Cinema

Victoria (2015)

Um ataque cardíaco. Uma injeção de adrenalina” diz a citação do Hollywood Reporter no trailer de Victoria, com direção e roteiro de Sebastian Schipper (Corra, Lola, Corra) e estrelado por Laia Costa, Frederick Lau (A Onda), Burak Yigit, Franz Rogowski e Max Mauff (Sense 8).

Victoria 2015

Já virou costume elevar o hype de um filme, ou qualquer outra obra midiática, utilizando frases de efeito para despertar a curiosidade do público. Não sei você, mas desconfio sempre. Porém, no caso de Victoria, o que me chamou a atenção no trailer foi o fato do filme ter sido gravado em 134 minutos de plano sequência. Estamos falando de um thriller sem nenhum corte de edição, lembra daquela famosa cena de True Detective (assista aqui)? Bom, talvez isso faça com que sintamos algo próximo de um ataque cardíaco, se o enredo conseguir fazer com que entremos na história junto com os personagens, e aqui vai um spoiler: Schipper conseguiu.

Victoria (Laia Costa) é uma garota espanhola solitária e ingênua vivendo na Alemanha há poucos meses, que acabou conhecendo quatro caras divertidos numa balada e foi convidada a passar mais um pouquinho da noite na companhia deles. Estamos falando de quatro caras bêbados, isso não soa como uma escolha sensata, mas lá pra frente entendemos melhor a motivação da protagonista ser tão espontânea em suas decisões.

Victoria 2015 amigos

A conexão entre Victoria e Sonne (Frederick Lau) acontece rapidamente a medida que a noite vai passando, mas ela precisa abrir a cafeteria em que trabalha em algumas horas e não pode mais ficar na curtição. Só que os planos de todos são mudados quando Boxer (Franz Rogowski) recebe uma ligação cobrando uma dívida antiga que irá por em risco a vida de todos, inclusive de Victoria que se oferece para ser a motorista deles.

Apesar de ter um começo bastante lento, você fica com os olhos vidrados esperando o momento em que terá um ataque cardíaco. Vez ou outra pode gritar com os personagens por fazerem besteira atrás de besteira. E a trilha sonora parece ser a mesma o tempo todo, tocando em momentos que nem parece combinar com a música. Mas o que importa é que a tensão começa assim que Victoria aceita ser a motorista no plano maluco para quitar a dívida de Boxer.

Uma curiosidade do filme é que ele levou 3 takes para ficar pronto, e no último, Laia pegou o caminho errado quando estava na direção do carro. Todos se desesperaram, mas o câmera foi desenrolado e conseguiu passar as instruções sem que ninguém percebesse e assim o filme foi finalizado. Não vou mentir que não fiquei o tempo todo tentando entender como o filme foi filmado, no coitado do câmera correndo atrás deles andando de bicicleta, mas a filmagem ficou bem feita, com algumas tremedeiras porque né, mas o cara merecia um prêmio.

A atuação dos atores, que na maioria não tem um currículo extenso, é convincente, eles realmente parecem um grupo de amigos se divertindo e posteriormente entrando em desespero, mas não entrarei mais em detalhes para que vocês confiram e sintam o que Victoria transmite.

laia-costa-victoria

O filme cumpre seu papel de provocar uma imersão no telespectador, mas por boa parte dos diálogos terem sido improvisados, além da impossibilidade de mostrarem o que estava acontecendo em outros cenários, quando os personagens se separavam, há seus furos de roteiro, principalmente no final. Mas isso não faz perder a magia, afinal é cinema, é ficção e Schipper está de parabéns por ousar e nos fazer sair na mesmice.

ficha técnica

Título original: Victoria
Direção: Sebastian Schipper
Elenco: Laia Costa, Frederick Lau, Franz Rogowski
Roteiro: Sebastian Schipper
Trilha sonora: Nils Frahm
Duração: 134min
País: Alemanha
Gênero: Drama, Suspense, Thriller
Trailer: (x)
Classificação: ★★★★☆

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