Música

Kyla la Grange

Pra falar a verdade, ainda me parece muito estranho o fato de poucas pessoas conhecerem o trabalho de Kyla la Grange, cantora inglesa que teve sua estreia em 2012 com o álbum Ashes. Sério, é estranho. Misturando folk, pop, um indie rock alternativo, alguns elementos de eletrônica e uma voz maravilhosa, Kyla certamente está no caminho de se tornar um dos principais nomes da música nos próximos anos.

Kyla-La-Grange

And the cars streak past with a life inside,
why is my life in your eyes?
And the windows glow with the hearts they’ve known,
why is my heart never mine?

(Been Better)

Entendam, quando ouvi a voz dessa mulher, eu tive a certeza de que ela se tornaria uma das minhas favoritas. Isso porque eu só havia ouvido Vampire Smile e então colocado-a no repeat por dois dias inteiros. Três ouvidas e eu já estava correndo para as minhas amigas da faculdade (que, graças a Deus compartilham do meu gosto musical), gritando sobre a minha nova descoberta. Kyla é exatamente assim: te deixa em êxtase, procurando como você pode aproveitar ainda mais todas as batidas, todas as frequências de sua voz.

E, cara, como ela tem um repertório de vozes.

Get up, get up, get up, my heart is heavy.
Sit up, sit up, sit up, enough already.
Take this, don’t look without seeing me.
Stay here, don’t touch without feeling me.

(Walk Through Walls)

Kyla pode ir facilmente de uma voz mais aguda, melosa e sexy para uma rouquidão áspera e então para um timbre soturno, melodramático e gritos e murmúrios capazes de libertar sua alma. Durante minhas crises eu ouvi muito suas músicas, tanto pelas melodias quanto pelas letras que, de alguma forma, pareciam falar comigo, mesmo que se tratassem de situações que nunca experimentei (como separações, amores perdidos, etc). Eu sentia uma liberdade enorme naquelas notas que se estendem até você notar que, afinal, se misturou com a música mais do que você estava preparado.

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É difícil dizer qual vertente a Kyla realmente segue. Em seu último álbum, Cut Your Teeth, ela claramente assumiu algo mais voltado para o synthpop, algo mais dançante, porém ainda assim vemos elementos ali que… ah, podem não ter nada a ver, mas criam uma harmonia incrível. Não consigo dizer se ela está mais pro folk, mais pro indie, pro rock ou pro synthpop. Tudo está ali num som bastante alternativo, que muda de uma música pra outra ou até de uma nota pra outra.

Closer, what did you say?
It was all too much to bear.
Closer, we’re not the same.
It was not your pain to share.
And I will never be a hero,
but I can look you in the eye.

(Fly)

Para ser sincera, eu gosto muito mais do Ashes, o primeiro álbum. As razões, bem, eu já esclareci. Não sou muito do pop, hah, e o Ashes é um tanto mais sombrio e um pouco mais… livre, apesar de o Cut Your Teeth ter letras bastante dramáticas em um background um tanto mais upbeat. É quase como uma contradição feita do modo mais perfeito possível, assim como o álbum Taiga, da Zola Jesus.

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O importante é que, com a Kyla, é possível ver o quanto ela amadureceu, tanto pessoal quanto musicalmente. Com certos artistas às vezes é muito difícil notar isso, pois se apegam muito a um certo formato que os consagrou e então deixam de crescer. Kyla la Grange não. Ela parece se renovar a cada música e o resultado é cada vez melhor. E, se você está, afinal, cansado das bandas alternativas que anda escutando, como MS MR, Chvrches… é bom dar uma chance à Kyla.   

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