria que ele pagasse pelos seus atos?

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Para manter a vida dupla, Dexter tem, além do emprego, relacionamentos e depois um filho, Harrison. Sua mulher, Rita, é amada por 9 em cada 10 fãs da série, e todos nós sofremos muito muito com a sua morte, no fim da quarta temporada.  A quarta temporada foi o ápice da série (tanto que eu assisti os doze episódios em menos de 24 horas) e é trauma para todos nós até hoje. Dexter foi uma daquelas séries que caiu no efeito de prolongar para agradar e manter a audiência. Sendo o carro-chefe do canal que o exibia, Dexter foi enrolando e enrolando mais quatro longas temporadas, e decaindo de qualidade a cada uma delas.

Após a morte de Rita, os produtores tentaram a cada passo, humanizar o personagem, fazendo com que, muitas vezes, ele perdesse suas características mais essenciais. Oras, é possível mesmo um serial killer, psicopata, deixar de ser assim? Perder a vontade de matar? Desenvolver sentimentos de amor, medo de perder, quando até pouco tempo era tudo encenado? Licença poética, meus caros.

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O fim de Dexter foi anunciado em Abril deste ano. A oitava temporada seria aquela que daria fim a série, e foi ansiosamente aguardada. E o fim aconteceu, o último episódio foi exibido domingo passado, encerrando uma temporada que não agradou a ninguém. Até agora me pergunto se o fim foi anunciado assim, tão de repente, que não poderiam fazer um roteiro e final dignos do legado que a série tinha. Furos gigantescos de roteiros, plots que não acrescentavam nada a ninguém, e principalmente, coisas que qualquer um olharia e riria, de tão ridículo que era, foi o que recheou, infelizmente, essa temporada.

Sobre o último episódio, em específico, a minha reação foi querer bater a cabeça na parede, de tanta raiva e indignação. Sério? Matar a melhor personagem da série, por um erro de Dexter de não matar seu inimigo, porque “não sentia mais vontade de matar, e sim vontade de deixar a justiça fazer sua parte”? Serial Killers procurados andando por aí sem nem um óculos escuros pra disfarçar (sim Hannah, estou falando de você), depois de tanto cuidado para não ser descoberto, Dexter matando o Saxon na frente das câmeras da polícia, e os próprios policiais acharem tudo de boa, tudo as mil maravilhas? E mais ainda, as melhores partes: Dexter saindo com o corpo roubado de Debra de dentro de um hospital, e ninguém percebendo (alô alô capa da invisibilidade), indo jogá-la no mar, e depois indo de encontro a uma tempestade com furacão, pra fingir sua morte, deixando seu filho abandonado aos cuidados de Hannah. Sério? Nem comento o fato de todo mundo achar que ele está morto e ninguém ir atrás do menino.

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Dexter termina deixando um gostinho amargo de insatisfação nos fãs, que esperavam e mereciam um pouco mais do que essa tremenda decepção.

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